Arquidiocese de Braga -

19 março 2025

Cáritas de Braga alerta que crise na habitação afeta sobretudo os grupos mais vulneráveis

Fotografia DM

 DM - Jorge Oliveira

A Cáritas Arquidiocesana de Braga alertou ontem, dia em que abriu as portas à comunidade para divulgar as suas atividades e projetos socio-caritativos, para a problemática da habitação que está a afetar principalmente os grupos mais vulneráveis.

Eva Ferreira, diretora técnica da Cáritas Arquidiocesana, sublinhou que a crise habitacional é uma das questões mais prementes no atual contexto social, quer a nível nacional, quer a nível local.

“A crise na habitação é um dos problemas que está a afetar muito a sociedade, em particular os grupos vulneráveis, e aqui em Braga não foge à regra”, afirmou.

A Cáritas de Braga tem registado um aumento dos pedidos, não apenas para acesso a habitação, mas também para o apoio ao pagamento das despesas habitacionais. 

“Muitas famílias que até aqui conseguiam pagar as suas despesas, agora, com a subida das rendas ou dos créditos à habitação, já não conseguem fazer face às despesas”, notou Eva Ferreira.

A Cáritas de Braga tem registado um aumento de solicitações de apoio nos últimos anos particularmente em áreas como o acolhimento de vítimas de violência doméstica, pessoas em situação de sem-abrigo e migrantes.

O ano passado, a Instituição atendeu um total de 1540 pessoas, conseguindo dar resposta a 1013. Do total, 874 foram novos casos de pedidos de ajuda, ou seja, quase 57% do total dos pedidos recebidos.

Na estrutura de apoio a vítimas de violência doméstica foram atendidas 1485 pessoas e acompanhadas 182, das quais 91 novos casos. 

Na B! House, foram acolhidas 13 pessoas em situação de sem-abrigo, mais cinco que em 2023.

A Estrutura de Acolhimento Temporário para migrantes atendeu 49 cidadãos e conseguiu 24 integrações profissionais.

“O número de respostas que temos dado nos últimos dois a três anos aumentou muito, principalmente ao nível do acolhimento”, frisou Eva Ferreira.

A diretora técnica da Cáritas destacou também a mudança no perfil das famílias que recorrem à instituição, verificando-se cada vez mais casos de famílias em que os dois elementos do casal, apesar de estarem empregados, necessitam de apoio. 

Este fenómeno, segundo Eva Ferreira, é uma nova realidade para a Cáritas. 

«Infelizmente, neste momento, temos cada vez mais famílias em que ambos os elementos adultos, estando a trabalhar, precisam de recorrer à instituição», disse.

A Cáritas tem também reforçado o seu trabalho na área da empregabilidade, com a ampliação da equipa do projeto “Incorpora”, que visa promover a integração dos migrantes no mercado de trabalho. 

O ano passado, através deste projeto, foram integradas 29 pessoas e geridas 47 ofertas de emprego.

“Sem emprego não há integração, não há inclusão social”, afirmou a responsável, sublinhando a importância da colaboração com outras instituições para garantir a efetividade das respostas. 

“As mudanças têm que ser de caráter mais estrutural e isso implica a partilha de recursos, de conhecimento e de experiências”, concluiu.

O ano passado, a Cáritas apoiou cidadãos de 53 nacionalidades, sendo a portuguesa a mais comum, com 1235 pessoas, representando 43,2% do total. 

No entanto, registou-se uma presença muito significativa de cidadãos brasileiros, num total de 594 pessoas (20,8%), seguidos pelos angolanos, com 278 (9,7%), colombianos, com 128 (4,5%), e venezuelanos, com 80 (2,8%). 

“Estes números demonstram que cerca de 80% das pessoas apoiadas são portuguesas ou oriundas de países lusófonos, como Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, o que reflete uma forte ligação histórica e linguística entre estas comunidades e Portugal”, disse José Duque, do Departamento de Comunicação da Cáritas.

Outro “aspeto interessante” nos dados, acrescentou, é a presença de pessoas com dupla nacionalidade, nomeadamente entre portugueses e brasileiros, o que «sugere um processo gradual de integração de algumas comunidades na sociedade portuguesa».

Este fluxo migratório, disse Eva Ferreira, trouxe novos desafios à instituição por exemplo a nível da comunicação, levando a apostar na formação dos colaboradores na área das línguas.

O “open day” integrou-se na Semana Nacional Cáritas que decorre até domingo.

Peditório da Cáritas reverte para o novo centro de acolhimento de vítimas de violência doméstica

A Cáritas Arquidiocesana de Braga abriu ontem as portas para divulgar à comunidade as suas atividade e os seus projetos, no âmbito da Semana Nacional Cáritas.

O “open day” foi aproveitado também para a instituição promover o Peditório Nacional da Cáritas e apelar à sensibilização e mobilização em torno da ação social da instituição. 

“É uma semana em que toda a rede Cáritas no país abre as suas portas para partilhar o seu trabalho, mas também para fazer aqui um apelo ao donativo. Em Braga, esta é a terceira vez que fazemos este ‘open day’, para que a comunidade possa conhecer mais de perto, aquilo que nós fazemos. Mas estamos todos os dias com portas abertas para que isso aconteça”, disse José Duque, responsável pelo Departamento de Comunicação da Cáritas de Braga.

 O peditório insere-se na Semana Nacional Cáritas, que decorre até domingo, dia 23 de março, sob o mote “Envolva-se, nem sabe o bem que sabe”.

Parte do dinheiro recolhido no peditório será para o projeto do seu novo centro de acolhimento de emergência para vítimas de violência doméstica, cuja construção representa um investimento global de cerca de 960 mil euros, comparticipado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). À Cáritas de Braga caberá um investimento de aproximadamente 248 mil euros.

A Cáritas vai dinamizar o peditório anual em paróquias, através de coleta nas eucaristias, e em espaços comerciais, durante o fim de semana (22 e 23 de março), contando com a colaboração de voluntários.

“Vamos estar em lojas do Lidl e do Pingo Doce dos concelhos de Braga, Guimarães e Barcelos”, precisou José Duque, responsável pelo Departamento de Comunicação da Cáritas de Braga.

A ação, uma das mais importantes fontes de angariação de fundos da Instituição, envolverá cerca de 100 voluntários dos agrupamentos de escuteiros de Gualtar e de 

S. Lázaro, em Braga, e, também, do Colégio La Salle, em Barcelos. 

A Instituição da Arquidiocese de Braga apela à generosidade de todos quantos possam apoiar a construção desta nova casa para vítimas de violência doméstica. No peditório do ano passado, a Cáritas de Braga angariar perto de 5,5 mil euros, valor destinado ao apoio de despesas relacionadas com a habitação.

Os donativos podem ser feitos através do IBAN PT50 0010 0000 02779770010 72 ou SPIN 501 438 394.