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D. Jorge Ferreira da Costa Ortiga, A.P. | 9 Abr 2005
Gratidão e Desabafo ao conlcuir as Visitas Pastorais a Barcelos
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Caros fiéis, Vim fazer a Visita Pastoral a esta paróquia de Gamil, com alegria e como Bispo da Arquidiocese. Gostei de estar entre vós e de partilhar convosco preocupações e desafios pastorais, nestes tempos em que a cultura reinante e a fidelidade a Cristo e à Igreja nos reclamam maior firmeza de convicções, mais participação e corresponsabilidade, mais testemunho na alegria de servir os irmãos e de construir a verdadeira comunhão cristã e eclesial. Quis também, com a minha presença, manifestar o meu apreço e estima pessoal pelo Vosso Pároco e pelo trabalho pastoral que ele vem realizando entre vós, convosco e para vós. Torno estes mesmos sentimentos extensivos a todos os seus colaboradores, quer na acção pastoral quer na defesa e enriquecimento do património paroquial, bem como àqueles que, sincera, leal e manifestamente, lhe tem feito sentir o seu apoio. Ao acabarem as Visitas Pastorais a este Arciprestado de Barcelos – terminam amanhã – deixo aqui uma palavra de gratidão a todas as comunidades cristãs, pela forma como dinamizaram a Visita Pastoral; uma palavra de apreço, pelo trabalho que todos os Agentes da pastoral têm realizado em todas as comunidades; uma palavra de estímulo, para que nenhuma paróquia deixe perder o entusiasmo da primeira hora e saiba renovar-se em ardor, criatividade pastoral e fecundidade apostólica; uma palavra de esperança, pois quisemos – eu e os Bispos Auxiliares - que este acontecimento – a Visita Pastoral – fosse “acontecimento de graça” para as pessoas, as famílias, os movimentos de apostolado e cada paróquia no seu todo. Se confirmámos na fé, procuramos também estimular e deixar desafios na linha de uma pastoral mais dinâmica, com mais formação e entusiasmo, mais exigência pessoal e comunitária. Cada paróquia, como primeiro espaço de visibilidade da Igreja de Jesus Cristo, deve ser espaço de comunhão, numa dinâmica de crescimento que a todos proporcione mais qualidade de vida cristã, na fidelidade a Jesus Cristo e aos irmãos. Para conseguir este objectivos, são precisos agentes de pastoral, grandes em número e na qualidade. É uma aposta constante. São muitos os que cada paróquia tem e é grande a dedicação e a generosidade com que trabalham em verdadeiro sentido eclesial. No entanto, são sempre poucos, nunca são de mais e todos os que vierem são sempre bem-vindos, desde que bem intencionados e com verdadeiro espírito de serviço. A todos os cristãos empenhados do Arciprestado de Barcelos – Norte e Sul – a minha sincera gratidão e a certeza das minhas orações. Entre os Agentes da pastoral estão os Párocos que presidem à comunhão, congregam pela Palavra, celebram os Sacramentos e desafiam à santidade, à comunhão, à participação e à unidade. Como todos sabem, hoje temos poucos Sacerdotes. Não podemos permitir que os poucos que temos se destruam ou percam o entusiasmo apostólico e a alegria de servir, com questões secundárias à evangelização, com problemas que lhes desgastam as energias e de que a própria comunidade cristã os deveria libertar, nomeadamente os problemas relacionados com a defesa do património paroquial. Sem pretender ofender ninguém mas movido somente pela vontade de ver os Sacerdotes ainda mais empenhados no testemunho de Cristo através da catequese, liturgia e animação social, permitam-me um desabafo. Não quero referir-me só à vossa paróquia. Infelizmente, existem outras situações que motivam este desabafo. As paróquias da Igreja Católica têm os seus bens, conseguidos, através dos tempos, pelas dádivas dos seus fiéis, dos seus antepassados. São fruto da fé e da generosidade que os animava e cuja memória cada paróquia tem de honrar, respeitar e defender, salvaguardando, utilizando e, se necessário e possível, enriquecendo esse património para o exercício da evangelização. São bens da comunidade cristã, que deve ser a primeira, no seu todo, a querer guardar e defender a memória dos seus antepassados: familiares e benfeitores. Em quase todas as paróquias, a Igreja, às vezes com prejuízo seu, tem colaborado com as freguesias, cedendo terrenos valiosos no coração das mesmas e procurando dar as mãos sempre que necessário e possível e tenha imperado o diálogo, o respeito pelas pessoas, Instituições e antepassados. Quantas freguesias enriquecidas nos seus espaços públicos e equipamentos sociais à custa dos bens particulares da Comunidade Cristã, isto é, dos bens paroquiais! Continuaremos a fazê-lo desde que seja exigência do bem público. A Diocese de Braga nada pretende para si. Quer ter a consciência tranquila de respeitar aqueles e aquelas que, em nome da fé, os constituíram. Aqui e ali, porém, surgem contendas e atitudes de ingratidão, causadas, não raro, por interesses menos claros, por desconhecimento ou propósito de se querer ignorar a história, pessoas e instituições. Estes casos, que surgem sem que haja razoáveis explicações para tal, por ventura com culpa de várias entidades, rasgam feridas difíceis de sanar e fazem sofrer quem neles se vê obrigado a envolver. Em alguns casos, este sofrimento é agravado, ainda, pela apatia e indiferença das comunidades que não fazem sentir o seu apoio defendendo o que é da sua Paróquia como se de seus bens pessoais se tratasse. Sentimos tristeza quando vemos sacerdotes, e outras pessoas dedicadas, a desgastarem a vida e a saúde, contrafeitos pelos tribunais, em defesa do que, legal e legitimamente, sempre foi tido e usado como da comunidade cristã. Como Bispo da Arquidiocese, não posso nem devo permitir que a saúde dos párocos e a sua missão evangelizadora sejam abaladas com estas questões. Tampouco me sinto à vontade para insistir com um pároco para que continue a viver no meio destes ambientes de tensão desnecessária e nestas situações de conflito, quando temos tantas solicitações e tantos campos de evangelização onde os colocar. Peço-vos que rezemos para que estas questões que desgastam, entristecem e impedem uma entrega à causa evangelizadora deixem de existir. Que cada comunidade cristã viva e testemunhe a comunhão, cresça na santidade e saiba defender o seu património, material e espiritual, legado precioso dos seus antepassados, expressão do seu amor a Cristo e à Igreja. Permitamos que as Visitas Pastorais deixem marcas de amor, de respeito mútuo e de sentido de colaboração entre todos. Que a história cristã das comunidades perdure e que, na tranquilidade e empenho de todos, testemunhemos concórdia e unidade. Gamil, 9 de Abril de 2005 + Jorge Ortiga, Arc. Primaz
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