Arquidiocese de Braga -

21 outubro 2026

Bispos de Portugal e Espanha apelam a uma Igreja que comunique sem alimentar a polarização

Fotografia Agência Ecclesia

Reunidas em Alicante, as Comissões Episcopais para a Comunicação Social de Portugal e Espanha destacaram o impacto dos grandes encontros com o Papa

Os grandes encontros com o Papa constituem oportunidades privilegiadas para aproximar a Igreja da sociedade, promover o diálogo e afirmar a atualidade da mensagem cristã num mundo marcado por crises e polarizações. Esta é uma das principais conclusões do encontro anual das Comissões Episcopais para a Comunicação Social de Portugal e Espanha, realizado de 19 a 21 de outubro, na Diocese de Orihuela-Alicante.

Sob o tema «O impacto dos grandes encontros eclesiais», os responsáveis pela comunicação da Igreja nos dois países refletiram sobre a capacidade mobilizadora destes acontecimentos, tendo como referência a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) Lisboa 2023, com o Papa Francisco, e a recente viagem apostólica do Papa Leão XIV a Espanha.

Na declaração final, divulgada esta quarta-feira, 21 de outubro, as duas Comissões Episcopais sublinham que a presença do Papa constitui «um momento de graça» e uma ocasião para dar visibilidade à vida e à missão da Igreja, permitindo colocar a fé e a religião no espaço público e abrir novas possibilidades de diálogo sobre os problemas que afetam a sociedade.

Comunicar sem alimentar o confronto

Uma das ideias centrais da reflexão conjunta prende-se com a necessidade de uma comunicação capaz de afirmar os valores do Evangelho sem contribuir para a divisão e a hostilidade.

Os responsáveis episcopais destacam a capacidade das mensagens do Papa para oferecer respostas positivas e ponderadas às crises sociais, à polarização e à crescente sensação de falta de sentido.

Neste contexto, defendem uma comunicação que promova a dignidade humana, a justiça e o bem comum, sem alimentar o ódio nem abandonar a mansidão.

A proposta cristã, recordam, assenta num amor que procura o bem do outro e convida a defender os princípios sem fazer do confronto uma forma de afirmação.

As Comissões reconhecem, contudo, que o impacto das palavras do Papa nem sempre se traduz em mudanças imediatas. A sua importância está também nos caminhos que abrem e na responsabilidade que colocam sobre as comunidades cristãs.

Mais do que celebrar a dimensão mediática destes acontecimentos, importa assegurar que as mensagens transmitidas se traduzam em atitudes, iniciativas e compromissos concretos.

Grandes encontros devem gerar relações duradouras

Outro dos aspetos destacados é a capacidade dos grandes encontros eclesiais para reunir pessoas de diferentes culturas, origens e situações sociais, mostrando uma Igreja aberta, acolhedora e disponível para construir relações.

A reflexão incidiu igualmente sobre a importância da comunicação na preparação e realização destes acontecimentos.

A experiência da JMJ Lisboa 2023 e da visita do Papa Leão XIV a Espanha demonstrou, segundo as Comissões, a relevância da coordenação entre equipas, da preparação informativa e da colaboração com os órgãos de comunicação social.

Os responsáveis defendem que as relações estabelecidas com os jornalistas e os meios de comunicação não devem terminar com o encerramento dos eventos.

Pelo contrário, esses contactos constituem uma oportunidade para consolidar a confiança, aprofundar o conhecimento mútuo e manter espaços permanentes de diálogo entre a Igreja e a sociedade.

Reflexão conjunta entre Portugal e Espanha

O encontro contou com os contributos de Rita Sacramento Monteiro, diretora executiva da Fundação Economia de Francisco, e de Almudena Calvo Domper, responsável pela imprensa do Comité Nacional da Viagem Apostólica do Papa Leão XIV a Espanha.

As intervenções e os diálogos com as duas convidadas permitiram aprofundar a reflexão sobre o alcance pastoral, social e mediático dos grandes acontecimentos eclesiais.

Na conclusão da declaração conjunta, as Comissões Episcopais agradecem o acolhimento da Diocese de Orihuela-Alicante e confiam à Virgem Maria o trabalho de todos aqueles que, na Igreja, se dedicam à comunicação e daqueles que, no exercício da comunicação, se dedicam à Igreja.

O documento, datado de 21 de outubro de 2026, deixa uma orientação para o futuro: o verdadeiro impacto dos grandes encontros eclesiais não se mede apenas pela visibilidade mediática que alcançam, mas também pela capacidade de gerar encontros, fortalecer relações e inspirar compromissos que perdurem no tempo.