Arquidiocese de Braga -

27 setembro 2026

Confraria do Divino Salvador: recordar, celebrar e conviver

Fotografia DR

Padre Carlos Vaz

O dia litúrgico da festa é 6 de agosto, mas porque muitos estão de férias nesses dias, desde há anos que se acordou celebrar a Assembleia Geral Anual na última quinta-feira de setembro, como aconteceu mais uma vez em 24 de setembro.

Havendo testemunhos escritos de que a confraria já estava ativa em 1688, é de enaltecer que tenha chegado viva aos nossos dias. Fundada para sufragar os sacerdotes falecidos que a incorporassem, não deixou de ter pertinência nos nossos dias, e até serve de exemplo a muitos que pensam que os sacerdotes não têm em apreço os sufrágios. Pelo contrário. Por cada irmão que faleça, são mandadas celebrar 5 eucaristias e os membros vivos da confraria devem fazer tudo para estar presentes no funeral e promover uma celebração de carácter exequial, o mais cedo possível, em data que possa ajustar-se melhor à maior parte dos confrades. E é sempre uma celebração solene, com liturgia das horas cantada e integrada na celebração. Os irmãos que se inscrevam como benfeitores têm ainda direito a um trintário, ou seja, 30 missas em ação de graças e sufrágio.

Na celebração anual, que este ano reuniu 17 confrades, havendo 10 que justificaram a ausência, os textos foram os próprios da solenidade da Transfiguração do Senhor, quer os hinos e salmos de Laudes, quer os da eucaristia. Tudo cantado, sendo as melodias da autoria de um confrade já falecido, o padre Mendes Carvalho, com leves alterações do atual maestro e organista, dr. António da Costa Gomes.

Um dos confrades presentes foi o já famoso padre Tobias Álvares da Silva, que fez 100 anos em 6 de agosto, celebrou 76 de sacerdócio e 75 de pároco de Pedralva, em Braga. E estava fresca a notícia de que o Papa Leão XIV lhe tinha conferido a dignidade de «Monsenhor». Mas ele, na sua simplicidade e humildade, quer que o chamem apenas por: padre Tobias.

No final da eucaristia, houve a Assembleia Geral da Confraria, onde foi dada conta dos principais acontecimentos do ano em análise. Aí se lembrou a morte do padre Domingos Brandão, pároco de Gualtar, em Braga, durante muitos anos e que veio a falecer e ser sepultado na sua terra natal: Gavião, Vila Nova de Famalicão. Muitos dos irmãos estiveram presentes no funeral e, tempos depois, na celebração estatutária na igreja onde tinha sido pároco: Gualtar. Deu-se ainda a notícia do falecimento do padre Luís Guerra Fontes, natural de São Paio de Merelim e que consta como inscrito na Confraria em 1973. No seu funeral, neste mesmo dia 24, da parte de tarde, presidido pelo Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Braga, D. Nélio Pita, participaram 4 confrades que também estiveram presentes na celebração da Confraria na parte da manhã.

Esta reunião anual é ainda oportunidade para um almoço de convívio, sempre bem servido num restaurante local, e onde os confrades falam abertamente, convivem fraternalmente e se robustecem para continuar a caminhar com espírito de serviço e na alegria de levar Jesus a todos e todos a Jesus.

Combater a solidão e o isolamento, que tantas vezes batem à porta dos sacerdotes, é outra das funções de uma Confraria como a do Divino Salvador, com sede na igreja de Adaúfe, em Braga.