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D. Jorge Ferreira da Costa Ortiga | 25 Dez 2004
Homilia de Natal - As trevas das carências do essencial não podem ofuscar o Natal
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As trevas das carências do essencial não podem ofuscar o Natal O Natal encerra sempre uma novidade. Parece que nem todos a querem entender e a sociedade caminha para uma superficialidade na sua compreensão. Falta-lhe o essencial e alguém terá de ser capaz de o descobrir e repropor. Os anjos encantavam e cantavam um acontecimento de importância impar para a humanidade daquele tempo e dos séculos vindouros. O seu hino, convicto e harmonioso, acordou e despertou para a necessidade de intuir o que estava a acontecer. Os pastores deixaram o marasmo duma vida sempre igual e viram realidades desconhecidas. Aí estava a manifestação dum Deus feito Amor que quis continuar, duma maneira mais eloquente, a fazer história para felicidade de todo o género humano. Nasce e permanece no amor que a Eucaristia sempre manifesta. Também aí resplandece o Amor dum Deus que tudo fez pelo homem. A sociedade moderna necessita de conhecer e experimentar este Amor. Parece que ela se perde em subterfúgios reduzindo à insignificância os valores do Espírito. No meio dum dramatismo crescente, a humanidade regressará à nostalgia do divino para se aproximar de algo e de alguém que seja capaz de responder a todos os enigmas. Este Amor de Deus, para bem do homem de hoje tem de ser anunciado. São necessários arautos. Se, como Arquidiocese, continuarmos no esforço de criar uma cultura verdadeiramente vocacional, teremos de reconhecer alguns dados positivos e outros negativos. É negativa a crise de vocações sacerdotais e religiosas, de entrega total e definitiva a Deus; é positivo o surgir de vocações laicais de ministérios de verdadeira disponibilidade eclesial, o que permite, em certo sentido e como desafio pastoral, reequilibrar as forças no serviço ao povo e à causa do Evangelho. Neste quadro eclesial não vale a pena deplorar ou chorar. Como crentes, mais do que nunca, teremos de nos apoiar numa atitude interior de oração, e concretamente, como exigência do ano eucarístico, de adoração que a todos dará a confiança necessária para os momentos que humanamente falando parecem de difícil solução. Por outro lado, a Palavra de Deus, escutada e meditada, terá de tornar-se com clareza inequívoca, a referência única para o nosso existir. Partindo destas experiências estamos a assumir a responsabilidade de ir oferecendo perspectivas de sentido que dão à história um significado. São muitas as personalidades portuguesas que começam a reconhecer uma “crise ética”, por causa da incapacidade das instituições - família, escola, Igreja - em comunicar normas que o cidadão anónimo assuma como obrigatórias. Do Natal emergem um conjunto de comportamentos que continuam a ser Boa Nova. A Igreja tem o dever de os transmitir através do anúncio explícito e, sobretudo, de respostas concretas a situações que motivam anomalias sociais. Neste contexto e nesta quadra importa reconhecer o serviço aos mais pobres como a vocação da igreja para o tempo actual que está a exigir um conjunto variado de vocações do e para o serviço. Se existem muitos problemas conjunturais que podem encontrar a resposta em gestos ocasionais de generosidade, sabemos que os males estruturantes são complexos e exigem muita dedicação no discernimento das causas, para uma eliminação progressiva. Sempre a Igreja foi perita em solidariedade. Hoje terá de recorrer a um suplemento de sabedoria para continuar a ser pioneira. Não vamos enveredar pela teoria duma Igreja a resolver problemas que competem ao Estado. Também não podemos alhear-nos e fechar os olhos. Se estas vocações de serviço estão em todos, não ignoramos a peculiaridade das vocações de especial consagração. O mundo moderno necessita do amor dos consagrados e os jovens devem apaixonar-se por nobres ideais, não regateando entregar-se a carismas que historicamente foram solução. Não esgotaram a sua vitalidade. Necessitam de protagonistas para dar alma a muitas instituições. Ninguém ignora a necessidade da competência técnica dada por cursos universitários. Só que esta pode não ser suficiente. Em Natal olhemos os males e vejamos que Cristo, preparando a realidade da Eucaristia, mandou dar de comer. A fome, o desemprego, o álcool a delinquência esperam num amor eucarístico, ou seja, por causa da eucaristia que nos alimenta distribuímos amor. Que o amor de Cristo experimentado na Eucaristia nos faça sentir o valor e a importância das vocações de especial consagração. O Natal foi o início duma caminhada de libertação. A história da Igreja testemunha gestos que iluminaram as épocas passadas. Hoje, à medida que aquecem as luzes comerciais, parece que regredimos e não conhecemos a força de transformação do mundo. Ninguém está contente com a realidade humana e social. Poderemos esperar algum novo Messias interpretado por alguém que protagonize uma revolução capaz de mudar as situações inquietantes em que vivemos? Acredito que a solução reside no deixar entrar o menino acolhendo os seus perenes valores que não negociamos nem trocamos por nada. A esperança dum mundo novo está no presépio não como representação mas como vivência. Aceitemos o desafio. Sé Catedral, 25-12-04. + Jorge Ortiga, A. P.
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