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D. Nuno Almeida | 27 Jul 2020
Por uma paróquia sinodal e samaritana
Opinião de D. Nuno Almeida, bispo auxiliar de Braga.
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A Congregação do Clero publicou, no dia 29 de junho de 2020, um documento que merece toda a nossa atenção: “A conversão pastoral da comunidade paroquial ao serviço da missão evangelizadora da Igreja.”

Como incentivo e aperitivo para a sua leitura, reflexão e debate, aqui vos deixo uma pequena experiência e, ao correr da pena, alguns singelos tópicos de reflexão: 

No intervalo de uma reunião, o Bispo de Viseu, D. Ilídio Leandro, perguntou-me sobre como tinham decorrido os primeiros quinze dias de pároco, por “Terras de Algodres”. 

Respondi-lhe que tinham passado muito velozmente e tinham sido vividos na paz e com muita alegria. Disse-lhe ainda que não me tinha ocupado e preocupado, primordialmente, com as formalidades (também necessárias na Segurança Social, Finanças, Bancos…), mas sobretudo em encontrar-me e conhecer as pessoas. 

A sensação que ficava, ainda, destes primeiros dias era a de que tinha entrado num comboio em bom andamento: mérito do Pe. Abel, do Pe. Bento e das pessoas das várias paróquias, a começar pelas mais empenhadas.

Já no final da conversa, elogiei, com toda a justiça, o trabalho do meu antecessor, o Pe. Abel. Não me tinha apercebido que ele estava mesmo ali a ouvir as minhas palavras. Tive de recomendar-lhe que não ficasse orgulhoso…! Mas ainda bem que também ele ouviu. 

Este pequeno episódio trouxe-me à memória uma recomendação, que tantas vezes escutei, sobre quando se fala de alguém: “Que aquilo que sai da nossa boca possa sempre ser ouvido pela pessoa de quem falamos e a faça mais feliz, ou a ajude a melhorar e a crescer!”.

1.Temos todas as razões e mais algumas para honrar com gratidão e admiração os párocos que nos antecederam no tempo e no trabalho pastoral. Mas, se calhar, concordamos que os tempos atuais exigem que a vida das paróquias seja, decididamente, sinodal, ou seja, um caminho comum a partir da escuta humilde e constante da Palavra de Deus e do eco desta Palavra na vida e nas palavras de todos. É esta atitude que pode criar laços verdadeiramente “teândricos” (humano-divinos), incrementa a “mística do nós” e a “fraternidade mística”.

2.O grande desafio das paroquias é sair em missão, deixar de ocupar-se apenas com a rotina e com as mesmas pessoas que já estão na comunidade e sair ao encontro de muitas outras que se afastaram ou nunca participaram. O Papa Francisco exorta a vencer a "mesmice" e a "autorreferencialidade": “A pastoral em chave missionária exige o abandono deste cómodo critério pastoral: 'fez-se sempre assim'. Convido todos a serem ousados e criativos nesta tarefa de repensar os objetivos, as estruturas, o estilo e os métodos evangelizadores das respetivas comunidades" (EG 33).

3.Houve tempos em que os sinos tocavam e o altar fazia o resto. Hoje, tornou-se necessário mudar, também, a maneira de anunciar, de iniciarmos e de formar na fé, para que esta se torne estilo de vida.

A comunidade não se torna mais missionária só por ter um Papa atraente, um Bispo dinâmico ou um Pároco zeloso. Uma paróquia viva precisa de leigos comprometidos na sua missão profética, de verdadeiros interlocutores com as pessoas que vivem nos diversos ambientes da sociedade, de autênticos “vedores”: que fazem descobrir e correr a água viva da presença de Cristo Crucificado e Ressuscitado na vida das pessoas. 

4.Quanto maior é a paróquia, mais “pequena” tem de se fazer, multiplicando células vivas. Há que valorizar o Conselho Pastoral, o Conselho Económico e a criação de novos grupos de acordo com as necessidades locais. Precisamos de pequenos grupos, que funcionem como células de comunhão, serviço e missão. Mas não precisamos de “grupinhos” e muito menos de uma paróquia transformada “num grupo de eleitos que olham para si mesmos” (cf. EG 28). Nem só um, nem cada um, mas paróquia comunidade de comunidades.

5.Dar absoluta prioridade ao Domingo e à Eucaristia dominical. Despertar a comoção pela beleza da celebração. Vai nesse sentido a formação e acompanhamento dos grupos corais, do grupo de leitores e do grupo de acólitos. 

6.São os próprios jovens os agentes ou protagonistas da pastoral juvenil, acompanhados por adultos (CV 203, CV 242). Duas grandes linhas de ação: uma de busca, convocação, chamamento, capaz de cativar e atrair os jovens e outra de crescimento e amadurecimento na relação com Jesus Cristo e no crescimento no amor fraterno, na vida comunitária e no serviço (CV 213).

7.Na paróquia, rosto da igreja samaritana, é preciso oferecer um lugar privilegiado aos pobres na comunidade e ao imperativo evangélico de cuidar a fragilidade. O mundo da pobreza (carência de bens essenciais e materiais) e das novas pobrezas (solidão, dependências, doença, luto, separação conjugal, ignorância religiosa, exclusão social, etc.) reclama a atenção de uma comunidade “pobre de meios, mas rica no amor”.

8. É urgente que surja nas paróquias, nos movimentos e na vida da Igreja em geral um novo dinamismo no sentido de se preparar e acompanhar as famílias. A pastoral familiar pode indicar o rumo para que a paróquia seja verdadeiramente “família de famílias”.

9.Para ampliar a dimensão familiar e missionária da paróquia é preciso ainda aproveitar mais e melhor as possibilidades do mundo digital (site, redes sociais) e melhorar a comunicação com a sociedade e a cultura envolventes. Para quando a criação uma pequena equipa de comunicação e multimédia em cada paróquia?

10.Para que cada paróquia possa manter a sua identidade e ser, cada vez mais, a igreja no quotidiano das pessoas e das famílias, necessita de se abrir e de caminhar com as que estão próximas: no anúncio do evangelho, na celebração da fé e no compromisso/serviço de vida cristã. Da cooperação pastoral poderão surgir as “unidades pastorais” ou "colégio de paróquias" - a que a instrução longamente se refere.

 

+Nuno Almeida, Bispo Auxiliar de Braga

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