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DACS com Agência Ecclesia | 30 Jul 2019
Igreja associa-se ao Dia Mundial contra o Tráfico Humano
Cerca de 72% das vítimas detectadas são do sexo feminino e a percentagem de vítimas infantis mais do que duplicou entre 2004 e 2016.
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  © Global Report on Human Trafficking In Persons 2018/UN

A Igreja Católica, através de várias associações religiosas e de solidariedade, associou-se hoje ao Dia Mundial contra o Tráfico Humano, promovido pela ONU.

O tema tem estado no centro das preocupações do Papa Francisco, que o considera um “crime contra a humanidade” e uma “violação injustificável da liberdade e dignidade das vítimas”. 

O secretário-geral da ONU, António Guterres, refere que este é “um crime hediondo que afeta todas as regiões do mundo”

Cerca de 72% das vítimas detectadas são do sexo feminino e a percentagem de vítimas infantis mais do que duplicou entre 2004 e 2016 de acordo com o UNODC, o organismo das Nações Unidas para as Drogas e Crime.

“A maioria das vítimas detectadas são traficadas para exploração sexual; as vítimas também são traficadas para trabalhos forçados, recrutamento como crianças-soldados e outras formas de exploração e abuso”, assinala Guterres.

O presidente da confederação internacional da Cáritas, o cardeal Luis Antonio Tagle, recorreu às redes sociais para deixar uma mensagem em defesa das vítimas e contra qualquer exploração de pessoas vulneráveis.

“Renovamos o nosso compromisso de combater este crime e ajudar os sobreviventes na sua recuperação. Eles precisam da nossa solidariedade e de soluções eficazes”, assinala a mensagem.

Já o secretário-geral da Cáritas, Aloysius John, convida a questionar as causas desta “injustiça” e os motivos que levam tantas pessoas a “deixar a sua terra natal, as suas casas e famílias para seguir um caminho desconhecido”.

“É aqui que eles são vítimas dos traficantes humanos sem escrúpulos”, adverte.

Segundo a Cáritas, é necessário introduzir medidas preventivas, ajudar as vítimas e garantir vias legais e seguras para a migração. Em causa estão situações de exploração sexual comercial e de exploração económica forçada no trabalho doméstico e na agricultura.

A Cáritas quer incentivar empresas e indivíduos a investigar as cadeias de fornecimento dos produtos que compram, para evitar qualquer forma de “trabalho forçado”.

Em Janeiro, o Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral divulgou as suas Directrizes Pastorais sobre o Tráfico Humano, nas quais alerta para os perigos crescentes do “contrabando de migrantes” e pede uma ação concertada, a nível internacional, na defesa das vítimas.

“O contrabando de migrantes conduz com frequência ao crime do tráfico de seres humanos. Muitos adultos, ao procurarem escapar à guerra ou aos desastres naturais, acabam por se tornar vítimas do tráfico ou por ser forçados à escravidão”, adverte a secção ‘Migrantes e Refugiados’ do dicastério criado pelo Papa Francisco.

O guia para as comunidades católicas e instituições religiosas adverte para a linha “cada vez mais ténue” que separa o contrabando de migrantes e o tráfico humano.

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