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DM - Rita Cunha | 31 Jan 2023
Arcebispo de Braga quer IPSS que sejam “casas com alma” e não “agências sociais”
III Encontro anual das IPSS canónicas realizou-se ontem no Auditório do Espaço Vita.
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  © Avelino Lima

O Arcebispo Metropolita de Braga, D. José Cordeiro, deixou ontem uma mensagem aos responsáveis pelas Instituições Sociais de Solidariedade Social (IPSS) Canónicas, apelando a que sejam uma “casa com alma” e não meras “agências sociais”, durante o  III Encontro Anual de IPSS Canónicas, que aconteceu no Auditório do Espaço Vita.

D. José centrou a sua intervenção na encíclica “Fratelli Tutti”, publicada pelo Papa, sobre a fraternidade universal e a amizade social, e, concretamente, na parábola do Bom Samaritano, a qual pede à sociedade que se oriente para a busca do bem comum e, a partir deste objetivo, reconstrua a sua ordem política e social.

Lembrando que “ser samaritano no dia a dia é muito difícil” porque implica, muitas das vezes, “gerir conflitos, não só pela via legal mas também pela via do perdão, do encontro e do reconhecimento da dignidade”, o arcebispo destaca o “cuidado especial” que, aqui, “têm de ter os que são párocos e, ao mesmo tempo, presidentes de instituições”, o que considerou “uma harmonia muito delicada e difícil de se fazer”.

Porém, alertou: “as IPSS são um lugar de evangelização mais alargada, daí esta presença do sentido cristão da relação, porque se fizerem igual aos outros, qual é a diferença em chamarem-se católicas e em terem o voto católico?”.

De acordo com o Prelado, existe uma “conexão” entre a parábola do Bom Samaritano e as “formas em que é hoje negada a fraternidade” e o modo como “são deixados tantos irmãos e irmãs nossos na hora em que mais precisam de ajuda”. “Não é fácil distinguir os atentados à vida e à sua dignidade que provêm de causas naturais e, ao invés, os que são provocados por injustiças e violências. Na realidade, o nível das desigualdades e a prevalência dos interesses de poucos já incidem de tal modo sobre cada ambiente humano que é difícil considerar natural qualquer experiência”, disse.

De acordo com D. José Cordeiro, o “desafio maior” é para a “cultura do diálogo e do encontro”, sendo que “a vida é a arte do encontro”. “A encíclica é um grande apelo e testemunho real da cultura do diálogo inter-religioso”, disse, salientando que “adotar a cultura do diálogo como caminho e o conhecimento mútuo como método e critério” é “muito importante nas relações humanas nas instituições”. “Às vezes fico perplexo quando sei que o primeiro ato que se faz é jurídico, o que impõe a busca de um advogado. Mas não há outras vias antes dessa?”, questionou.

O arcebispo recordou o tempo de pandemia – que ainda se vive, mas de uma forma menos intensa –, período durante o qual “o uso de máscaras exercitou nas IPSS, ainda mais, o ouvir e o olhar”. Um hábito que “há-de ser realizado com estilo especificamente cristão”. E, aqui, lembrou que “cabe sobretudo aos leigos fazerem-se presentes nessas tarefas sem nunca ceder à tentação de reduzir as comunidades cristãs a agências sociais”. “De modo particular, o relacionamento com a sociedade civil deverá verificar-se no respeito da sua autonomia e competência, segundo os ensinamentos propostos pela doutrina social da Igreja”, vincou.

Na sua intervenção, o Arcebispo de Braga falou do “conhecido esforço” que o Magistério Eclesial tem feito, sobretudo no século XX, “para ler a realidade social à luz do Evangelho e oferecer o seu contributo para a solução da questão social hoje alargada à escala planetária”. “Esta vertente ético-social é uma dimensão imprescindível do testemunho cristão”, defendeu, pedindo que se rejeite “a tentação de uma espiritualidade intimista e individualista que dificilmente se coaduna com as exigências da caridade”. “A sociedade cada vez mais globalizada torna-nos vizinhos mas não nos torna irmãos”, alertou.

D. José Cordeiro adiantou ainda que aqueles que fazem o bem por amor a Cristo, devem fazê-lo “todos os dias, quer lhes apeteça ou não apeteça” e não apenas no Natal. Essa é, na sua opinião, “o valor acrescentado” das IPSS de ideais cristãos. A “alma”, aqui, é a chave. “Quando se visita uma IPSS percebe-se logo se tem alma e se é casa ou se é uma IPSS”, disse, lembrando que “algumas são quase que equiparadas a um hotel, mas não possuem humanidade nem proximidade”.

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