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16 Jun 2022
Para uma cultura eucarística
Homilia na Solenidade do Santíssimo
 Corpo e Sangue de Cristo.
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  © Avelino Lima/DM

1. Eucaristia, celebração do pão necessário

A história desta festa está ligada às revelações da Beata Juliana de Liege, Bélgica (ela via, a partir de 1208, uma lua cheia incompleta, o que interpretou como ausência de uma festa especial para honrar a Eucaristia), e ao milagre eucarístico de Bolsena, Itália (Pedro de Praga, um sacerdote, dirigindo-se para Roma, celebrou a Eucaristia junto do lago de Bolsena, perto de Orvieto, e duvidando da presença real da Eucaristia, viu cair da Hóstia gotas de sangue). Mais tarde, o Papa Urbano IV promulgou esta festa em honra do “Santíssimo Sacramento do Altar”, com a Bula Transiturus de 11 de Agosto de 1264.

A referida Bula dava a seguinte motivação: «Apesar deste sacramento sagrado ser celebrado todos os dias no solene rito da Misa, no entanto, julgámos útil e digno que se celebre, ao menos uma vez por ano, uma festa mais solene, em especial, para confundir e refutar a hostilidade dos heréges». O centro desta festividade, por vontade do Papa, é, sobretudo, no âmbito do culto popular, onde ganhará relevo, a partir do final do século XIII, a procissão eucarística.

As razões da promulgação desta solenidade foram de vária ordem. Porém, poderemos mencionar algumas: a disciplina da penitência, ao tempo, era muito severa e muitos cristãos não comungavam facilmente, nascendo o desejo de contemplar a Hóstia; diante de muitas heresias, a Igreja teve necessidade de defender a realidade da presença de Cristo na Eucaristia; até chegar à criação de Congregações religiosas dedicadas ao culto e à adoração do Santíssimo Sacramento.

Uma festa eucarística fora do Tempo Pascal, onde nasce a Eucaristia, pode favorecer uma certa desarticulação da unidade própria do Ano Litúrgico. O que levaria a pensar numa duplicação da Quinta-feira Santa. Hoje, a solenidade do Corpus Domini, tal como aparece nos livros litúrgicos, adquiriu um profundo sentido eucarístico. A Antífona do Magnificat das segundas Vésperas sintetiza de modo admirável o motivo desta celebração: «Ó sagrado banquete, em que se recebe Cristo e se comemora a sua paixão, em que a alma se enche de graça e nos é dado o penhor da futura glória. Aleluia». Este texto evidencia bem as três dimensões fundamentais da Eucaristia: memorial, sacrifício e banquete.

Jesus Cristo é o Pão vivo, aquele pão necessário que desce do Céu e se oferece como verdadeiro Corpo dado e sangue derramado, como o alimento da nossa vida de peregrinos até à comunhão plena com Deus e com os outros, para que Deus seja tudo em todos.

2. Congressos Eucarísticos em Portugal

Braga é um grande referencial da cultura eucarística: Congressos eucarísticos, Lausperene, celebração, adoração, santidade de muitos Arcebispos, Presbíteros, Diáconos, Pessoas consagradas, Leigos e Leigas.

Em 2024 irá comemorar-se o centenário do primeiro Congresso eucarístico nacional realizado na nossa querida Arquidiocese e aqui na encantadora cidade de Braga. Até agora, celebraram-se 4 congressos eucarísticos nacionais: 3 em Braga (2 a 6 de julho de 1924; 7 a 13 de junho de 1974; 3 a 6 de junho de 1999) e um em Fátima (10 a 12 de junho de 2016).

Aqui em Braga, no primeiro Congresso Eucarístico Nacional, cruzaram-se muitas vidas de santidade, entre as quais três dos nossos arquidiocesanos, cujos processos de canonização estão em curso: Beata Alexandrina Costa, Frei Bernardo de Vasconcelos, OSB, e Padre Abílio Correia.

O Papa Francisco impele a Igreja para uma cultura eucarística, onde se evidenciem as atitudes: da comunhão, do serviço, da misericórdia: «capaz de inspirar os homens e as mulheres de boa vontade nos âmbitos da caridade, da solidariedade, da paz, da família, do cuidado da criação». A Eucaristia, dom da caridade e mistério de vida eterna santifica a Igreja, ou melhor, “a Eucaristia faz a Igreja e a Igreja faz a Eucaristia”.

O coração pulsante da missão é a oração pessoal e comunitária, sobretudo a Liturgia da Igreja. O coração da oração é a Eucaristia, o sacramento dos sacramentos. «Sim, a Eucaristia é o sacramento por excelência do louvor ou da ação de graças pelos “mirabilia Dei” consignados na Escritura. (…) «Para dizer simplesmente, rezar diante do Santíssimo Sacramento, é ruminar o mistério do amor salvador de Deus tal como ele se revelou nas Escrituras» (L-M. Chauvet).

Com efeito, «A natureza gratuita da adoração remete-nos ao essencial. A comunhão com o Senhor purifica as nossas tendências ao sucesso, à ação, talvez à agitação, para permanecer na presença pacificante de Jesus» (F-X. Bustillo).

Hoje, o que fazemos nós da Eucaristia?

3. «Fazei isto em memória de Mim»

Jesus deixou-nos três mandamentos inseparáveis: «fazei isto em memória de Mim» (Lc 22,19), «ide, fazei discípulos entre todas as nações e baptizai-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo» (Mt 28,19) e «amai-vos uns aos outros. Assim como Eu vos amei, também vós deveis amar-vos uns aos outros» (Jo 13,34). A Eucaristia, dom da caridade e mistério de vida eterna, encontra aqui a sua íntima interligação, ou seja, o mandato litúrgico, o mandato missionário e o mandato da caridade completam-se harmonicamente. Palavra e Eucaristia impelem à missão e à caridade. A relação celebração-evangelização-vida é dinâmica e conciliatória.

É verdade que a Igreja faz a Eucaristia e a Eucaristia faz a Igreja. Celebrar a Eucaristia é, com efeito, reconhecer a centralidade do Senhor quando parte e reparte o pão e para juntos fazermos o mesmo. Sim, «este é o principal e mais excelente de todos os sacramentos», como escreveu São Bartolomeu dos Mártires.

A origem da Eucaristia situa-se na última ceia de Jesus com os seus discípulos. Jesus tomou o pão, deu graças a Deus, partiu o pão e deu-o aos seus discípulos, dizendo que o tomassem e comessem, porque aquilo era o seu corpo. Do mesmo modo, depois da ceia, tomou o cálice, deu graças, deu-o aos seus discípulos, dizendo que o tomassem e bebessem, porque aquele era o cálice da aliança no seu sangue. Por fim, Ele disse: «Fazei isto em memória de Mim» (Lc 22,19; 1Cor 11,25b-26). Deste modo, a Eucaristia é a obediência ao mandato de Cristo e a realização daquilo que Ele mesmo fez no cenáculo em Jerusalém.

As narrações do Novo Testamento referentes à Eucaristia na última ceia, descrevem as ações de Jesus que a Igreja deve seguir: 1) tomou o pão; 2) deu graças; 3) partiu-o; 4) deu-o; 5) dizendo...); 6) tomou o cálice; 7) deu graças; 8) deu-o; 9) dizendo.... Este tornou-se o modelo da celebração eucarística.

O pão e o vinho, os elementos constitutivos desta ceia ritual, são especificados pelas duas orações que o acompanham, isto é, a bênção para o pão e a ação de graças para o cálice. Estas orações recitadas por Jesus na ceia são o modelo da oração eucarística ou anáfora da Igreja. 

No Evangelho de S. João não se narra a instituição da Eucaristia como nos outros evangelhos, mas nos discursos de Jesus durante a última ceia, no gesto do lava-pés aos discípulos e na entrega do mandamento novo do amor «que vos ameis uns aos outros; como vos amei, que também vós vos ameis uns aos outros» (Jo 13, 34) revela o Seu amor total de eterna vida.

Desde os primeiros testemunhos, esta Liturgia foi chamada “Eucharistía”, termo grego que significa “ação de graças” e que designa tanto a oração de ação de graças que é recitada, à imitação de Jesus, como o pão e o vinho da alegria plena.

Como Nicolau Cabasilas, podemos então proclamar: «Oh sublimidade dos mistérios!»

 † José Cordeiro, Arcebispo Primaz

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