Arquidiocese de Braga -
21 outubro 2026
Exposição na Basílica de São Pedro revela séculos de história da Irmandade
DACS
A exposição “Uma Viagem ConTempLo”, patente na galilé da Basílica de São Pedro, no Arciprestado de Guimarães, dá a conhecer, através de 14 painéis, os principais momentos da história da Irmandade do Príncipe dos Apóstolos São Pedro, desde 1390 até 2026. Em entrevista ao Departamento Arquidiocesano de Comunicação Social (DACS), o padre José Silvino, juiz e capelão da Irmandade, e Fátima Dias, responsável pela exposição, destacam a importância da documentação histórica e a identidade desta instituição secular.
A escolha do átrio da Basílica para acolher a exposição surgiu após um processo de reflexão. “Fomos pensando e maturando, por que não aproveitar este átrio, que nós chamamos Galilé, que é excelente”, explicou o padre José Silvino. A mostra permite apresentar à comunidade e aos visitantes “a história da Irmandade”, incluindo “a riqueza e a grandeza e os momentos menos bons desta Basílica e desta Irmandade”.
O sacerdote recordou que a Irmandade, inicialmente associada a 1616, tem referências documentais anteriores, que apontam para 1390. “É uma Irmandade muito específica, porque mantém ainda o juiz como sacerdote”, sublinhou.
Formada inicialmente por sacerdotes, a instituição tinha como finalidade cuidar dos seus irmãos, incluindo no contexto da morte. “Agora, aquilo que nós tratamos como cuidados paliativos, por exemplo, já era uma preocupação muito grande com os irmãos”, afirmou. Atualmente, a Irmandade está aberta a todos e mantém-se ativa, acompanhando o caminho sinodal da arquidiocese, em união com o arciprestado e a zona pastoral da cidade.
Documentos revelam a história
Fátima Dias explicou que a exposição assenta essencialmente em fontes documentais pertencentes à Irmandade, cujo espólio se encontra à guarda do Arquivo Municipal Alfredo Pimenta, em Guimarães. Através destes documentos, é possível conhecer os principais marcos da instituição, a construção da Basílica e as pessoas que marcaram o seu percurso.
Uma das primeiras referências encontra-se no Arquivo Distrital de Braga e data de 1390. Outro documento fundamental é o breve do Papa Clemente VIII, de 1604, que concedeu um estatuto privilegiado à Irmandade, proibindo a existência de outra dedicada a São Pedro na vila e termo de Guimarães.
A responsável recordou também os conflitos com a Real Colegiada de Nossa Senhora de Oliveira, onde, em 1616, foi celebrado um contrato entre as duas instituições. “Eu costumo dizer que nós, através desta documentação, percebemos que São Pedro tinha a chave do céu, a Colegiada abria as portas do inferno”, afirmou, referindo-se à “grande picardia” que durou mais de 150 anos e que contribuiu para a instalação da Basílica no local atual.
Em 1737, a Irmandade lançou a primeira pedra da sua própria igreja, no Largo do Toural. Em 1750, foi benzida a “pequena barraca”, como surge nos documentos. Segundo Fátima Dias, Luís da Costa Pego, capelão da Casa Real e benemérito da Irmandade, teve um papel decisivo na obtenção do breve que declarou Basílica aquela construção de madeira.
Uma viagem até ao presente
Inaugurada no âmbito dos 275 anos da elevação ao título de Basílica, a exposição apresenta ainda momentos como a aprovação dos estatutos, em 1630, a ocupação pelas tropas francesas, em 1809, e a entrada da primeira mulher na Irmandade, em 1828.
A mostra revela publicamente, pela primeira vez, a planta idealizada para a construção da segunda torre da Basílica. “Temos um passado com memória, mas também um presente com futuro”, destaca o sacerdote.
“Uma Viagem ConTempLo” pode ser visitada diariamente na galilé da Basílica de São Pedro, onde também se encontra o histórico carrilhão.
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