Arquidiocese de Braga -

7 junho 2026

Povo peregrino do Magnificat

Fotografia DM

Peregrinação Arquidiocesana ao Sameiro, Domingo X do TC– 07.06.2026

1.    As cores do Sameiro
Mais uma vez caminhamos até ao cimo deste belo monte para, com Maria e como Maria, cantarmos as maravilhas do Senhor. Ele continua a realizar obras admiráveis a favor dos seus filhos, por isso nunca poderemos deixar de agradecer ao Senhor por tanto que Ele nos dá.  
«A peregrinação do Sameiro tem o colorido, a policromia de todas as romarias do Minho, estas romarias que parecem estampas de cores sobre a paisagem» (António Ferro).

Maria, a fiel serva do Senhor, foi capaz de sintonizar o seu coração com o coração de Deus, por isso Ela é bendita e é louvada com especial devoção pela Igreja, que vê nela a Mãe da humanidade e a Mestra do discipulado. Se deixarmos que Deus atue em nós pela força do Espírito Santo, tal como Maria deixou, de certeza também nós poderemos um dia alegrar-nos na bem-aventurança eterna, porque o caminho de Maria é o caminho que Cristo propôs a todos: o caminho da entrega e doa amor.

2. Vocação ao amor
Hoje, mais uma vez, este caminho de Páscoa está plasmado na passagem evangélica que tivemos a graça de escutar, habitualmente conhecida por vocação de São Mateus. 

Mateus é mais um exemplo de que para o Deus encarnado em Jesus Cristo nenhuma pessoa está excluída da possibilidade de salvação; nenhuma pessoa está irremediavelmente perdida. 

Como sabemos, na época em que Cristo viveu na Terra a Judeia e regiões vizinhas estavam sob a alçada do império Romano. Para cobrar impostos o poder romano recorria a homens judeus, que dessa forma se tornavam pessoas mal vistas pelo resto do povo, porque além de colaborarem com o invasor ainda praticavam a corrupção, pois cobravam valores acima do estipulado pelos romanos ficando com a diferença para si. Mateus era um destes homens, e alguém que se dizia Mestre em Israel, como Jesus, nunca poderia conviver com Mateus. É essa a acusação que os fariseus fazem em forma de pergunta aos discípulos. 

Os fariseus cumpriam escrupulosamente a Lei de Moisés e orgulhavam-se disso. Contudo, Cristo cita a Escritura Santa, neste caso o profeta Oseias (Os 6,6), e diz-lhes que eles, os entendidos nas referidas escrituras, tinham, afinal, de aprender o significado de uma passagem: “‘Prefiro a misericórdia ao sacrifício’”

Todavia, aquilo que Jesus disse aos fariseus não é algo exclusivo daquele tempo. A mensagem do evangelho é intemporal e por isso também nós nos podemos equivocar e passar ao lado do essencial do Evangelho, a misericórdia, cumprindo apenas o que é acessório, o sacrifício.

3.    Mulher do Magnificat
É muito importante que na Arquidiocese de Braga a chamada religiosidade popular se mantenha viva, algo que se pode aferir pelas muitas pessoas que continuam a participar nas peregrinações arciprestais e de um modo particular a participar nesta peregrinação arquidiocesana. Mas não basta a peregrinação ao cimo do monte se daqui não sairmos transformados pelo Evangelho.

Na encíclica Magnifica Humanitas, o Papa Leão XIV afirma: «O cântico de Maria acompanha o nosso empenho. Perante Isabel, que lhe anuncia que se tornou a mãe do Senhor, Maria irrompe num hino de louvor e de alegria: a sua alma glorifica o Senhor e o seu espírito exulta em Deus, seu Salvador, porque Ele escolheu para o seu desígnio de salvação uma jovem, pobre e humilde. Improvisamente, Maria vê toda a história com os olhos desta descoberta. Nada mudou à sua volta: a situação sociopolítica da sua época permanece a mesma, com os romanos a dominarem a sua terra e o seu povo dividido e humilhado. No entanto, tudo mudou dentro dela, e isso permite-lhe ver o invisível».

Cristo continua a chamar-nos. Ele sabe que não somos perfeitos, que somos pecadores, tal como Mateus era, e continua a oferecer-nos o seu perdão e a possibilidade de recomeçarmos, tal como Mateus foi capaz de mudar de vida. Aceitando estar à mesa com os pecadores, Cristo também os estava a curar através do convívio e da partilha do pão. Hoje, Ele também nos convidou para a mesa do altar, onde o pão partilhado é o próprio Senhor. Por isso, a peregrinação só fica completa, e só é verdadeira prova de fé, quando aceitamos estar com Jesus à mesa da Eucaristia e depois, com a sua graça, partimos ao encontro do mundo que precisa tanto do amor de Deus.

+ José Manuel Cordeiro
Arcebispo Metropolita de Braga