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DACS com Crux | 19 Set 2022
EUA: Diocese de Phoenix cria Gabinete dedicado ao Ministério da Saúde Mental
O anúncio – durante a primeira Missa em Memória das Vítimas de Suicídio da diocese – veio de alguém bem familiarizado com o assunto.
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De acordo com os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA, mais do dobro de pessoas morreram em 2020 pelas suas próprias mãos do que pelas mãos de outra pessoa e, embora a taxa anual de suicídio tenha caído em 2019 e 2020 – o último ano em que há números disponíveis – a taxa aumentou acentuadamente desde 2000.

Antes considerado um pecado mortal que poderia custar a salvação de alguém, o suicídio hoje é visto pela Igreja de uma forma muito mais moderada.

Juntamente com esse desenvolvimento, há apelos do clero, médicos e outras pessoas que se dedicam a este tema para se trazer o suicídio à luz do dia na esperança de reduzi-lo e fazer mais para ajudar aqueles que ficam para trás.

No Domingo de 4 de Setembro, a Diocese de Phoenix deu um passo significativo em direcção a essas duas etapas, tornando-se a mais recente de um número crescente de dioceses nos Estados Unidos a criar um gabinete dedicado ao ministério da saúde mental.

O anúncio – durante a primeira Missa em Memória das Vítimas de Suicídio da diocese – veio de alguém bem familiarizado com o assunto.

O bispo de Phoenix, John P. Dolan, que perdeu um irmão e uma irmã para o suicídio em incidentes separados há mais de uma década, revelou os planos para o novo gabinete do Ministério de Saúde Mental Católico no final da sua homilia na Catedral de S. Simon e Jude em Phoenix.

Numa entrevista após a missa, Dolan disse que um gabinete diocesano dedicado à saúde mental era um objectivo seu desde o início do seu ministério a 2 de Agosto, mas a sua implementação foi acelerada por uma doação de uma fundação local, a Virginia G. Piper Charitable Trust, que apoia projectos religiosos e seculares locais.

Imediatamente após as declarações do bispo, os membros da assembleia que perderam alguém para o suicídio foram chamados a colocar um cravo por cada pessoa que partiu numa cesta em frente ao Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe – patrona da diocese.

“Peçam a Nossa Senhora que vos acompanhe com as suas orações e acompanhe os nossos irmãos e irmãs que nos precederam, pedindo ao Senhor que segure os nossos irmãos e irmãs na palma da sua mão”, disse ele.

Dolan disse que ele e outros líderes diocesanos esperavam pedidos online e pessoais para colocar flores por cerca de 100 a 120 indivíduos. O número final foi de cerca de 1.200.

“Há muita gente a sofrer”, afirmou.

O bispo disse que o novo gabinete servirá três propósitos: educação, acompanhamento daqueles que sofrem e defesa de melhores políticas e financiamento do governo e de outras fontes.

“Educar os nossos irmãos e irmãs católicos que podem não entender completamente a profundidade da saúde mental; acompanhamos aqueles que se debatem com problemas nas nossas paróquias para que não se percam e para que saibam que têm um lugar à mesa. E acompanhamos aqueles que lutam com a perda por suicídio. Aqueles de vós que são sobreviventes da perda; espero que vocês saibam que a igreja está aqui, estendendo-vos a mão, dando-vos a saber que são amados e que os vossos entes queridos não foram esquecidos”.

Cada uma das quinze reitorias da diocese irá acolher encontros regulares onde as pessoas podem partilhar as suas histórias e ajudar-se umas às outras.

“Finalmente, o gabinete irá promover um espírito de advocacia, irá dar voz aos que lutam com a saúde mental e irá pedir aos líderes, especialmente ao nosso governo, que garantam que a saúde mental esteja sempre em primeiro lugar em todas as nossas discussões”, disse Dolan.

A diocese irá fornecer aos padres e diáconos um “kit de primeiros socorros” de saúde mental para os orientar na resposta aos pedidos públicos de ajuda.

“Muitas vezes os nossos padres não têm (respostas). Não têm os recursos na ponta das mãos de que precisam”, explicou.

Outra característica fundamental será informar os leigos sobre como as posições da Igreja sobre suicídio e saúde mental se desenvolveram ao longo dos anos.

“Não é falta de vontade [de viver]. É um transtorno mental. Isto é algo que temos de considerar enquanto olhamos para o futuro e continuamos o ministério católico da saúde mental”, afirmou.

Durante décadas, a prática da igreja era não celebrar uma missa fúnebre por alguém que tinha cometido suicídio, devido à crença de que matar é pecado. Isto já não é verdade.

“A Igreja tornou-se mais sábia… e agora entende que uma séria ansiedade psicológica pode às vezes mitigar – ou até remover – a capacidade de uma pessoa de tomar decisões e a sua responsabilidade moral por essas escolhas”, escreveu o padre Kenneth Doyle, colunista agora aposentado do Catholic News Service num artigo de 2021.

A resposta fora da igreja também mudou.

Por exemplo, enquanto os profissionais de saúde mental podem ser considerados a primeira linha de reconhecimento de sintomas, estudos mais recentes mostram que os sinais podem ser identificados por um médico de família ou médico de cuidados primários.

Um funcionário clínico da Catholic Charities no Arizona disse que a agência viu os pedidos de ajuda aumentarem nos últimos anos.

“Com o início da COVID, a necessidade e o reconhecimento de serviços de saúde mental aumentaram, especialmente nas áreas do luto, ansiedade e depressão, o que teve impacto nas agências de aconselhamento. As tendências (incluem) conselheiros que aumentaram o número de casos e indivíduos que lutam para encontrar serviços”, escreveu Anna Smith, gestora sénior do programa da Catholic Charities, num e-mail.

A Diocese de Phoenix não está sozinha ao abrir novos caminhos para a saúde mental.

“Existem cerca de 190 dioceses neste país. Algumas abraçaram totalmente esta iniciativa. Diria que 35-40 têm algum nível de ministério”, disse Ed Shoener, diácono da Diocese de Scranton, Pensilvânia, e presidente da Association of Catholic Mental Health Ministers, uma associação nacional leiga que apoia paróquias e dioceses católicas no estabelecer de ministérios.

A própria filha de Shoener cometeu suicídio aos 29 anos.

Muitos na assembleia na Missa de Recordação ficaram muito felizes com o plano de abertura de um Gabinete do Ministério de Saúde Mental.

“Estou tão animada”, disse Laura Redlinger, de 30 anos, que se mudou para Phoenix há alguns meses de San Diego, onde participou em missas por vítimas de suicídio que Dolan celebrava regularmente como bispo auxiliar na diocese de San Diego.

Redlinger perdeu o irmão para o suicídio há uma década, quando ele tinha 20 anos.

“Preciso de um grupo de apoio. Não há muitos na Igreja Católica. É possível participar num grupo de apoio ao luto, mas não especificamente de apoio a pessoas que perderam alguém por suicídio”, explicou.

“Sinto que há quase um estigma dentro da Igreja Católica. É preciso haver uma consciência de quão importante é a saúde mental e o nosso bem-estar emocional à luz do Evangelho, que podemos aplicar aos nossos problemas pessoais”, acrescentou.

Nancy Hannah, de 81 anos, que frequenta a Igreja St. Elizabeth Seton em Sun City, perdeu o marido, Gerald, de 80, depois de ele ter cometido suicídio após anos de cancro de pulmão. Ela foi a sua cuidadora e ainda está à procura de alguém para conversar “abertamente sobre isso”.

“Isto é o que eu preciso; alguma cura. Preciso de um ponto final e não consigo encontrá-lo”, disse.

“Há muita gente a sofrer por aí”, disse Anne Vargas-Leveriza, que está a ajudar a montar o novo gabinete, que estará operacional a 1 de Janeiro.

“Já é altura de colocar isto em primeiro plano”, disse. “Precisamos de reconhecer e falar sobre isto”, concluiu.

Artigo de Jeff Grant, publicado no Crux a 18 de Setembro de 2022.

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