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"Onde há amor, nascem gestos"

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21 Out 2021
A originalidade no caminho sinodal
Discurso na abertura solene do ano académico da UCP-Braga
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A sociedade hodierna respira um ar de cansaço e de apreensão. No meio de uma evolução científica impressionante, sobram as interrogações e as perplexidades. O amanhã incomoda e o futuro apresenta-se como enigma nem sempre decifrável.

A pandemia veio determinar as coordenadas do tempo presente. Surgiu como inimigo terrível, universal, imprevisível e veio condicionar a vida toda e de todos. Obrigou a investir conhecimentos, economias e os resultados, perante o que era previsível, que parecem um insucesso. Queremos crer que tudo tenha passado se bem que teremos de conviver com ela. Começamos a dar por resolvidos os problemas sanitários, se bem que sempre com cuidados a ter em consideração. A questão social já parece incomodar pouco e já não se olha com a atenção devida para a erradicação da pobreza, apesar de se ter ainda celebrado o seu dia no sábado passado, e parece que só a economia está a preocupar pelas dificuldades em elaborar orçamentos. 

Uma coisa é certa e que, genericamente, foi assumida por todos. Com a pandemia nada ficará na mesma. Foi uma brecha na história com perspectivas ainda não identificadas. Procurou-se atenuar a situação suspirando por uma nova normalidade. Pretende-se a normalidade de relacionamentos, pessoais e institucionais, mas ainda não se conseguiu intuir a novidade que importa impor. É mais fácil continuar a repetir e a seguir os caminhos que sempre foram trilhados com algumas invenções que marcam alguns sectores mas deixam a sociedade na mesma. Só que o que importaria era colocar a sociedade em questão.

A Igreja Católica, na persistência do Papa Francisco, veio trazer uma palavra capaz de abrir perspectivas de inovação e de ruptura, se os homens assim quiserem. Nascemos e vivemos para caminhar juntos com tudo o que isto implica. Trata-se de assumir a lógica grega da sinodalidade e descortinar todos os seus contornos e implicações. A palavra em si é suficiente. Só que o Papa desdobrou-a em três capítulos exemplificativos. A sinodalidade é comunhão, é participação, é missão. Pode parecer que tudo está claro nos seus conteúdos. Só que urge entrar em todas as exigências destas realidades, assumir pessoalmente, partilhar espontaneamente, perder corajosamente o não adequado e aceitar alegremente o discernido em comum. 

Este processo o Santo Padre quer que seja aplicado à Igreja em todas as suas instâncias e estruturas e pretende que ninguém fuja à responsabilidade do seu contributo. A Igreja encontrará uma nova forma de ser e de fazer e saberá entrar na necessária normalidade dos tempos actuais. Mas este pensar global tem de se tornar local e ser interpretado em todas as igrejas particulares com tudo o que as constituem.

Entre tantas outras coisas, aqui entra a Católica com tudo o que a compõe, com os seus polos e com todos os seus intervenientes, professores e funcionários. Acresce-lhe um encargo especial de difícil, mas possível concretização. A Igreja não quer ficar no sentir dos seus fiéis. Pretende chegar a outras circuitos e tornar-se humilde ouvinte do que poderão ter para dizer. Compete, por isso, à Católica sair das suas salas e mergulhar nos areópagos de outros conhecimentos e pensamentos. 

Para muitos somos seres estranhos com ideias ultrapassadas e anacrónicas. Poderemos aprender e esclarecer. Não ter medo de ouvir. Mais ainda, agradecer quanto nos possam dizer. A crítica pode ferir mas ajudará. Daí que deixo o pedido de exercitarmos esta escuta, constituindo grupos de intelectuais que ousem ajudar-nos a discernir caminho do futuro. Homens, mulheres, todos são caminheiros nesta aventura que estamos a iniciar.

Por fim, se provocamos o encontro nesta consciência de que caminhamos juntos, para além de sermos, da nossa cultura ou de outra qualquer, estaremos a apontar um caminho novo para a sociedade que vivemos. A Igreja continuará o seu caminho, e esperemos que seja mais sensível aos problemas hodiernos, mas o mundo poderá colher a lição de que antes da diversidade existe a unidade do género humano, antes dos interesses pessoais existe o bem comum, antes das desigualdades existe a fraternidade com direitos iguais para todos sem exclusões nem marginalizações. A utopia de um mundo igual poderá começar a ser realidade se efectivamente caminharmos juntos, primeiro nós católicos, em todos os ambientes e nomeadamente na Católica, e depois com todas as raças, culturas, religiões, sem sexismos, e outras coisas que, sendo diferentes, podem e devem enriquecer.

Em abertura de mais um ano, peço desculpa por vos apresentar o evidente. Não trouxe novidade científica nenhuma. Basta-me o desejo de querer contar com cada um, que considero muito ocupado e empenhado no seu dever, para acrescentar um pouco à nossa caminhada que mais ninguém será capaz de oferecer.

 

 † Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz

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