Arquidiocese de Braga -

4 junho 2026

Adorar é mais que um simples gesto

Vésperas da Solenidade do SS. Corpo e Sangue de Cristo, Sé Primaz – 04.06.2026

Fotografia DACS

Cantamos os louvores do Senhor na oração de Vésperas, e podemos perguntar com o salmista: “como agradecerei ao Senhor tudo quanto Ele me deu?” (Sl 115 (116B),12). Será sempre pouco tudo o que possamos dizer ou fazer pelo Senhor, que na Sua imensa bondade quis permanecer com os seus discípulos através da Sua presença na Eucaristia.

Adorar é uma grande graça e fonte de muitos dons. Contudo, não podemos esquecer que a adoração eucarística tem de ter sempre uma relação com a celebração da Missa. Se nos contentarmos com a adoração deixamos a parte mais importante de lado. Foi assim noutros tempos, em que muitos fiéis se contentavam em ver e adorar a Hóstia consagrada, dispensando a comunhão sacramental e a participação frutuosa na Missa.

Hoje quisemos que após a celebração da missa o Santíssimo Sacramento permanecesse exposto para adoração dos fiéis não na tribuna, mas no altar, para nos recordarmos sempre que é no altar da Cruz que Deus nos salva; para memorarmos que é no altar que Jesus Cristo se continua a oferecer a cada um de nós, e que do altar brotam os rios de água que nos dão a vida de Deus.  Sim, “O Altar é Cristo” (Santo Ambrósio).

A instrução “Eucharisticum Mysterium”, de 1967, recomenda exatamente isso: que a exposição do Santíssimo Sacramento seja feita após a celebração da missa, e que a píxide ou a custódia se coloquem sobre o altar, evitando lugares demasiado elevados ou distantes, além de que se deve igualmente evitar adornos que nos distraiam do verdadeiro centro, isto é, Jesus Cristo, nossa Páscoa e nossa Paz (cf. n.º 60 e n.º 62).

É claro que para momentos mais prolongados de adoração poderemos continuar a usar as magníficas tribunas das nossas igrejas, tal como acontece em Braga durante o Lausperene Quaresmal. Todavia, precisamos de recordar continuamente que nada é mais importante que a presença do Senhor: o trono, as flores e as velas nunca poderão ofuscar a possibilidade de contemplarmos em silêncio crente e orante Aquele que nos ama.

Da missa à adoração e da adoração à missa; da missa à missão e da missão à missa. É este o dinamismo que temos de implementar nas nossas vidas para continuarmos a levar Jesus a todos e todos a Jesus.

 

+ José Manuel Cordeiro
Arcebispo Metropolita de Braga