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D. Jorge Ferreira da Costa Ortiga | 10 Abr 2005
OS JOVENS PRECISAM DE CRISTO; OS JOVENS ESCOLHEM CRISTO - Homilia do Dia Diocesano da Juventude
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Pela primeira vez fazemos coincidir o início da Semana de Oração pelas vocações com o dia Diocesano da Juventude. Não se trata duma mera coincidência ou necessidade de calendário para não multiplicar os “Dias Diocesanos”. Tudo corresponde a um objectivo preciso e inequívoco: a pastoral juvenil ou é vocacional ou não tem razão de existir. Sabemos que a juventude é o período da vida onde se efectuam opções decisivas em relação ao futuro. Pode parecer que os jovens encaram o amanhã dum modo superficial entregando-se à voragem de saborear as emoções do presente. Acontece, porém, que, mesmo em atitudes que parecem irreflectidas, estão a procura dum sentido e duma razão para viver. Contestar os esquemas tradicionais, na denúncia efectiva ou comportamentos que os outros apelidam de marginais, esconde a insatisfação e necessidade de referências. Se procuram, devem encontrar e a Igreja tem a responsabilidade de lhes oferecer o que mais ninguém é capaz de fazer. Ela é, ou dever ser, Sacramento de Cristo, como proposta e oferta da Sua pessoa e dos Seus valores. As suas actividades adquirem conteúdos se atingem este essencial da sua missão. Os tempos de crise eclesial foram aqueles onde ela se afastou deste núcleo diferenciador. Poderemos ser confundidos com mais uma associação, com maior ou menor implantação. Não se trata de presunção mas de fidelidade ao projecto delineado pelo Fundador. Somos continuadores da Sua pessoa e queremos que o homem moderno O possa conhecer. Tudo parte duma certeza: “Os jovens precisam de Cristo” para uma realização plena. Não estamos a impor um produto descontextualizado. Sabemos, pela história e por experiência pessoal, que Cristo continua a dizer algo de único e necessário. Daqui que a tarefa das comunidades e dos movimentos terá de ser situado nesta perspectiva e permanentemente nos devemos questionar: Que anunciamos? Que oferecemos? Onde gastamos as energias? Daí que o Santo Padre, na mensagem para o Dia das Vocações, tenha lançado uma proposta aos sacerdotes, consagrados, catequistas, pais e educadores: “Sede para eles exemplo de uma generosa fidelidade a Cristo”. “Deus confiou-vos a peculiar missão de conduzir a juventude no caminho da santidade”. É exigente? Não poderemos baixar a fasquia e contentar-nos com actividades que podem distrair do essencial. “Duc in altum”. “Faz-te ao largo” é o itinerário de percurso obrigatório. Nesta oferta duma pastoral de nível alto estamos a criar as condições para que os jovens reconheçam que “Cristo quis precisar deles”. Um projecto grandioso motiva os jovens e leva-os a um compromisso pessoal com Cristo, na Igreja, para bem da humanidade. Só a qualidade de vida dos grupos arrastará a juventude. É inútil entreter-se com a quantidade. Esta vale se for acompanhada pela exigência. Caríssimos jovens, aceitai as palavras do Papa. “Confiai-vos a Ele, escutai os Seus ensinamentos, fixai o vosso olhar no Seu rosto, perseverai na escuta da Sua Palavra. Deixai que seja Ele a orientar cada uma das vossas buscas e das vossas aspirações, cada um dos vossos ideais e dos desejos do vosso coração”. Sei que Deus chama quem quer e onde quer. Reconheço, porém, que é o clima de santidade que os jovens respiram ou deveriam respirar nas comunidades e nos movimentos que interpelará e se tornará convite a que eles não conseguem fugir. Daí que a cultura vocacional que pretendemos imprimir à pastoral diocesana terá de ser pautada pela sublimidade das propostas. Atrevo-me a questionar as paróquias e os movimentos para que reflitam sobre o teor das actividades juvenis. Só um “Duc in altum” de propostas arrojadas conseguirá que os jovens se entreguem. É bom ocupar os tempos livres. Só que propostas inóquas ou inofensivas não seduzem ninguém. Surge a primeira dificuldade e tudo se desmorona. É nesta perspectiva que penso que a questão das vocações é, essencialmente, um problema de fé. Somos uma Igreja de crentes no sentido radical da palavra? Permitimos que os critérios de Cristo entrem nos meandros das nossas actividades pessoais? O Ressuscitado está patente no nosso agir e falar e na vida das nossas comunidades? Quer queiramos quer não o futuro da Igreja joga-se no tipo e qualidade de fé do presente. Isto deveria obrigar-nos a desmontar esquemas e a ser honestos e coerentes. O cristão precisa de Cristo e, quando este encontro acontecer, Cristo poderá contar com os cristãos para um Igreja de vocacionados com respostas variadas de harmonia com as necessidades existenciais da humanidade. Não adaptamos a mensagem, suavizando-a, para atrair, mas encontramos nela através de carismas variados uma verdadeira resposta para a complexidade da vida. Iniciamos uma semana de oração pelas Vocações ouvindo Cristo que propõe: “Faz-te ao largo”. Questionemo-nos, modifiquemos esquemas e sejamos capazes de nos colocar no essencial. Para reconhecer Cristo como o “imprescindível” teremos de o encontrar na Palavra que escutamos permitindo que o nosso “coração arda cá dentro”. Não é suficiente ouvir como mais uma palavra. Há uma marca de eternidade que só com um coração acolhedor se entenderá. Ela deve “queimar” como toda a energia que encerra. Por outro lado, no crepúsculo da noite da humanidade teremos de O reconhecer e dar a conhecer “ao partir do pão”. As nossas eucaristias falam pouco de Cristo para nós e para os outros. Há uma presença que acorda e leva a percorrer os caminhos contando o que tinha acontecido. Infelizmente com as nossas eucaristias “acontece” pouco e não permitimos que transpareçam com vigor a presença do companheiro de jornada. Para esta cultura vocacional criemos espaços de escuta da Palavra e demos às Eucaristias a capacidade de mostrar o Ressuscitado. Também aqui – na atenção à Palavra e no partir do Pão – é necessário o “Duc in altum”. Aceitamos o desafio. Jovem, encontra-te com Cristo, precisas d’Ele; entrega-te a Ele para que continue a “realizar maravilhas em favor do Seu povo”. A cada um, individualmente ou em grupo, peço: “procurai os jovens. Ide ao encontro deles desinteressadamente e com projectos audazes. Vereis que, a partir da vossa entrega, eles vos procurarão. Foi esta a experiência de Sua Santidade o Papa João Paulo II. É um testamento. A sua vida e a sua morte manifesta que ele tem razão, o mesmo acontecerá connosco. Dia Diocesano da Juventude, 17/04/2005. Seminário Menor + Jorge Ferreira da Costa Ortiga, Arcebispo Primaz
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