Arquidiocese de Braga -

30 abril 2026

Fazemos parte da história do 1.º de Maio
- 90 anos a semear esperança e a gerar vida nova

Fotografia LOC/MTC

LOC/MTC

Nota de imprensa da LOC/MTC – Movimento de Trabalhadores Cristãos da Arquidiocese de Braga

Somos trabalhadores cristãos. Caminhamos lado a lado com milhões de trabalhadores em todo o mundo que, mesmo no meio das dificuldades, continuam a erguer a voz, a cantar a esperança e a acreditar que é possível um mundo mais justo, mais humano e mais belo – um mundo como Deus o sonhou. Celebramos com gratidão os 140 anos da história do movimento operário. E, com humildade e alegria, celebramos os nossos 90 anos integrados nesta caminhada. Somos apenas herdeiros de uma história feita de luta, de coragem e de fé – uma história que não nos pertence, mas que nos compromete.

Hoje, mais do que nunca, somos chamados a fazer memória viva. A lembrar os mártires de Chicago, que em 1886 deram a vida para que o trabalho fosse sinal de dignidade e não de opressão. A sua entrega continua a ecoar nos nossos dias, como um apelo que não pode ser ignorado. Mas o nosso tempo também é um tempo ferido. Ainda hoje, no mundo do trabalho, proliferam injustiças que ferem a dignidade humana: horários desumanos, precariedade, medo, exploração silenciosa, desrespeito pelas famílias e desprezo pelos mais frágeis. Há rostos concretos por detrás destas realidades – migrantes, trabalhadores precários, vítimas de acidentes, mulheres pressionadas e jovens sem horizonte.

Neste Dia Mundial do Trabalhador sentimo-nos no direito de perguntar aos nossos governantes: onde está a agenda do trabalho digno? Porque continuamos a trabalhar ao domingo em serviços que não são necessários à comunidade? Porque querem aumentar os tempos de trabalho e reduzir as horas extraordinárias a “bancos de horas”? Porquê os atentados permanentes às famílias, à perseguição das jovens mães, com perguntas constantes se pensam ficar grávidas, atentando contra a natalidade assumida e responsável.

Todos temos direito a uma “vida em abundância” (Jo 10,10), que não devia ser uma vida qualquer com a marca da exploração desenfreada, nos locais onde deveríamos ser felizes e confraternizar com o dom da vida e do amor. Como é maravilhosa a certeza de que a vida de cada pessoa não se perde num caos desesperador, ma ela vale mais do que todo o ouro do mundo. O Criador diz-nos a cada um de nós: «Antes de te haver formado no ventre materno, Eu já te conhecia» (Jr 1, 5). Fomos concebidos no coração de Deus e, por isso, «cada um de nós é o fruto de um pensamento de Deus. Cada um de nós é querido, cada um de nós é amado, cada um é necessário» (LS 65).

Somos sementes que hão de romper o solo endurecido da injustiça. Hão de abrir fendas nos sistemas que oprimem. Hão de desarmar, com a força do bem, as maldades que proliferam nos ambientes de trabalho. Porque o bem, quando é vivido em comunidade, cresce, multiplica-se e contagia. É assim que Deus age.

Anunciamos que a paz começa em casa, cresce no trabalho e transforma a sociedade. Anunciamos que a violência, o poder absoluto e a indiferença não têm a última palavra. Anunciamos que outro mundo é possível e já está a nascer. Seguimos Jesus Cristo, que passou pelo mundo fazendo o bem, aproximando-se dos pequenos, devolvendo dignidade, semeando esperança. Hoje, queremos fazer o mesmo. Com gestos simples. Com presença fiel. Com comunidades vivas. Que a seu tempo, darão fruto, capaz de transformar o mundo do trabalho e vencer tudo aquilo que são causas da sua desumanização.

Braga, 1 de maio de 2026
A Equipa Diocesana da LOC/MTC