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16 Set 2018
A missão de trazer alívio
Homilia na peregrinação ao Santuário de N. Sra. do Alívio
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  © DM

A peregrinação arciprestal no início do ano pastoral é o momento privilegiado para reconhecermos que só somos cristãos quando estamos plenamente integrados na Arquidiocese. Temos, ao longo dos últimos anos, aprofundado a nossa identidade de membros da Igreja de Jesus Cristo implantada nesta região do Minho e que vivem em permanente comunhão com a Igreja Universal. Unidos, por isso, ao Santo Padre acolhemos a sua visão reformadora e olhamos para o modelo novo de Igreja na fidelidade à sua história. Iniciar um novo ano pastoral torna-se, deste modo, um compromisso, feito com encanto e responsabilidade, de acolher o Programa Pastoral.

Importa que nos centremos no essencial. A Igreja não subsiste por causa de um programa repleto de boas ideias e de iniciativas bem delineadas. Ela deve ser sempre sacramento, um sinal de Cristo. Não vivemos obcecados pela Igreja-Instituição comprometida na difusão de belas ideias religiosas e de ensinamentos morais nem sempre acolhidos pela sociedade. Não nos centramos em nós próprios. Não queremos ser auto-referenciais nem ocupar-nos apenas de nós e de estruturas que materializem determinados objectivos. Ela existe para dar visibilidade ao mistério da incarnação de Cristo. Assim, a nossa acção deve nascer sempre da experiência da divindade e humanidade de Cristo.

Sentimos que é urgente redescobrir a identidade cristã porque existem, infelizmente, confusões e interpretações erróneas bastante disseminadas. A história da Igreja foi-se alicerçando em três eixos: adesão a uma doutrina, confiança em Jesus Cristo e acção que se traduza em obras. 

Houve tempos em que se insistiu num estilo de evangelização marcado pela transmissão de doutrinas e dogmas. Bastava aprendê-las de memória para que alguém se considerasse um cristão adulto. Noutros casos, ou correntes de espiritualidade, privilegiava-se a dimensão afectiva, o que se traduzia numa uma adesão epidérmica a Cristo. Ainda hoje assistimos a estas tendências que desvalorizam o potencial da inteligência humana no entendimento da doutrina e da mensagem do Evangelho. Também houve e há quem considere a fé como o resultado de iniciativas pastorais. Quantas mais melhor. Na verdade, a fé não resulta de nenhuma destas experiências tomadas exclusivamente. É necessária uma articulação harmoniosa de todas as dimensões: espiritual, intelectual, humana e pastoral. 

O cristão robustece a sua inteligência com convicções fortes e capazes de se confrontar com o pluralismo humanista e religioso. Quando convicto, o cristão adere a Cristo, transforma a realidade e testemunha o seu discipulado com alegria e entusiasmo. Aderimos interiormente a uma pessoa que nos cativa todos os dias e com quem vivemos em intimidade. Da adesão à Verdade, da confiança incondicional na pessoa de Cristo, chegamos à acção com um forte empenho naquilo em que se acredita. 

Esta paixão por Cristo e pelo Evangelho impele-nos a partir e a construir um mundo de justiça e fraternidade. Trata-se de levar Deus, conhecido e experimentado, à Humanidade e a Humanidade a Ele. Deus, na pessoa de Jesus Cristo, é a razão de ser da Igreja. Não Deus como um conceito nem mero sentimento, mas como uma pessoa que envolve toda a nossa vida e que hoje, Ele e só Ele, continua a querer dar a vida para que os outros tenham vida. Teremos, por isso, de orientar todas as actividades pastorais a partir de Deus e em direcção a Deus. A finalidade única e absoluta da Igreja é Deus. Não nos anunciamos a nós mesmos e quem vai à Igreja não quer conhecer uma teoria, uma doutrina nublosa ou princípios abstratos. Procuram um nome e um rosto: Jesus Cristo. Cristo é e permanecerá sempre o núcleo da mensagem cristã. Em Cristo, reconhecemos o rosto de Deus, mas também o verdadeiro rosto da Igreja e do Homem. 

Para este ano pastoral, queremos tecer comunidades acolhedoras e missionárias através de uma participação ativa e criativa e em permanente espírito de avaliação para estarmos no essencial. Para ser esperança as nossas comunidades devem ser lugares onde Cristo está como consequência de uma paixão por Ele e pelos homens, amando como Ele amou e servindo a sociedade como Ele serviu. Muitas vezes, ou quase sempre, no centro das nossas comunidades não está o serviço de Cristo interpretado por sacerdotes e leigos. No centro colocamos autoridade, a honra, o prestígio pessoal, a carreira. Cristo ninguém o vê. Nas nossas comunidades e movimentos a radicalidade e a beleza do Evangelho, presença viva e operante de Cristo, deve tornar-se visível e experimentável nas palavras, ações e comportamentos de todos. Por outro lado, continuamos apostados em mostrar uma fidelidade a tradições e costumes e desconsiderámos a adesão profunda e pessoal a Jesus.

Queremos dar início a um Ano Missionário onde todos, tudo e sempre são momentos para evangelizar. Mas evangelizar não significa esforçar-se por convencer os outros, mas viver como cristãos de modo a que os outros percebam a nossa vida como bela e significativa. Como sempre, a Igreja tem hoje uma única missão: dizer ao mundo quem é Cristo, aderindo à Sua doutrina, depositando n’Ele a sua confiança e realizando obras. “A fé sem obras está completamente morta” e só mostraremos a fé que temos pelas obras que a todos oferecemos. Continuamos com considerações muito interessantes sobre o amor ao próximo, mas estamos a permitir que cada um cuide da sua vida. Bons conselhos não faltam. Impõe-se a eloquência das obras.

Vamos, por isso, em verdadeira atitude sinodal, trabalhar para que as nossas comunidades paroquiais se tornem espaços de fraternidade e que aí se respire e ofereça a esperança. Há muita coisa que já realizamos. Mas é imprescindível mostrar uma nova criatividade. Nietzsche, falando da morte de Deus, dizia que a Igreja praticava um monototeismo, ou seja, o culto da monotonia. Não podemos tolerar esta descrição, embora saibamos que a tendência é repetir as mesmas coisas em muitas comunidades. Precisamos de vida nova com iniciativas evangelizadoras e isto é tarefa de sacerdotes e leigos. A missão é vasta e todos somos poucos. Acreditemos nas nossas capacidades e confiemos nas capacidades dos outros. Que ninguém se marginalize ou seja afastado da missão.

Que a Senhora do Alívio faça com que os católicos da Arquidiocese de Braga, e particularmente do arciprestado de Vila Verde, sejam pessoas solícitas no bem e acolhedoras de todas as situações negativas e que, com a vitalidade da caridade, aliviem a dor, a tristeza, o luto, os problemas de ordem psíquica para que, efectivamente, “seja bom viver em Vila Verde.”

† Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz

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