Arquidiocese de Braga -
3 setembro 2026
Braga pode inspirar a comunicação da Igreja em Portugal
DACS
Responsáveis nacionais pelas Comunicações Sociais visitaram a Arquidiocese de Braga num percurso pelas dioceses para conhecer as diferentes realidades e construir um caminho conjunto
A experiência de comunicação desenvolvida em Braga tem «muito» a acrescentar à Igreja em Portugal, considerou Rita Carvalho, diretora do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais, no final da visita que realizou à Arquidiocese, acompanhada por D. Alexandre Palma, presidente da Comissão Episcopal das Comunicações Sociais.
O contacto com a realidade bracarense integra um percurso que os dois responsáveis estão a fazer pelo país, com o objetivo de conhecer os diferentes secretariados e gabinetes de comunicação, escutar os seus desafios e reforçar uma rede entre os vários agentes.
Para D. Alexandre Palma, este trabalho parte de uma convicção fundamental sobre o lugar da comunicação na missão da Igreja. «Eu diria, em primeiro lugar, é acreditar que a comunicação é essencial na ação da Igreja, para a ação da Igreja, porque o testemunho do Evangelho precisa de comunicação», afirmou.
Em Braga, a visita passou pelo Departamento de Comunicação da Arquidiocese, pelo Diário do Minho, pela Gráfica Diário do Minho e pela Oficina São José, permitindo conhecer diferentes dimensões da atividade ligada à comunicação. Para Rita Carvalho, o contacto com esta realidade revelou uma experiência que pode ser partilhada com outras dioceses.
«Eu fiquei altamente impressionada com o que se faz aqui em Braga, já tinha uma ideia desta marca, Diário do Minho, mas realmente o que vocês fazem aqui, em muitas áreas, desde a comunicação interna ao nível da Arquidiocese, a comunicação como órgão generalista que informa a diocese de uma perspectiva também bondosa sobre a realidade, que ao contrário do que podem fazer outros órgãos de comunicação, mas também na produção de conteúdos que já vão fazendo, no digital, em todas as áreas», afirmou.
A responsável considera que este conhecimento pode ultrapassar a realidade local. «A Igreja toda em Portugal pode beneficiar muito daquilo que aqui é feito», afirmou, referindo tanto os conteúdos produzidos como a experiência acumulada.
A partilha de experiências está, precisamente, entre os objetivos do percurso que D. Alexandre Palma e Rita Carvalho estão a realizar. «A ideia foi ir para o terreno», explicou Rita Carvalho, procurando perceber «quais é que são as dinâmicas, os desafios, as situações que vão acompanhando a vivência de cada secretariado e de cada gabinete de comunicação que está no terreno».
A intenção é que, a partir da realidade encontrada nas dioceses, seja possível «construir aqui alguma estratégia que possa, no fundo, servir a todos».
A criação de uma rede entre os diferentes agentes e instituições é outro dos desafios identificados pelo presidente da Comissão Episcopal das Comunicações Sociais. «Temos que crescer num caminho conjunto, na diferença, na especificidade de cada um, mas num caminho mais coerente, mais de partilha, de inspiração, de recursos, onde fizer sentido», defendeu.
Esse caminho deve ser acompanhado por uma atitude de escuta. D. Alexandre Palma considera que esta é uma dimensão essencial da relação entre a Comissão Episcopal e os responsáveis pela comunicação nas dioceses.
Evitar a polémica e recuperar a capacidade de diálogo
A necessidade de uma comunicação mais articulada ganha particular importância num contexto marcado pelo discurso de ódio e pela desinformação. Para D. Alexandre Palma, a Igreja deve começar por não entrar na lógica da confrontação permanente.
«Se nós, agentes de igreja, instituições, resistirmos a cair na armadilha da discussão pela discussão, da polémica pela polémica, já estaremos a fazer um bem à Igreja em primeiro lugar, mas à sociedade», afirmou.
O responsável defende que a Igreja pode contribuir para recuperar a capacidade de diálogo no espaço público. «É ajudarmos a sociedade a encontrar uma linguagem que permita que nos escutemos uns aos outros», afirmou, sublinhando a importância de cada pessoa poder dizer aquilo que é próprio de si, mas também de saber escutar e procurar «uma saída para, às vezes, o labirinto onde há alguma discussão pública».
A mesma preocupação estará presente nas Jornadas Nacionais das Comunicações Sociais da Igreja, que decorrerão no Seminário de Leiria, no dia 24 de setembro. Rita Carvalho explicou que o encontro pretende ser mais do que um espaço de formação, procurando criar condições para uma verdadeira partilha entre os profissionais da comunicação da Igreja.
«Queríamos que fosse não só um espaço de aprendermos alguma coisa e de irmos ouvir alguém ou um workshop ou uma conferência, mas que fosse alguma coisa que também nos obrigasse a fazer o exercício que nós também estamos a fazer no terreno, que é de escutar, de nos escutarmos uns aos outros», afirmou.
O encontro deverá juntar profissionais ligados a diferentes áreas, desde a comunicação institucional à produção de conteúdos e à informação generalista. A intenção é que a reflexão conjunta permita identificar desafios e encontrar caminhos que possam depois ser considerados pela Comissão Episcopal.
Para D. Alexandre Palma, a intervenção da Comissão deve respeitar a especificidade de quem trabalha diretamente no terreno. «A nossa atitude fundamental enquanto Comissão Episcopal é da subsidiariedade, isto é, nós queremos estar para apoiar os comunicadores, não em vez deles, mas ao seu lado», afirmou.
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