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O Conquistador | Ocua, Pemba, Moçambique| 27 Mai 2022
Sobre ser e estar
Andreia Araújo, leiga voluntária da equipa missionária Salama!
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  © Salama! | Ocua, Pemba, Moçambique

Ser e Estar, dois verbos que na nossa realidade do dia-a-dia do nosso país, na nossa casa, com a nossa família e todos os afazeres diários se tornam banais. Quando parti em missão e aterrei na realidade de Ocua, tão diferente do que estava habituada, tive de reaprender o que significava Ser: quem era eu? O que queria ser para os outros? E Estar, perceber que a minha simples presença, sem actos ou falas, podia significar tanto.

Desabituar-me da correria e dos muitos afazeres da minha vida em Portugal foi um processo longo, entender que havia dias que o que realmente importava era estar presente para as pessoas e não fazer todas as tarefas planeadas para esse dia. Então tornou-se natural deixar o computador onde estava a tratar de documentos, para ir cumprimentar alguém que passava para visitar ou telefonava. “Boa tarde mana, como está a saúde? Vim só saudar.” Só? Pensamos nós quando ouvimos esta expressão pela primeira vez. Na nossa realidade ninguém anda a pé ou telefona de propósito só para saudar. Até nos esquecemos de ligar às pessoas que nos são importantes para saber se estão bem, porque vivemos a correr. Aqui o “só para saudar” tem uma beleza incrível. A comunidade realmente preocupa-se com a nossa saúde, com o nosso ânimo e gostam de nos ver para perceber se estamos realmente bem. E, se houver crédito e bateria, usa-se o telefone também. O “só saudar” tornou-se o mais bonito acto de pertença, o tal Estar.

Ao chegar ao terceiro ano de missão, percebi uma diferença no significado da minha presença. Quando visito a casa de alguém já não me sinto a visita, já sou recebida como membro da família, se sentar na esteira, no chão ao lado da mamã que está a arranjar o feijão, já ninguém fica surpreendido ou me diz para sentar na cadeira. Quando tento dizer as poucas palavras que sei em Macua logo me dizem “Oh, a mana já fala Macua!”. Passei a sentir-me parte da comunidade, parte das pessoas que me rodeiam, parte da terra alaranjada. Hoje dou outro valor à visita, ao estar com as pessoas em sua casa. Ser e Estar no mais íntimo que cada um de nós tem, a nossa casa. Às vezes sem grandes conversas, só presença pura. Um tímido “Salama!” (“olá” no dialeto Macua), um simples segurar na mão, acompanhado de um olhar ternurento e um sorriso rasgado, de uma mamã que não fala português, mas usa o amor para comunicar comigo. Nesse instante noto a presença de Deus, e percebo quem sou e, que realmente, estou no caminho certo.

Artigo publicado no Jornal O Conquistador de 27 de maio de 2022.

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Palavras-Chave:
Salama  •  CMAB  •  O Conquistador  •  Diocese de Pemba  •  Paróquia de Ocua
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