Arquidiocese de Braga -

2 fevereiro 2023

“Ser padre para os tempos de hoje”

Fotografia Diocese de Aveiro

Diocese de Aveiro - P. Manuel Joaquim Rocha

Padre Tiago Freitas, da Arquidiocese de Braga, professor da Universidade Católica Portuguesa (UCP), foi convidado para falar sobre o tema: “Anúncio do Evangelho: a Comunicação que gera comunhão”.

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“Ser padre para os tempos de hoje” foi tema escolhido para o encontro de Formação do Clero 2023 na Diocese de Aveiro, que aconteceu entre os dias 30 de janeiro e 1 de fevereiro.
Padre Tiago Freitas, da Arquidiocese de Braga, professor da Universidade Católica Portuguesa (UCP), foi convidado para falar sobre o tema: “Anúncio do Evangelho: a Comunicação que gera comunhão”.

A síntese diocesana para a caminhada sinodal em Aveiro foi o ponto de partida do colóquio, em que o sacerdote sublinhou quatro questões: “Não sabemos as características da cultura atual, não é o seu conteúdo mas a forma”;  “a Igreja não sabe comunicar bem apesar de ter os meios necessários”; “comunicação que gera diálogo, cria pontes”; “a comunhão gera-se na comunicação”.

Estes foram expostos e resumidos da seguinte forma:
A cultura atual: O avanço do sector terciário – comércio e serviços, comunicação e mobilidade – sobre o sector secundário – indústrias e construção –  avança nos finais dos anos sessenta. É importante ver como evoluiu a sociedade depois da Segunda Guerra Mundial, fazendo com que as mulheres voltassem a casa e os maridos assumissem, de novo, o trabalho fora.  A comunicação social aparece, então, como entretenimento onde, tudo o que homem faz é um ato de comunicação: falar ou calar; fazer ou não fazer.
A cultura da comunicação assenta em três pilares: A transparência – ao contrário da desconfiança. Daí a necessidade de a Igreja criar uma cultura de diálogo com os jornalistas. Aceitarmos as chamadas e responder nem que seja para explicar o ambiente em que esta ou aquela notícia aparece. Coerência -  entre o que se anuncia e o que se faz se não, o discurso fica um discurso vazio. Deus cria uma nova forma de comunicação: a sua palavra tem um efeito performativo: “faça-se a luz! E a luz fez-se”.
- O que nós comunicamos tem por finalidade levar à experiência da vida em comunidade. “Não me lembro do palco, mas lembro-me das jornadas” – dizia uma jornalista. Se as palavras que usamos não forem para a construção de algo, destroem.

Após o intervalo, o P. Tiago Freitas, continuando a reflexão feita anteriormente, falou num estilo de comunicação segundo a Dei Verbum. Daqui nascem alguns critérios que devemos ter em conta na nossa comunicação em ordem a construirmos a comunhão:
- Uma linguagem profundamente humana porque Deus não fala como nós, mas as suas palavras têm a densidade de tudo o que é humano.
- Palavra incarnada: Jesus Cristo é a plenitude da palavra de Deus e isso é necessário tê-lo em conta.
- Deus fala por mediadores: no Antigo Testamento foi pelos profetas, hoje fala-nos pelo Espírito Santo e pelo Magistério.
- A ausência da Palavra. Na revelação de Deus há um paradoxo: Deus revela-se permanentemente, mas da parte do ser humano há o mistério do silêncio.
- A comunicação/comunhão significa que devemos cuidar as circunstâncias do que devemos comunicar.
- A presença acontece fundamentalmente na comunhão de uns com os outros e na comunhão eucarística.

E reforçou que na comunicação não basta o voluntarismo, é necessário profissionalismo naquilo que comunicamos.

Sobre a comunicação interna e a externa: saber separá-las porque enquanto a interna cuida de nós (padres, catequistas…), para o exterior devemos ter em conta as regras da comunicação.

“Um aspeto que o digital, online… nos pode ajudar é na formação cristã quer dos ministros ordenados, quer dos leigos. Pode-se fazer formação on-line e a pandemia trouxe-nos esta ferramenta que não devemos desperdiçar”.