Arquidiocese

Ano Pastoral 2021+2022

"Onde há amor, nascem gestos"

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5 Jun 2021
Um coração com espaço para amar
Nota pastoral por ocasião da Solenidade do Coração de Jesus
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Caríssimo sacerdote, 

Na próxima Sexta-feira, dia da Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, desde 1995 e por determinação do Papa S. João Paulo II, devemos viver um dia de oração pela santificação do clero. Trata-se de um dia com significado especial para cada um de nós, mas, ao mesmo tempo, de motivação para que todos os nossos cristãos sejam capazes de dedicar algum tempo a esta intenção. Motivemos, por isso, as nossas comunidades para que isso aconteça.

Olhemos, em primeiro lugar, para a nossa vida pessoal. Neste tempo de alguma perplexidade e interrogações sobre o que fazer numa época nova, fruto da pandemia mas motivada pela evolução histórica de uma sociedade que quer crescer sem Deus, poderemos imaginar-nos perdidos no meio daquilo que devemos fazer para corresponder à missão que assumimos com alegria no dia da ordenação. A pastoral preocupa-nos e inquieta-nos. Mas, antes de tudo, teremos de regressar ao interior de nós mesmos e reconhecer o que é essencial. 

A nossa vida de sacerdotes está marcada por dois amores: Deus e o povo. Preocupamo-nos muito com o povo a quem servir mas Deus terá de ocupar o primeiro lugar. Cansados pelas actividades pastorais, poderemos estar a correr o risco de negligenciar aquilo que é prioritário. Urge redescobrir que somos amados por Deus e que com Ele teremos de crescer numa amizade permanente que nunca desilude nem engana. Tudo gira a partir deste centro. Ele fixou o Seu olhar e convidou-nos a experimentar o Seu amor. A solenidade do Sagrado Coração de Jesus está a confidenciar-nos esta grande verdade. O amor de Deus significa que é Ele mesmo que nos toca, nos seduz, não para fazer coisas mas para saborear em profundidade a beleza da vida humana. Sou, de verdade, um amado por Deus. Um predilecto. Um escolhido. Só esta certeza me tranquiliza e entusiasma.

Amado por Ele não posso ficar na indiferença ou contentar-me com uma contemplação passiva. O amor é uma lição. Por isso, neste dia e sempre, eu rezo ao Coração de Jesus para que possa amar como Ele amou, que no meu coração nasça um desejo ardente de santidade para que possa em tudo, nas palavras, nos gestos e nas actividades, viver o amor de Jesus. Sabemos como o mundo hodierno é exigente. Não se contenta com qualquer coisa. Só um amor capaz de ver com os olhos de Deus, para amar com gestos de caridade, intuídos no Espírito de quem decide em experiências verdadeiramente sinodais, poderá mostrar a validade das nossas doutrinas que proclamamos em palavras mas sobretudo em atitudes de verdadeiro testemunho. Isto deveremos pedir ao Sagrado Coração de Jesus, hoje e sempre. A diferença e a originalidade da nossa vida passa essencialmente por aqui. Saibamos, por isso, conjugar estes dois amores na nossa vida. Deixemo-nos possuir pelo amor de Deus e trabalhemos para que Deus continue a amar o Seu povo por nosso intermédio.

Depois desta proposta para este dia de oração, convidemos os nossos cristãos a que cumpram o dever de rezar pela santificação do clero. A solenidade do Coração de Jesus é oportunidade para suscitar esta consciencialização. Não se trata de um dia isolado. Mais do que nunca, necessitamos de ter a certeza de que o nosso povo reza por nós. Esta intenção deve estar presente em todas as celebrações das nossas comunidades. Precisamos de ser santos para servir o povo de Deus.

Para mim, pessoalmente, como o primeiro a querer amar o povo como Deus o ama, quero aproveitar este dia para agradecer a Deus o “Sim” dos nossos sacerdotes, assim como a alegria com que servem o povo e tantas vezes de um modo incompreendido e julgado superficialmente. São poucos os que compreendem e estimam os sacerdotes. Eu quero mostrar, a cada um, uma profunda gratidão pelo seu trabalho e assegurar um apoio espiritual e moral, sinal do amor que nutro por todos. 

Louvo o Senhor pelo nosso presbitério. Reconheço o seu serviço e deixo uma palavra de estímulo e de coragem para que não desistam nas dificuldades e provações. Ser padre continua a ser compensador e temos o dever de manifestar a beleza de ser padre hoje. Que o Coração de Jesus nos acompanhe. Sejamos capazes de arder de amor, hoje mais do que nunca, oferecendo ao mundo uma Igreja que quer ser perita na caridade, que não se fecha em si mas percorre as estradas da vida humana, ouvindo os gritos, muitas vezes imperceptíveis e a que os outros não prestam atenção, e, sobretudo, oferecendo gestos de compaixão e consolação.

A cada sacerdote um abraço de profunda unidade, sinal de que nos queremos amar como Cristo ama.

 

† Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz

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