Arquidiocese de Braga -
9 janeiro 2026
Novo Consistório acontece em junho
Vatican News - Salvatore Cernuzio e Thulio Fonseca
Papa Leão XIV anuncia que será feito um por ano
O próximo Consistório já está marcado: em junho, na véspera da solenidade dos Santos Pedro e Paulo, também com a duração de dois dias. Foi o próprio Pontífice que anunciou esta segunda reunião, no discurso conclusivo da terceira e última sessão desta tarde, que juntou 170 cardeais, eleitores e não eleitores. O Papa — explicando que a reunião destes dois dias se coloca “em continuidade” com o que foi pedido às congregações gerais antes do Conclave — manifestou a vontade de continuar os Consistórios com uma periodicidade anual e com a duração de 3 a 4 dias. O Santo Padre já tinha antecipado, no seu primeiro discurso, que este Consistório é uma “prefiguração do nosso caminho futuro”. Confirmou também a Assembleia Eclesial de outubro de 2028, anunciada em março último.
Gratidão e proximidade
Para além dos anúncios, Leão XIV quis agradecer aos presentes a participação e o apoio. Um agradecimento especial aos cardeais mais idosos pelo esforço de comparecer: “O vosso testemunho é precioso”, e uma manifestação de proximidade aos purpurados de todo o mundo que não puderam estar em Roma por estes dias: “Estamos convosco e somos próximos de vós”.
Uma “sinodalidade não técnica”, aquela que o Papa diz ter experimentado entre ontem e hoje: uma profunda sintonia e comunhão, com uma metodologia escolhida para favorecer um melhor conhecimento mútuo, face à diversidade de formações e experiências de cada um. Daí, a referência ao Concílio Vaticano II, base do caminho e da renovação da Igreja, e também o esclarecimento de que os outros dois temas propostos e não votados ontem pela assembleia — a liturgia e a Praedicate evangelium — estão fortemente ligados ao Concílio e não devem ser esquecidos. Por fim, não faltou, da parte do Pontífice e também de todos os membros do Colégio Cardinalício, um olhar sobre a situação geral do mundo, que torna “ainda mais urgente” uma resposta por parte da Igreja que se faz próxima das Igrejas locais que sofrem com guerras e violências.
O olhar voltado para a Venezuela
Nesta mesma linha, embora os temas do Consistório fossem outros — sinodalidade e missão à luz da Evangelii gaudium, votados ontem pela maioria dos cardeais —, não faltou um pensamento, em particular por parte dos cardeais latino-americanos, sobre a situação da Venezuela. Porta-voz desta preocupação foi o cardeal Luis José Rueda Aparicio, arcebispo de Bogotá, na Colômbia, na mesa dos relatores durante uma conferência de imprensa noturna com os cardeais Stephen Brislin, arcebispo de Joanesburgo, na África do Sul, e Pablo David, bispo de Kalookan, nas Filipinas.
O arcebispo colombiano recordou as palavras do Papa no Angelus de 4 de janeiro, no dia seguinte ao ataque dos Estados Unidos, nas quais Leão XIV “expressou a sua profunda preocupação com o que se passa na Venezuela e comprometeu-se a incentivar o diálogo e a busca do consenso, invocando a paz, para construir uma paz que seja ao mesmo tempo desarmada e desarmante, que procure unir os povos no respeito pelos direitos humanos e pela soberania”. “Aquela mensagem de domingo deu o mote às minhas reflexões destes dias”, afirmou Rueda. Não era o tema oficial do Consistório, mas era “inevitável” que os membros do Colégio Cardinalício “estejam preocupados com o que está a acontecer”, estejam a “fazer-se perguntas” sobre o rumo que está a ser tomado, sobre como a geopolítica da América Latina está a mudar e como a Igreja pode acompanhar a população. A Venezuela é um tema que “trazemos no coração, entristece-nos a todos e desejamos os melhores desenvolvimentos possíveis num futuro próximo”, afirmou Rueda.
Companheiros de caminho
Os três cardeais relatores apresentaram, de seguida, os temas e o clima geral que emergiram durante os trabalhos iniciados de manhã e continuados à tarde, marcados também por momentos de canto e oração, com uma pausa para almoço no átrio da Aula Paulo VI (com a presença do Papa, que presenteou cada um com a medalha do seu pontificado). A sinodalidade, a necessidade de a viver como “companheiros de caminho”, de que se reflita no exercício da autoridade, na formação e no trabalho dos núncios, de que seja vivida na Cúria com “uma maior internacionalização”, e depois a releitura da exortação do Papa Francisco Evangelii gaudium, texto que não “caducou” com o pontificado anterior, mas que ainda interpela dioceses, a Cúria Romana e o próprio Papa, foram o objeto das reflexões dos grupos linguísticos. Foram vinte grupos: onze incluindo cardeais não eleitores, nove com cardeais eleitores, ordinários de dioceses e núncios ainda em serviço, explicou o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni.
“O Papa tomava notas, estava muito atento”
Por sua vez, Brislin definiu a experiência como “muito enriquecedora”, graças às diferentes perspetivas que permitiram aprofundar as necessidades do mundo. Foi, por isso, uma oportunidade para conhecer e se conhecer. “O facto de haver um novo encontro em junho é um sinal de que o Santo Padre levou muito a sério o facto de podermos ajudá-lo no seu papel de Sucessor de Pedro”, afirmou. “Oito meses depois do Conclave, o Papa quis convocar-nos para nos ouvir”, afirmou Rueda. Isto “fortalece-nos na missão da Igreja”. O Cardeal David elogiou o formato utilizado para os trabalhos, graças à qual “todos puderam falar”, e apreciou o facto de o Papa “ter ouvido mais do que dito”: “Ele tirava notas, estava muito atento, e os contributos que deu foram muito enriquecedores para todos nós”.
A importância de se conhecer
Um jornalista perguntou quais seriam os verdadeiros elementos de novidade surgidos neste Consistório, uma vez que muitos dos temas elencados já tinham sido amplamente aprofundados durante a dupla sessão do Sínodo sobre a Sinodalidade. Em resposta, Brislin explicou que a novidade não deve ser procurada “apenas nas discussões”, mas na própria “oportunidade de nos conhecermos e de nos ouvirmos”. “Isto é importante porque nós vimos de diferentes partes do mundo; alguns são novos cardeais, outros já o são há muito tempo”. O Papa, acrescentou o arcebispo de Joanesburgo, “quer ser colegial, quer ouvir, quer recorrer à experiência e ao conhecimento dos cardeais que vêm das diversas partes do mundo, porque isso pode ajudá-lo a orientar a Igreja”. Os perfis são “diversos”, mas trabalhou-se “numa harmonia que não é uniformidade”, concluiu o cardeal Rueda.
Leigos e mulheres
Ainda sobre os temas, os jornalistas perguntaram ainda se a questão da participação dos leigos e o papel das mulheres na Igreja entraram de alguma forma nas discussões. A este propósito, o Cardeal David disse: “Como não reconhecer o papel das mulheres e dos seus ministérios na Igreja?”. “Certamente” a questão feminina é “uma preocupação constante”, afirmou o purpurado filipino, recordando os resultados — recentemente publicados — da Comissão para o estudo do diaconado feminino. David mencionou ainda o “clericalismo” e retomou a ideia do “sacerdócio” do povo, inspirada no Vaticano II. “Falamos do corpo da Igreja: temos a cabeça da Igreja, mas não só a cabeça, há também um corpo. As pessoas têm o poder de participar na vida e na missão da Igreja”.
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