Arquidiocese de Braga -

1 novembro 2026

Valter Hugo Mãe participa em jornadas sobre o luto que querem quebrar o silêncio em torno da perda

Fotografia Lucília Monteiro

A Casa da Torre, em Vila Verde, acolhe, nos dias 20 e 21 de novembro, as jornadas «Sobre Viver o Luto», uma iniciativa organizada em colaboração com a Arquidiocese de Braga. O encontro reúne literatura, teatro, arte e reflexão sobre uma experiência freque

O escritor Valter Hugo Mãe será o principal orador das jornadas «Sobre Viver o Luto», que decorrem nos dias 20 e 21 de novembro de 2026, na Casa da Torre, em Soutelo, Vila Verde. A iniciativa, promovida por esta instituição ligada à Companhia de Jesus, em colaboração com a Arquidiocese de Braga, pretende contribuir para uma maior compreensão do sofrimento associado à perda e para a construção de respostas de acolhimento e acompanhamento.

Num país onde morrem cerca de 120 mil pessoas por ano, o luto afeta milhares de famílias e comunidades, mas permanece, muitas vezes, uma realidade vivida em silêncio. As jornadas procuram contrariar esse isolamento, criando um espaço de encontro, formação e diálogo sobre as dimensões emocionais, familiares, sociais e espirituais da perda.

A participação de Valter Hugo Mãe constitui um dos momentos centrais do programa. Conhecido pela forma como explora, na sua obra literária, a fragilidade humana, os afetos, a solidão e as relações familiares, o escritor levará ao encontro uma reflexão sobre a condição humana e a experiência da perda.

Da literatura ao teatro, diferentes formas de compreender a dor

O programa inclui também a representação da peça teatral «Tal Como Foi o Silêncio», promovida pela Associação Compassio e interpretada pela atriz Daniela Vieitas. A dimensão artística estará igualmente presente numa exposição de pintura de Dinis Silva, com obras inspiradas no luto e nos processos de transformação que podem emergir das experiências de sofrimento.

Ao longo dos dois dias, mesas-redondas e workshops permitirão aprofundar diferentes perspetivas sobre o luto, incluindo a sua dimensão espiritual, o acompanhamento da despedida, a expressão das emoções através da dança e da música e a importância de encontrar formas adequadas de falar da morte e da perda às crianças.

Outro dos temas em destaque será a preparação de pessoas e comunidades para acompanhar quem atravessa um processo de luto, reconhecendo que a resposta à perda não pode ficar limitada à esfera individual ou familiar.

Uma responsabilidade de toda a comunidade

Dirigidas a profissionais de saúde, estudantes, agentes pastorais, cuidadores, familiares e à população em geral, as jornadas pretendem também sensibilizar para a responsabilidade coletiva de acolher e acompanhar quem sofre.

A iniciativa parte do reconhecimento de que, embora a morte seja uma realidade inevitável da existência humana, as sociedades contemporâneas nem sempre oferecem espaços e linguagens que permitam falar abertamente da dor, da ausência e da saudade.

Ao reunir diferentes saberes e expressões culturais, a organização procura contribuir para uma comunidade mais atenta à vulnerabilidade humana, capaz de reconhecer o sofrimento e de oferecer proximidade a quem enfrenta a perda de alguém significativo.

As jornadas começam no dia 20 de novembro, às 21h00, e prolongam-se até ao dia 21 de novembro, na Casa da Torre, em Soutelo, Vila Verde.

As inscrições estão disponíveis na página oficial da Casa da Torre. Para mais informações, os interessados podem contactar a organização através do endereço eletrónico [email protected].


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