Arquidiocese de Braga -

24 março 2025

Peregrinação Jubilar de Cabeceiras de Basto apela à doação e serviço ao próximo

Fotografia Francisco de Assis

DM - Francisco de Assis

Cerca de meio milhar de fiéis do Arciprestado de Cabeceiras de Basto cumpriram ontem a sua Peregrinação Jubilar à Sé Catedral de Braga, Igreja Jubilar, como foi definido pelo calendário da Arquidiocese de Braga. Numa via-sacra verdadeiramente partilhada e participada por todos, presidida pelo Bispo Auxiliar de Braga, 

D. Delfim Gomes, uma das mensagens mais fortes da celebração teve que ver com a importância da atitude de doação e do serviço ao próximo, aliás, o exemplo máximo deixado por Jesus Cristo.

Transportados numa dezena de autocarros, os peregrinos de Cabeceiras concentraram-se na igreja do Seminário de São Pedro e São Paulo, antes de partirem em peregrinação até à Igreja Mãe da Arquidiocese. 

Ainda na igreja de S. Paulo, após a bênção e saudação iniciais de D. Delfim, o padre Manuel Baptista Rodrigues Quinta, arcipreste de Cabeceiras de Basto, fez uma introdução à cerimónia, lembrando aos fiéis a razão da deslocação à Sé de Braga.

“Em comunhão com o nosso Arcebispo, como família arciprestal de Cabeceiras de Basto, queremos hoje peregrinar na Esperança com Cristo Jesus, Caminho, Verdade e Vida”.

O sacerdote lembrou ainda “o tempo de graça e de confiança», um «tempo favorável para o arrependimento e a conversão”.

A animação de toda a cerimónia esteve a cargo do coro da Paróquia de Arco do Baúlhe.

Depois da via-sacra, que contou com a participação efetiva de todas as 17 paróquias do Arciprestado de Cabeceiras, o Bispo Auxiliar de Braga dirigiu-se à assembleia para uma reflexão.

“Bem-vindos estimados irmãos à Igreja Mãe da Arquidiocese, que vos acolhe fraternalmente”, saudou D. Delfim Gomes.

O prelado falou na via-sacra que os fiéis presentes tinham feito, recordando que, através dela, todos foram “convidados à contemplação dos momentos mais importantes da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo. É um caminho de encontro com o mistério Pascal de Cristo. É um convite a meditar sobre o amor e a entrega de Cristo pela humanidade, recordando-nos sempre: ‘Se alguém quiser seguir-Me, tome a sua cruz e siga-Me’”.

Na sua reflexão, D. Delfim apontou que Jesus abraçou os dramas da vida de cada um. “Os nossos triunfos e fracassos, as nossas alegrias e tristezas. Assim, o exercício ultrapassa os limites da devoção para se converter num momento profundo de reflexão sobre as nossas cruzes de cada dia e um convite sério para o compromisso em favor dos irmãos”. 

Em jeito de súplica, o Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Braga pediu: “Que sentimos o Teu amor nos nossos corações. Queremos escutar-Te nestes tempos difíceis, onde o amor e a paz perdem adeptos. Ajuda-nos  a percorrer com fé o Caminho da nossa vida, levando a nossa cruz e ajudando o nosso próximo a levar a sua”.

É humano precisar uns dos outros e esta dependência é abraçada por Deus

A propósito da 5.ª Estação  da Via-Sacra, em que Jesus é ajudado por Simão de Cirene a levar a cruz, a reflexão dos fiéis de Cabeceiras de Basto apontou para a naturalidade de os humanos precisarem uns dos outros.  

“Pode parecer humilhante precisar de outras pessoas, sobretudo de estranhos. Contudo, essa dependência faz parte do ser humano e é abraçada por Deus, em Jesus. N’Ele  vemos Deus a precisar de nós, a precisar de beber água extraída do poço pela Samaritana, a precisar que alguém o ajude a carregar a sua cruz. É humano precisar dos outros”. 

E a reflexão prosseguiu, também em jeito de oração.

“Jesus, possa eu aceitar ajuda sem vergonha, sempre que dela precise; e possa ficar ansioso por oferecê-la quando os outros dela necessitem. Que a nossa dependência mútua seja uma fonte de alegria e uma ocasião de graça, entretecendo-nos na comunidade do teu amor”, pode ler-se no Guia. Aliás, para além da deslocação à Sé Catedral de Braga, uma das recordações que os fiéis de Cabeceiras de Basto vão ficar desta Peregrinação Jubilar é o Guia, que vai ajudar os peregrinos a viver melhor a Quaresma e Páscoa.

Infelizmente, por questões de tempo, os peregrinos de Cabeceiras não puderam visitar os espaços menos conhecidos da Sé, bem como o Tesouro-Museu e o seu rico espólio.

No final da celebração, o padre Batista Quinta estava satisfeito com a forma como “correu tudo bem”.

Curiosamente, quando os peregrinos chegaram a Braga, chovia muito. De repente, por coincidência ou “Deusincidência”, a chuva parou, o sol raiou quando a peregrinação saiu da igreja de S. Paulo rumo à Sé Catedral de Braga.