Arquidiocese de Braga -

18 junho 2020

Bispos portugueses alertam para crise económica e social sem paralelo

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DACS com Agência Ecclesia

Os bispos portugueses apontam para o aumento dos pedidos de ajuda para bens alimentares.

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Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) publicou esta quarta-feira uma reflexão sobre a sociedade a construir no pós-Covid-19, alertando para uma crise económica e social sem paralelo, por causa da pandemia.

A reflexão intitulada “Recomeçar e Reconstruir” pede que as medidas do desconfinamento sejam guiadas por “critérios éticos”, distinguindo “exigências de curto prazo e excepcionais e o que são opções de mais vasto alcance”.

A solução de recurso do ensino à distância veio acentuar desigualdades, pois nem todas as famílias dispõem dos necessários meios informáticos, nem da capacidade de suprir funções que são próprias dos professores”.

“Como consequência indirecta da pandemia Covid-19, espera-nos uma crise económica e social de uma dimensão que não tem paralelo na história mais recente. É de prever que o desemprego e o agravamento da pobreza atinjam níveis muito elevados”, refere o documento, divulgado no final da Assembleia Plenária que decorreu desde segunda-feira, em Fátima.

Os bispos portugueses apontam para o aumento dos pedidos de ajuda para bens alimentares, “que se têm multiplicado como nunca se viu no passado recente”, e apela a um esforço conjunto entre empresários e trabalhadores, para fazer face ao drama do desemprego.

A CEP sublinha que esta crise levou a uma redescoberta da importância do papel do Estado e dos serviços públicos, em particular na área da saúde, destacando que “as despesas com esses serviços não são supérfluas ou facilmente dispensáveis”.

Os bispos sublinham que o confinamento, “com todas as limitações que acarretou”, salvou “muitas vidas” e elogia o esforço acrescido de solidariedade, que se vê na sociedade, na “redescoberta do valor inestimável de cada vida humana.

“A morte não teria remédio, a crise poderá tê-lo nos seus aspectos mais dramáticos com esse esforço acrescido e inédito de solidariedade. Sem a solidariedade efectiva nunca conseguiríamos vencer esta crise”, pode ler-se.

O texto deixa um convite a repensar o sistema económico e social, por uma “economia mais amiga do ambiente” e pela “globalização da solidariedade”.

“A reconstrução económica e social que se seguirá a esta pandemia e à crise que dela é consequência direta deve evitar destruir o que a globalização tem de positivo e, ao mesmo tempo, corrigir o que ela tem tido de negativo”, refere a CEP.

Os bispos portugueses sublinham que é necessário tornar universal o acesso à futura vacina contra a Covid-19, convidando ainda a União Europeia a “agir como verdadeira comunidade, e não como simples conglomerado de interesses contrapostos em busca de compromissos”.

“Manifestamos o nosso apoio às iniciativas das Cáritas (Paroquial, Diocesana e Portuguesa), das Conferências Vicentinas e de tantos outros movimentos e associações, bem como à disponibilidade para implementar e ampliar a partilha de bens”, escrevem os bispos.

O episcopado elogia o esforço desenvolvido pelas Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), alertando que o Estado “nem sempre tem actualizado as comparticipações devidas”.

A CEP aponta o dedo ao debate sobre a eutanásia, realçando que durante a pandemia ficou claro que “toda a vida humana tem um valor inestimável, a vida de um idoso ou de um doente, mesmo que com menor expectativa de anos pela frente”.

A CEP decidiu celebrar a nível nacional uma Eucaristia em sufrágio das vítimas da pandemia em Portugal, no final da próxima Assembleia Plenária de novembro, no Santuário de Fátima.