Arquidiocese de Braga -
30 janeiro 2026
Cantar de Reis junta escolas na Sé em celebração de tradição e solidariedade
DM - Rita Cunha
A tradição do Cantar de Reis voltou a cumprir-se na Sé, reunindo ontem centenas de crianças, professores, familiares e representantes da comunidade num momento que aliou cultura popular, dimensão religiosa e solidariedade social.
A iniciativa contou com a participação dos alunos das Escolas Básicas da Sé e Parretas – os do JI das Hortas não se puderam deslocar devido ao mau tempo –, envolvendo cerca de 300 crianças, que cantaram e encantaram os presentes.
Para o cónego José Paulo Abreu, Deão da Sé, esta celebração assume um papel fundamental na transmissão de valores e na preservação do património imaterial. «Tentamos manter viva esta tradição do Cantar de Reis, que faz parte da nossa cultura popular, envolvendo os nossos vizinhos das escolas da Sé e das Parretas, que são um grande futuro», sublinhou, destacando ainda a sinergia criada entre tradição, cultura, património e comunidade educativa, envolvendo não só as crianças, mas também pais, avós e restante população.
Além da vertente cultural e religiosa, o evento teve uma forte componente solidária, como é habitual. As crianças foram convidadas a trazer bens alimentares, que serão depois entregues a famílias carenciadas, numa articulação com a Cáritas Arquidiocesana de Braga. «Queremos criar nas crianças a consciência de que o próximo existe, de que é possível estender a mão e ser solidário», explicou o cónego, traçando um paralelismo com a oferta dos Reis Magos ao Menino Jesus.
Os professores da Escola Básica da Sé, Ricardo Aguiar e Albertina Sousa, explicaram que este encontro anual envolve um trabalho contínuo em contexto escolar. «É manter a tradição e partilhar a cultura, não deixar esquecer esta parte tão importante da identidade da Sé», referiram.
Segundo deram nota, a preparação do evento articula várias áreas curriculares, como Português, Expressões e Dramática, incluindo ensaios, criação de adereços, músicas e dramatizações.
O programa incluiu pequenas encenações relacionadas com a Anunciação e a visita dos Reis, bem como apresentações musicais originais. Destaque para uma composição inédita da EB das Parretas (“Janeiras das Parretas”), pelos professores Hugo Magalhães e Ana Sofia, e para um ‘rap’ criado pelos alunos do 2.º ano da EB da Sé. «São escolhas feitas pelos alunos e professores, e nota-se o entusiasmo deles, seja nas roupas, nos gestos ou nas canções», acrescentaram.
Presente no evento, o presidente da Junta da União das Freguesias de Maximinos, Sé e Cividade destacou a importância do envolvimento comunitário. «É sempre um momento muito bonito, feito por estes miúdos, que mostra a grande partilha entre escolas e freguesia. Tudo faremos para que estas tradições não terminem», afirmou Hêrnani Duarte, salientando ainda o trabalho conjunto de educadoras e professores.
Mais do que um evento festivo, o Cantar de Reis na Sé voltou a afirmar-se como um momento educativo e comunitário, promovendo valores de partilha, solidariedade e pertença, e reforçando a ligação das novas gerações às tradições locais.
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