Arquidiocese de Braga -

24 outubro 2026

«Quem dizeis que Eu sou?»: Tom Corcoran aponta cinco passos para crescer como discípulo

Fotografia DACS

Na segunda conferência da manhã do RENOVAR 2026, o cofundador da Rebuilt Parish centrou a reflexão na identidade de Jesus e apresentou cinco práticas para ajudar cristãos e comunidades a crescer na fé.

«Quem dizeis que Eu sou?» Esta é, para Tom Corcoran, «a pergunta mais importante» que cada pessoa é chamada a responder. Foi a partir da pergunta de Jesus aos discípulos, no Evangelho segundo São Mateus, que o cofundador da Rebuilt Parish conduziu a segunda conferência da manhã deste sábado, 24 de outubro, no RENOVAR 2026, que reúne cerca de mil participantes no Forum Braga.

Depois de, na primeira intervenção, ter perguntado «porque existe a Igreja?» e apontado a missão de fazer discípulos como resposta, Tom Corcoran foi agora à raiz dessa missão: reconhecer quem é Jesus e deixar que essa profissão de fé transforme a vida.

Recordando a resposta de Pedro — «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo» —, Corcoran sublinhou que a fé não nasce apenas da capacidade humana de compreender, mas é antes de tudo um dom recebido de Deus.

«A Igreja existe para o mundo»

A profissão de fé de Pedro levou o conferencista a deter-se nas palavras de Jesus: «Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja».

Sem diminuir a leitura católica deste texto como instituição do ministério de Pedro, Tom Corcoran chamou a atenção para a palavra grega ekklesia, entendida como uma assembleia de pessoas reunidas para o bem da comunidade.

Daí retirou uma das frases mais fortes da conferência: «A Igreja não existe apenas para a Igreja. A Igreja existe para o mundo.»

A comunidade cristã é, nesta perspetiva, chamada a reunir-se não apenas para cuidar de si própria, mas para levar outros ao encontro da fé e ajudá-los a reconhecer Jesus como «o Messias, o Filho de Deus vivo».

Mas essa profissão de fé não pode permanecer apenas numa afirmação doutrinal. Tem de traduzir-se num modo concreto de viver.

Foi neste ponto que Tom Corcoran retomou uma das quatro prioridades apresentadas na conferência anterior: a necessidade de cada comunidade proporcionar um caminho claro de discipulado.

Um caminho claro de discipulado

«Sem um caminho, as pessoas vão em todas as direções. Sem um plano ou um caminho, as pessoas não fazem nada», afirmou.

Um percurso claro, explicou, permite não apenas desenvolver a fé individual, mas também dar unidade e maior capacidade missionária a toda a comunidade.

O responsável da Rebuilt alertou, porém, para o perigo de identificar o discipulado simplesmente com determinados programas pastorais.

Os programas podem ser importantes, reconheceu, mas é necessário perguntar sempre o que existe por detrás deles: que práticas ajudam verdadeiramente uma pessoa a amadurecer na fé?

A partir da experiência da Igreja da Natividade, em Timonium, apresentou então cinco «passos de discipulado», sintetizados em inglês através do acrónimo STEPS.

Servir para crescer

O primeiro passo é servir, tanto nos ministérios da própria comunidade como em ações dirigidas à sociedade.

Tom Corcoran recordou as palavras de Jesus de que o Filho do Homem não veio «para ser servido, mas para servir», defendendo que o serviço transforma também aquele que serve.

A partir da Carta aos Efésios, sublinhou ainda que a função dos pastores e responsáveis não consiste em realizar sozinhos todo o trabalho pastoral, mas em preparar os fiéis para o ministério e para a construção do Corpo de Cristo.

«Há um limite para a nossa maturidade espiritual se não servirmos de alguma forma», afirmou.

Ao aceitar uma responsabilidade, mesmo quando se sente incapaz de a desempenhar, o cristão é levado a confiar mais em Deus, a descobrir os próprios dons e a crescer.

Para Corcoran, o serviço permite também experimentar que a vida tem «um propósito e um significado para além de nós próprios».

«Onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração»

O segundo passo apresentado foi o dízimo e a oferta, numa abordagem que Tom Corcoran reconheceu poder causar algum desconforto tanto em Portugal como nos Estados Unidos.

A questão, explicou, não é primordialmente financeira, mas espiritual.

Recordando as palavras de Jesus — «onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração» —, o conferencista afirmou que a forma como uma pessoa utiliza os seus bens revela e, ao mesmo tempo, orienta as suas prioridades.

«Onde colocamos o nosso dinheiro, o nosso coração vai com ele», resumiu.

Dar à Igreja, aos pobres e às iniciativas que servem a missão do Evangelho é, nesta perspetiva, uma forma concreta de libertar o coração da dependência dos bens e de o orientar para Deus.

Corcoran recordou também a advertência evangélica de que não é possível «servir a Deus e ao dinheiro», considerando que os bens materiais constituem um dos maiores concorrentes pela atenção das pessoas numa cultura marcada pelo consumo.

«A nossa fé é pessoal, mas não é privada»

O terceiro passo é participar numa comunidade cristã.

Na Igreja da Natividade, esta dimensão concretiza-se sobretudo através de pequenos grupos de partilha da fé, nos quais as pessoas se encontram regularmente, rezam, leem a Bíblia, conversam e se apoiam mutuamente.

«Deus faz alguma coisa nesses momentos», afirmou Corcoran, defendendo que todos precisam de uma comunidade onde possam ser fortalecidos pela fé dos outros.

A ideia foi sintetizada numa das frases centrais da manhã: «A nossa fé é pessoal, mas não é privada.»

O cristão, explicou, não cresce sozinho. Precisa de uma comunidade e de outros crentes que o ajudem a perseverar.

Recordando São Paulo, que escreve aos Romanos dizendo desejar ser «mutuamente encorajado» pela fé dos outros, Corcoran observou: «Se São Paulo precisava de outras pessoas para o fortalecer e encorajar, penso que nós também precisamos.»

E recorreu à imagem dos quatro homens que, no Evangelho, transportam o paralítico até Jesus e o descem pelo telhado.

«Por vezes precisamos da fé dos nossos amigos para nos levar até Jesus quando não conseguimos chegar até Ele sozinhos», afirmou.

Rezar é uma prática

O quarto passo passa por praticar a oração e os sacramentos.

Tom Corcoran escolheu deliberadamente a palavra «praticar», porque considera que a oração é algo que se aprende e aprofunda ao longo de toda a vida.

Citou Thomas Merton para recordar que ninguém deixa verdadeiramente de ser principiante na oração e insistiu que a Escritura apresenta repetidamente a oração como uma força capaz de transformar pessoas e situações.

«A oração funciona. A oração muda as coisas», afirmou.

Para ilustrar a convicção, partilhou testemunhos pessoais e da sua comunidade, incluindo a história de uma mulher que vivia com dores intensas e que, segundo relatou, deixou de as sentir depois de um momento de oração realizado por uma equipa ligada à sua esposa.

Corcoran apresentou o episódio como uma experiência de fé da comunidade, recordando que a oração não pertence apenas aos relatos bíblicos, mas continua, segundo a sua experiência, a marcar a vida concreta das pessoas.

«Investir e convidar»

O quinto e último passo é partilhar a fé.

Tom Corcoran reconheceu que muitos cristãos se sentem intimidados perante a ideia de evangelizar, por acharem que não possuem formação teológica suficiente ou que não saberão responder a perguntas difíceis.

A proposta da Rebuilt é muito mais simples e resume-se a duas palavras: «investir e convidar».

Investir nas relações que já existem — com familiares, amigos, vizinhos ou colegas de trabalho — e, quando surgir o momento adequado, convidar essas pessoas a aproximarem-se da comunidade, acompanhando-as pessoalmente.

«Vai com elas, acolhe-as, ajuda-as a encontrar o caminho», explicou.

Partilhar a fé, acrescentou, significa muitas vezes simplesmente contar aquilo que Deus já fez na própria vida.

Também aqui o ponto de partida não é uma técnica de comunicação, mas a própria experiência: cada cristão é convidado a perguntar o que o atraiu inicialmente para Deus.

Tom Corcoran apontou quatro caminhos que podem estar na origem dessa atração: a bondade, a beleza, a verdade e a unidade.

Compreender como Deus entrou na própria história pode ajudar cada pessoa a encontrar uma linguagem autêntica para falar da fé aos outros.

Uma fé que transforma a pessoa e a comunidade

No final, Tom Corcoran retomou os cinco passos: servir nos ministérios e na missão; dar; participar numa pequena comunidade cristã; praticar a oração e os sacramentos; e partilhar a fé.

Nenhum deles, reconheceu, é particularmente complicado. Mas, colocados em conjunto, oferecem um percurso que permite ao cristão deixar de ser apenas participante ocasional para crescer como discípulo.

E esse crescimento pessoal tem consequências para toda a Igreja.

«Dão-nos um plano, um caminho, para podermos aprofundar a nossa fé e para que as nossas comunidades se tornem testemunhas mais convincentes do Evangelho», concluiu.

A segunda conferência da manhã prolongou, assim, a questão colocada por Tom Corcoran no início do RENOVAR. Se a Igreja existe para fazer discípulos, a renovação pastoral começa também por cada cristão voltar à pergunta de Jesus: «E vós, quem dizeis que Eu sou?»



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