Arquidiocese de Braga -
22 fevereiro 2026
Quatro novos cónegos afirmam vontade de responder aos novos desafios da Igreja de Braga
DM - Joaquim Martins Fernandes
Os quatro novos cónegos da Igreja de Braga iniciaram esta manhã as funções de membros do Cabido Metropolitano e Primacial com o sentido de serviço à Igreja de Braga, à Igreja Universal e ao Povo de Deus.
Em declarações ao Diário do Minho, os sacerdotes José Miguel Neto, Rui Sousa, Juvenal Dinis e Miguel Paulo, agora cónegos do Cabido Metropolitano de Braga, assumiram que fazer parte do colégio de cónegos da Arquidiocese de Braga «é uma enorme responsabilidade».
Mas deixaram bem claro o propósito de dar tudo o que forem capazes para que a Catedral seja um espaço de evangelização, onde todos se sintam acolhidos, especialmente os que atravessam momentos de crise que questionam a fé e merecem uma especial atenção espiritual.
Juvenal Dinis assume nova missão como mais um serviço a Cristo e ao Povo de Deus
Com uma atividade intensa ligada à formação de seminaristas, o Padre Juvenal Dinis foi hoje recebido na Sé primaz como novo membro do colégio do Cabido Metropolitano e Primacial de Braga.
Em declarações ao Diário do Minho, o agora cónego Juvenal Dinis revelou assumir a nova função com «um desafio a continuar a servir» aqueles que já serve: «Cristo e os irmãos».
Trata-se de uma nova missão que assume com a certeza de que a Catedral é «um tesouro» que «deve ser sempre colocado ao serviço do Evangelho e da evangelização», mas também sem ignorar a importância da evangelização através da cultura e do património.
«Tem havido esse trabalho e essa preocupação», salientou Juvenal Dinis, notando que «às celebrações, à disponibilidade do sacramento da reconciliação, aos concertos de música sacra» que também fazem parte da vida da Catedral, pode juntar-se um serviço especialmente destinado à escuta de quem sente necessidade de alguém que seja capaz de ouvir e oferecer orientação espiritual.
«Estamos a pensar também nisso e disponíveis para algum tipo de serviço desse género», rematou.
Rui Sousa propõe que Catedral aponte caminhos de esperança a pessoas com as mais diversas dificuldades
O atual pároco de São Vicente e agora, também cónego Rui Sousa, associou «a alegria» de integrar o Cabido a «uma grande» responsabilidade.
«Ficar ligado à principal igreja da Diocese é uma maior responsabilidade. Mas é também uma alegria ser convidado a integrar este grupo de sacerdotes que se dedica ao cuidado da liturgia, da espiritualidade, da cultura e do património da catedral», revelou ao Diário do Minho,notando que ao Cabido compete também o «cuidado do património que aqui [na Sé] se executam, para que sejam exemplares para todas as comunidades da nossa Diocese».
Ciente de que a Catedral é um ponto onde se cruzam fé e inquietações, o cónego Rui Sousa não ignora que «há espaço para também ser criado aqui na Sé», um serviço de atendimento e orientação espiritual similar ao que foi recentemente criado no Bom Jesus. É que a Catedral é visitada por «muitos curiosos, mas também vem muita gente à procura de respostas para os problemas que tem».
Notando que além do Bom Jesus, também as paróquias de São Victor e de Priscos oferecem esse serviço, Rui Sousa revelou que também em São Vicente, onde é pároco, estão a ser feitas diligências nesse sentido.
O propósito é aproveitar a celebração do centenário da Paróquia de São Vicente para «estabelecer um protocolo com a Universidade Católica», que envolva professores e estagiários de Psicologia, num movimento que também integre sacerdotes e leigos com a missão de «fazer um acompanhamento mais holístico das pessoas que, de facto, procuram acompanhamento espiritual e que necessitam de de orientação e de sentido para a vida»
«Estão a surgir estas respostas, porque as pessoas estão à procura.E a Catedral pode ser também esse foco e pode ser esse motor de desenvolvimento do acompanhamento das pessoas que, de facto, procuram Cristo na sua vida, que às vezes têm dúvidas sobre como o encontram e que, nos momentos de fragilidade, nas dificuldades, no sofrimentos, também querem perspetivar como é que Deus lhes está a apontar caminho para trilharem e para perceberem que não estão sozinhas neste caminho».
Miguel Paulo considera que a Sé primaz deve ser «porto de abrigo» para todos
O sacerdote Miguel Paulo assumiu hoje a missão de cónego como mais um serviço, tendo defendido que a Catedral bracarense deve ser vista como «um porto de abrigo» dos mais fragilizados pelas mais díspares adversidades com que a vida nos confronta.
Em declarações ao Diário do Minho, manifestou-se disponível para mais um serviço à Igreja de Braga, com sentido de «humildade», mas com o sentimento que a nova função é «uma grande responsabilidade».
«A partir do momento em que nos colocámos à disposição da Igreja, no momento da nossa ordenação, vivemos para servir . Outros que já foram sendo assumidos. Este, eu entendo da mesma forma, como um serviço de proximidade, de disponibilidade para a valorização e a centralidade da Sé, também na vida daquilo que é a nossa Diocese», afirmou.
Consciente de que a Catedral é a “igreja-mãe” da Arquidiocese, o cónego Miguel Paulo promete inteira disponibilidade. «Nós estamos a entrar [para o Cabido] e eu também estou a fazer essa integração. Naturalmente, com a vivência que temos aqui nas proximidades da Sé, percebemos e vemos algumas realidades da Sé, mas creio que a nossa integração será nesse contexto de compreendermos o desafio que o Senhor D. José nos lança, nomeadamente essa inquietação que ele tem de que vejamos a Sé como um espaço de evangelização e não só de gestão de um espaço físico», declarou ao Diário do Minho
Miguel Paulo acompanha também os três outros novos cónegos sobre a possibilidade de a Sé criar um serviço que responda à «inquietação» de quem a visita. «Sendo a “igreja-mãe”, a Sé de Braga deve estar disponível e aberta para que nos momentos em que a pessoa o deseja e procure possa encontrar aqui um porto de abrigo», resumiu.
José Miguel Neto lembra a responsabilidade em trabalhar para a preservação de todo o património cultural, histórico e espiritual
Também o padre José Miguel Neto encara a missão de cónego como «uma nova responsabilidade». O também Chefe de Gabinete do Arcebispo Metropolita de Braga afasta o cenário de «distinção» na nomeação para o Cabido. «Como o Senhor Arcebispo refere no decreto, é um serviço eclesial. E os cónegos, de um modo particular, aqui na Catedral, ou noutros serviços que ele peça, estão para servir a Igreja», sublinhou José Miguel Neto, para deixar claro que, «pessoalmente», a nova função é «mais uma responsabilidade, além das que já me tinham sido confiadas».
«Nesta responsabilidade de agora também é ter que trabalhar, juntamente com o restante Colégio do Cabido, para a preservação de todo o património cultural, histórico, mas, sobretudo, espiritual que é a Catedral mais antiga do nosso país. E, por isso, a responsabilidade é grande, e é nesse sentido que peço ao Senhor que me ajude com os dons necessários para levar avante esta missão», enfatizou, notando que o facto de os quatro novos cónegos serem de idades jovens pode acrescentar «alguma capacidade extra» à dinâmica da Catedral. É que «o facto de sermos de gerações diferentes, faz-nos olhar o mundo também de forma diferente uns dos outros. A nossa formação pessoal e que cada um teve contribuirá, de certeza, para enriquecer este colégio. E se nos foi pedida esta missão e se ela nos foi confiada é porque, de alguma forma, também foi visto em nós essa possibilidade de, com os dons que temos, as qualidades que temos e com os defeitos que temos também, a que nenhum de nós é imune, podermos, de alguma forma, contribuir para o bem da Igreja», disse.
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