Arquidiocese de Braga -
23 março 2026
Santuário do Bom Jesus acolheu caminhada quaresmal centrada na esperança e na comunhão
DM - Rita Cunha
Bispo Auxiliar de Braga convida fiéis a viver a Quaresma «de forma autêntica»
Centenas de fiéis participaram esta tarde, no V Domingo da Quaresma, numa caminhada de penitência, silêncio e esperança até ao Santuário do Bom Jesus do Monte. A peregrinação, subordinada ao tema “Esperança: Acolher a fecundidade na fragilidade”, teve início na Igreja de Santa Cruz, de onde os participantes partiram em espírito de recolhimento rumo ao alto do monte. Já no Santuário, os peregrinos acompanharam a saída do andor do Senhor do Bom Jesus do Monte para o recinto exterior, onde foi celebrada a Eucaristia Campal presidida por D. Nélio Pita, Bispo Auxiliar de Braga, com animação litúrgica do Orfeão Famalicense.
Na homilia, D. Nélio Pita estabeleceu um paralelismo entre a experiência da peregrinação e o próprio caminho da vida cristã, sublinhando que ninguém caminha sozinho na fé. Recordou que o percurso espiritual é sempre vivido em comunidade, apesar das diferenças entre os fiéis. «Na Igreja, na Pia Batismal, percorremos um caminho, não percorremos o caminho sozinhos, percorremos sempre em comunidade, como grupo, como povo de Deus, apesar das nossas diferenças (…) mas estamos todos unidos pela mesma fé», começou por lembrar.
O Bispo Auxiliar destacou que, tal como numa subida exigente, também na vida surgem momentos de cansaço e dúvida, em que muitos questionam o esforço do caminho. Contudo, afirmou, é o olhar para a Cruz que renova a força e impede a desistência. «Quando olhamos para a Cruz, nós compreendemos que devemos continuar, não podemos desistir, porque a Cruz inspira-nos, dá-nos força, alimenta», disse.
Recorrendo à linguagem musical, D. Nélio Pita comparou a Quaresma ao processo de afinação de um instrumento, explicando que o tempo quaresmal convida cada cristão a rever a própria vida e a reencontrar harmonia com Deus e com os irmãos. «Assim como um instrumento precisa ser constantemente afinado (…) nós precisamos de ser afinados. As nossas cordas interiores precisam de ser apertadas pela mão de Deus», vincou.
Segundo o Prelado, este é também um tempo para reconhecer fragilidades pessoais e evitar a tentação de olhar apenas para os erros dos outros, redescobrindo a comunhão como essência da caminhada cristã.
Num dos momentos centrais da homilia, D. Nélio Pita afirmou que Cristo continua a sofrer com a injustiça, guerra, fome e desigualdades presentes no mundo atual, convidando os fiéis a responder com gestos concretos de proximidade e caridade. «Esta Quaresma, saibamos olhar para o Senhor, identificar estas situações e poder de alguma forma aliviar o sofrimento do Senhor», disse, dando um exemplo concreto: «ajudando os meus irmãos, visitando um vizinho, dando a mão a quem eu tenho virado as costas».
Finalizou lembrando que viver autenticamente a Quaresma implica transformar palavras em ações, preparando assim o coração para a celebração pascal. «Se fizermos isso, estaremos a viver a Quaresma, de uma forma autêntica», vincou.
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