Arquidiocese de Braga -

25 janeiro 2026

II Encontro de Pastoral Litúrgica reforça valor da formação e criatividade na Liturgia

Fotografia DM

DM - Carla Esteves

“Participar com Criatividade” foi o mote para o segundo Encontro Arquidiocesano de Pastoral Litúrgica, que reuniu em três locais distintos da Arquidiocese de Braga, os vários intervenientes na Liturgia, no sábado, 24. 

Desde os padres aos diáconos, passando pelos sacristãos, pelos acólitos, leitores, ministros extraordinários da comunhão, zeladores, músicos, foram muitos os que ontem se encontraram em Braga para viver uma verdadeira experiência de encontro, partilha e formação, destinada a todos os que servem a Liturgia.

Composto por vários momentos, este II Encontro começou no Espaço Vita, distribuindo-se pela capela Imaculada, pelo Centro Pastoral Arquidiocesano e pela Catedral de Braga, tendo proporcionado um primeiro momento de união durante o acolhimento e Oração de Laudes presidida pelo Arcebispo de Braga D. José Cordeiro.

No final da Oração, o arcebispo  reforçou, em declarações ao Diário do Minho, a importância de congregar  todos os ministérios e serviços, e revelou que, em paralelo, decorreram ainda ações de formação fora deste II Encontro, em várias zonas pastorais, dada a incapacidade de acolher todos num mesmo espaço, uma vez que só os ministros extraordinários da comunhão da Arquidiocese de Braga ultrapassam os 5 mil.

«A Liturgia, como que é a grande e até a primeira “escola da fé”. É um exercício de sinodalidade, porque na Liturgia todos participam e cada um faz tudo e só aquilo que lhe compete, mas estamos todos ao serviço de Cristo e da Igreja», afirmou D. José Cordeiro, deixando o alerta de que «é importante servir com dignidade, com beleza e saber não apenas como fazer as coisas, mas saber o porquê, e daí a importância da formação litúrgica do povo santo de Deus, que somos todos nós, os pastores e os fiéis».

Salientando a importância da formação, o Arcebispo Metropolita sustentou também que «é indispensável trazer criatividade à participação na Liturgia, mas a criatividade não pode ser ativismo, não pode ser improviso, tem de se fazer com arte e com alma».

Defendendo uma  «formação integral e integrada», o Prelado enalteceu o tema deste II Encontro, que considerou «provocador», defendendo que é indispensável «participar com criatividade, seguindo também o nosso plano pastoral».

«Nós, na Arquidiocese de Braga, estamos neste caminho evangelizador e no caminho da formação em todas as dimensões, sobretudo nestas três sobre as quais assenta a vida da Igreja: a Catequese, a Liturgia e a Caridade. É preciso interligar todos estes setores, não fazê-lo em separado, porque a catequese, sem a comunidade, sem a vivência da fé na celebração, também é apenas uma transmissão de conhecimento. Já a caridade pode cair num ativismo. Só nesta interligação e na harmonia de toda a vida na Igreja é que nós damos sentido àquilo que somos e àquilo que fazemos e ao testemunho que somos chamados a dar», afirmou.

Para D. José Cordeiro este Encontro congrega e valoriza cada um dos intervenientes na Liturgia, porque «para que todos possamos viver daquilo mesmo que celebramos, porque a Liturgia é a vida de Cristo na Igreja, é celebrar sempre o mesmo, que é a Páscoa, é Cristo, e por isso é o lema que nos serve de fio condutor, que é “Juntos servidores criativos no caminho de Páscoa”».

«Dizer Páscoa é dizer Cristo, é dizer serviço, é dizer hospitalidade, autenticidade, proximidade com a Palavra de Deus, com os sacramentos, no grande corpo de Cristo que é a Igreja», concluiu.

Transmissão da Palavra exige inovação na fidelidade aos ritos

O subsecretário do Dicastério para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, D. Aurelio García Macías, defendeu, ontem, em Braga, que os Cristãos são convidados a «participar na Liturgia com criatividade na fidelidade». 

D. Aurélio García Macías falava durante o II Encontro Arquidiocesano de Pastoral Litúrgica, tendo proferido, no Auditório Vita, uma conferência sobre o mote deste evento: “Participar com Criatividade”,. Na ocasião defendeu que «participar é um direito e um dever do batizado», tendo sido esse o principal objetivo da reforma da celebração litúrgica no Concílio Vaticano II.

«Hoje a Igreja pede-nos uma participação com criatividade, na fidelidade», defendeu o antigo presidente da Associação Espanhola de Professores de Liturgia.

Para o Prelado «a fé transmite-se não apenas por palavras, mas também por ritos, por isso a forma da Liturgia deve conservar-se fielmente».

«A forma da Liturgia deve conservar-se e observar-se fielmente porque exprime a fé e a doutrina da Igreja», afirmou, acrescentando, porém, que a transmissão da Palavra deve ser feita com criatividade, devendo a Igreja «adaptar-se às condições culturais e linguísticas dos povos com prudência e fidelidade».

Perante uma audiência composta por padres, diáconos, acólitos, leitores e outros intervenientes na Liturgia, o orador defendeu que embora seja necessário obedecer aos ritos e salvaguardar a ortodoxia e a unidade religiosa, a mensagem tem de adaptar-se aos nosso tempos.

«A Igreja entregou-nos a Liturgia, mas não é uma Liturgia monolítica, fossilizada, mas antes uma Liturgia que muda de acordo com as necessidades dos fiéis», afirmou.

Vai assim ao encontro do que os Bispos portugueses afirmaram na Nota Pastoral Liturgia Viva da Igreja: «a Liturgia não é uma peça de museu, mas a oração viva da Igreja, ou melhor, a Liturgia é algo permanente e vivo ao mesmo tempo».

Em síntese, D. Aurelio García Macías explicou assim à assistência que «a fidelidade aos ritos é indispensável para salvaguardar a fé», e para que a Liturgia seja «fonte de comunhão com toda a Igreja». Contudo, deixou bem claro que «a fidelidade não impede a criatividade, que ajuda os fiéis a viverem melhor a liturgia»

«A criatividade é um meio para alavancar a plena participação dos cristãos», afirmou, alertando apenas para o perigo

das liturgias antropocêntricas, que esquecem o primado de Deus, perdendo o sentido do transcendente.

O programa do II Encontro de Pastoral Litúrgica prolongou-se ao longo do dia com momentos diversos como a Adoração Eucarística, na Capela Imaculada, testemunhos de fiéis criativos, no Auditório Vita e o workshop para o clero orientado por D. Aurelio García “Presidir com fidelidade criativa”. Prosseguiu com várias atividades durante a tarde, terminando pelas 17h30, com uma eucaristia celebrada por

D. Aurelio García na Sé.