Arquidiocese de Braga -

2 novembro 2026

D. José Cordeiro apela à proximidade com quem sofre: «A nossa presença será sempre um bálsamo»

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DACS

Na Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos, o Arcebispo de Braga recorda que a esperança cristã diante da morte não dispensa o cuidado com aqueles que enfrentam a dor da perda. D. José Cordeiro convida os cristãos a combater a solidão de quem vive o luto.

A esperança na ressurreição e a responsabilidade de acompanhar quem sofre estão no centro da homilia de D. José Cordeiro para a Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos, celebrada esta segunda-feira, 2 de novembro, na Sé Primacial de Braga. Sob o título «Esperança inabalável», o Arcebispo Primaz apresenta a fé cristã como uma resposta ao sofrimento e à morte, mas também como um compromisso concreto com aqueles que atravessam momentos de dor.

Numa reflexão que ultrapassa a dimensão individual da experiência religiosa, D. José Cordeiro sublinha a importância da proximidade humana, particularmente junto de quem enfrenta a perda de familiares e amigos.

«Como discípulos de Jesus somos enviados por Ele a aliviar os sofrimentos dos nossos irmãos, consolando aqueles que vivem o luto e a dor da perda», afirma.

O Arcebispo de Braga chama a atenção para o valor dos pequenos gestos e da presença junto de quem sofre, mesmo quando faltam palavras para responder ao sofrimento.

«A nossa presença orante e caridosa, ainda que silenciosa por não termos palavras adequadas a dizer, será sempre um bálsamo para quem sofre», acrescenta.

Esta dimensão da homilia ganha particular significado numa sociedade em que o sofrimento e a morte são frequentemente vividos de forma reservada e em que a solidão pode agravar a experiência do luto. A reflexão do Arcebispo Primaz aponta, assim, para a importância de comunidades capazes de acolher, escutar e acompanhar as pessoas nos momentos de maior fragilidade.

Uma esperança que não ignora o sofrimento

A partir das leituras bíblicas da celebração, D. José Cordeiro recorda que a esperança cristã não nasce da negação da morte ou do sofrimento, mas da confiança em Deus.

Evocando a experiência de Job, que perante o sofrimento coloca a sua esperança no Redentor, o Arcebispo sublinha a necessidade de cultivar uma esperança que resista mesmo diante daquilo que parece representar o fim de todas as possibilidades.

«Perante a perspetiva aparente do fim e do vazio da morte, a luz de Deus brilha no coração crente que se recusa a permitir a vitória da morte», afirma.

Para D. José Cordeiro, a Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos não deve ser entendida como uma simples repetição de uma celebração anual, mas como uma oportunidade para fortalecer a fé na ressurreição e renovar a própria vida espiritual.

O Arcebispo recupera, neste contexto, as palavras de São Martinho de Tours: «Nem temo a morte, nem recuso a vida».

Uma comunidade que acompanha e consola

Na homilia, o Arcebispo Primaz convida ainda os cristãos a viver o mês de novembro como um tempo de oração pelos defuntos, mas também de atenção aos vivos, particularmente àqueles para quem a saudade e o sofrimento se tornam mais intensos.

A comunhão dos santos, recorda, não diz respeito apenas à relação espiritual com aqueles que já morreram. Tem também uma dimensão comunitária, que une os cristãos entre si e os compromete com a prática da caridade.

Ao afirmar que a comunhão dos santos é simultaneamente vertical e horizontal, D. José Cordeiro insiste na ligação entre a relação com Deus e a responsabilidade para com os outros.

A celebração dos Fiéis Defuntos torna-se, deste modo, uma ocasião para recordar que a fé cristã não elimina a dor da separação, mas oferece um horizonte de esperança e convida a transformar essa esperança em gestos de cuidado e proximidade.

Citando o filósofo Byung-Chul Han, o Arcebispo recorda que, segundo a fé cristã, «a hora da morte torna-se a hora do nascimento».

A homilia termina com um convite a viver «uma vida com sentido até ao fim do fim», sustentada pela confiança em Deus.

«Somos chamados à Esperança inabalável diante da realidade mais brutal, como a morte», conclui D. José Cordeiro. 

No final da Eucaristia teve lugar a tradicional visita, em procissão, à capela das almas e à capela tumular dos Arcebispos de Braga, um momento que inclui orações e bênção.   

 


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