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DACS com La Croix | 20 Jul 2022
A irmã religiosa em Benim que está a ajudar a mostrar como as vidas Africanas importam
A investigação académica da Irmã Angéline Chabi concentra-se no movimento Neo-Negritude na África francófona.
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  © DR

A Irmã Angéline Chabi fez a sua profissão como Filha da Caridade do Sagrado Coração de Jesus (FCSCJ) em 2010 e apenas quatro anos depois iniciou uma carreira académica em Literatura que a colocou no coração do movimento Neo-Negritude na África francófona, algo parecido com o Black Lives Matter.

“Na vida religiosa, uma irmã não escolhe a sua missão, ela recebe-a da sua superiora”, diz Angéline, lembrando que até 2014 foi professora na parte sudoeste do seu Benim natal.

“Entre mim e a língua francesa há uma história parecida com a de Romeu e Julieta”, sorri.

Depois de obter um mestrado e um diploma de estudos avançados em gramática francesa na Universidade de Abomey-Calavi em 2016, a sua congregação enviou-a imediatamente para França, para a Universidade de Lille.

Quatro anos depois, defendeu a sua tese de doutoramento em língua e literatura francesas.

“Foi um grande alívio e, sobretudo, um momento de muita emoção, já que a defesa aconteceu em pleno confinamento, com um público quase inexistente”, diz a Irmã Angéline.

“Após a deliberação, precisei de bater palmas a mim própria, apoiada pelos membros do júri”, lembra.

 

“Neo-negritude”

A sua investigação académica concentrou-se na #violência histórica, política e estética nas obras de Raharimanana e Patrice Nganang”, dois escritores africanos contemporâneos que parecem não ter uma ligação comum à primeira vista. Um é de Madagascar e o outro é dos Camarões.

“Para compreender o significado deste paralelismo, devemos ir além das fronteiras óbvias que os separam e questionar a sua dupla história: a própria, como indivíduos, bem como, e acima de tudo, a dos seus respectivos países”, explica.

A Irmã demonstra que a ligação é o passado colonial dos seus países de origem, que constitui o “solo que alimenta a imaginação desses dois escritores, cuja relação com a escrita coloca dificuldades epistemológicas que colocam literatura e história em conflito ao fundir filosofia e sociologia”.

A Irmã Angéline acredita que o desafio desta tese está no facto de “abordar o conceito de Neo-Negritude ao elucidar a poética dos escritores francófonos da geração mais jovem, a sua relação com a história e a literatura, ao mesmo tempo em que perscruta a intrigante questão de poder e violência que vai além do quadro literário”.

O movimento Negritude foi iniciado em Paris na década de 1930 por autores africanos francófonos que, cientes do seu passado sem voz, começaram a escrever sobre a opressão do seu povo ao longo da história devido à cor da sua pele e ao colonialismo.

O movimento Neo-Negritude começou a tomar forma no início do século XXI. Alguns apontam para o movimento Black Lives Matter como um aspecto dele.

“Em África, mesmo na vida religiosa, precisamos de evangelizar a nossa concepção de poder que, segundo Hannah Arendt, não pode ser confundida com violência”, diz a Irmã Angéline.

 

“Sempre sonhei com uma vida inteiramente dada aos outros”

Quando questionada sobre a escolha da congregação religiosa, ela explica que, na realidade, “sempre sonhou com uma vida inteiramente dada aos outros, especialmente aos vulneráveis, aos pobres e aos muito jovens”.

Como jovem que terminou o ensino secundário em 2002, estava a tentar descobrir para que tipo de vida o Senhor a estava a chamar. Descobriu a espiritualidade das Filhas da Caridade do Sagrado Coração de Jesus num livro que leu: “A espiritualidade do coração aberto que se inclina para os pobres e os pequenos”.

“Desde então, tive uma espécie de amor ciumento pelo meu instituto”, diz ela.

“Mais do que um nome, ser Filha da Caridade do Sagrado Coração de Jesus é um projecto de vida para mim”.

Artigo de Juste Hlannon, publicado no La Croix International a 19 de Julho de 2022.

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