Arquidiocese de Braga -

25 setembro 2026

Compostela apresenta o Ano Santo de 2027 como um caminho de graça, alegria e acolhimento

Fotografia DR

Conselho Pastoral

A Arquidiocese de Santiago de Compostela apresentou, no dia 24 de setembro, o Ano Santo Compostelano de 2027, numa cerimónia realizada no mosteiro de São Martín Pinario e presidida pelo arcebispo, D. Francisco José Prieto Fernández. O encontro reuniu representantes da Igreja, das instituições públicas e de diversos setores da sociedade.

«Ao ver a estrela, sentiram imensa alegria» (Mt 2,10) é o lema escolhido para o próximo jubileu. A passagem do Evangelho de São Mateus esteve no centro da cerimónia e serviu de inspiração para apresentar um Ano Santo entendido como um caminho de esperança, orientação e renovação interior.

Durante a sessão foram também apresentados o hino oficial, intitulado «Um campo cheio de estrelas», e a nova identidade visual do Ano Santo. A estrela do mecanismo do Botafumeiro, as marcas dos pedreiros da Catedral e a figura do apóstolo Santiago, como guia para Cristo, constituem as principais referências simbólicas utilizadas nas propostas musicais, gráficas e audiovisuais.

Um acontecimento de graça

Na sua intervenção, o arcebispo de Compostela sublinhou que a estrela representa a luz que dá sentido e direção à caminhada humana, particularmente num tempo marcado pelo cansaço, pela incerteza e por profundas contradições sociais. Apesar dos avanços tecnológicos e da rapidez da comunicação, permanecem situações de solidão, fragilidade dos vínculos, polarização e falta de sentido.

Por isso, o Ano Santo de 2027 não deverá ser entendido apenas como um grande acontecimento religioso, histórico ou cultural, mas sobretudo como um acontecimento de graça, perdão e reconciliação, capaz de orientar novamente o olhar para Cristo.

D. Francisco José Prieto Fernández apresentou a vida humana como um itinerário, uma procura e uma vocação. Nesta perspetiva, o peregrino é aquele que caminha levando consigo as suas perguntas, feridas, dúvidas e perdas, mas também o desejo de uma vida mais autêntica. O Caminho de Santiago, que continua a atrair crentes e não crentes, proporciona uma experiência de lentidão, silêncio e desinstalação, permitindo reencontrar as perguntas essenciais do coração.

Recuperar a alegria cristã

Outro dos temas destacados foi o renascimento da alegria cristã. Não se trata de uma alegria superficial ou dependente das circunstâncias, mas de uma alegria profunda, fundada na certeza de ser amado, perdoado e acompanhado por Deus.

O Evangelho, afirmou o arcebispo, oferece um encontro real com Cristo, capaz de cuidar dos cansaços e dos vazios que o consumo imediato não consegue preencher. A chegada à Catedral e a oração junto do sepulcro do apóstolo Santiago aparecem, assim, como sinais de conversão do coração, reconciliação e recomeço. 

Uma Igreja próxima e acolhedora

A fecundidade do Ano Santo não dependerá apenas do número de iniciativas ou eventos, mas da capacidade da Igreja para refletir o rosto de Cristo. Nesse sentido, foi lançado um apelo a uma Igreja acolhedora, capaz de escutar sem julgar, respeitar os ritmos de cada pessoa e acolher as suas perguntas antes de oferecer respostas.

As paróquias e comunidades situadas ao longo do Caminho são chamadas a ser uma verdadeira “estalagem de Emaús”: lugares de acolhimento, escuta e partilha, onde os peregrinos possam encontrar companhia, alimento e sentido para a sua caminhada.

A hospitalidade cristã foi apresentada como a matriz histórica e espiritual do Caminho de Santiago, à luz das palavras de Jesus: «Fui forasteiro e acolhestes-me». A Arquidiocese de Santiago considera urgente preservar esta dimensão, evitando que o Caminho seja reduzido a um simples produto turístico ou a uma sucessão de experiências.

«Peregrinos da alegria»

O Ano Santo de 2027 pretende acolher todos sem exceção: crentes, pessoas que duvidam e todos aqueles que procuram. Esta abertura será vivida sem perder a identidade cristã do Caminho nem o testemunho do apóstolo Santiago.

Com o lema «Ao ver a estrela, sentiram imensa alegria», Compostela convida cada cristão a pôr-se a caminho, a rever o que leva na sua “mochila”, a cultivar o silêncio e a fazer do acolhimento um gesto concreto de evangelização. O horizonte proposto é o de uma Igreja e de uma humanidade renovadas, como peregrinos da alegria.