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DACS | 20 Dez 2021
"Uma Igreja que procura viver um estilo sinodal não pode falhar em reflectir sobre a condição e papel das mulheres!"
Mesa redonda “Mulheres na Sinodalidade” deu a conhecer experiências de mulheres participantes no Sínodo. "Temos que ser a voz do que se passa no mundo, especialmente dos que não têm voz", afirmou a Irmã Patricia Murray.
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Realizou-se, no dia 16 de Dezembro, uma mesa redonda intitulada “Mulheres na Sinodalidade”, organizada pela La Civiltà Cattolica, pela Embaixada Australiana junto da Santa Sé e pela Universidade de Georgetown.

O encontro incluiu a Irmã Nathalie Bequart, a primeira subsecretária do Sínodo dos Bispos, Myriam Wijlens, advogada canónica e consultora do Sínodo dos Bispos, a Irmã Béatrice Faye, membro da Comissão Teológica do Sínodo e membro do Groupe Africain de Recherche en Philosophie Interculturelle, a Irmã Patricia Murray, membro da Comissão de Espiritualidade, e Susan Pascoe, que trabalha na Comissão de Metodologia do Sínodo e é Presidente do o Conselho Australiano para o Desenvolvimento Internacional. A moderação ficou a cargo de Chiara Porro, Embaixadora Australiana junto da Santa Sé.

O Pe. Antonio Spadaro, director da La Civiltà Cattolica, começou por dar as boas-vindas a todos os presentes e lembrou que a escuta é a primeira característica da Igreja sinodal.

“De facto, essa vontade de ouvir foi bem notada nas assembleias sinodais convocadas por Francisco. Um estilo novo e mais participativo do Sínodo, tanto em relação ao Colégio dos Bispos quanto ao Povo de Deus, foi imediatamente evidente desde o início. Um elemento fundamental que contribuiu para mudar o clima em que se realizou o Sínodo foi, portanto, a disponibilidade para ouvir”, afirmou.

Sublinhando que “é necessário ouvir atentamente”, o responsável indicou que essa escuta passa por ouvir Deus “na oração, na liturgia, no exercício espiritual e escuta das comunidades eclesiais no debate sobre as experiências”.

“Temos a oportunidade de nos tornarmos «uma Igreja que não se separa da vida», disse Francisco ao saudar os participantes que falaram no início da caminhada sinodal no dia 9 de Outubro. (…) Colocar a Igreja em estado sinodal significa torná-la inquieta, incómoda, tensa porque está agitada pelo espírito divino, que certamente não gosta de zonas seguras, áreas protegidas: sopra onde quer. Nesse sentido, a contribuição das mulheres é fundamental”, referiu.

 

A questão do encontro e da escuta tem de começar pelo coração. Se não ouvirmos a dor, não veremos como somos chamados a mudar, à conversão.

 

O Pe. Spadaro recordou ainda que, num sínodo, aquilo que se pretende é o envolvimento mais amplo possível da diversidade do Povo de Deus e que ao longo de “séculos de mentalidade patriarcal”, as mulheres foram desejando sempre relações mais igualitárias, baseadas no respeito e na reciprocidade.

“Portanto, elas são naturalmente um forte impulsionador da sinodalidade. A participação das mulheres, como «Povo de Deus», na dinâmica sinodal é a plena realização do que amadureceu na Igreja desde o Vaticano II”, concluiu.

Myriam Wijlens, por sua vez, afirmou que há um “tremendo interesse das mulheres em todo o mundo” pelo Sínodo, mas lembrou que o acontecimento não é “um encontro só de mulheres”, já que, como Povo de Deus, todos peregrinam juntos.

“Estamos a implementar aquilo que a Igreja expressa no Concílio Vaticano II sobre o povo de Deus caminhar em conjunto. É uma jornada conjunta, mesmo os bispos tendo papéis particulares. Já não temos um modelo de cima para baixo. O Vaticano II mudou isso ao referir-se ao encontro de Deus com pessoas como «amigos». Temos que nos ouvir uns aos outros, não podemos ser crentes sozinhos, apenas em comunidade. É uma grande oportunidade para as mulheres não serem apenas receptoras de fé, mas sim participantes”, afirmou.

Já Susan Pascoe, membro da Comissão de Metodologia, elogiou a abordagem inclusiva do Sínodo e explicou que está a ser feito um esforço muito grande para se chegar às pessoas das periferias.

“Há um compromisso muito grande, sobretudo com as pessoas desfavorecidas, pobres. Também estão a ser realizados esforços para chegar à comunidade LGBTQ e aos jovens. Queremos chegar ao maior número de vozes possível”, indicou.

 

Nós estamos mais habituadas a trabalho colaborativo e a uma conexão mais profunda com as outras pessoas. Há diferenças entre homens e mulheres e temos de aprender a trabalhar em conjunto. Esta é que é a diversidade do Povo de Deus.

 

Sobre as periferias, Patricia Murray afirmou que já é habitual as mulheres religiosas terem um grande envolvimento com pessoas como os pobres, migrantes, ou negligenciados.

“Respondemos de forma muito prática às suas necessidades. Vejo um grande papel de liderança onde as vozes dos que estão nas margens estão a ser ouvidas. Temos que ser a voz do que se passa no mundo, especialmente dos que não têm voz. Somos chamados a ser globais na nossa resposta e na nossa compaixão”, referiu, dizendo que o papel das mulheres passa por convidar outras pessoas para o processo e reflexão, sobretudo aquelas que estão à margem.

A Irmã Béatrice quis partilhar o seu testemunho como mulher africana consagrada dois meses depois do início do processo sinodal. Foi com surpresa que recebeu o convite para integrar a Comissão Teológica, mas admite que de imediato pensou que a sua experiência de missão num continente com tantos desafios poderia ser um contributo para o processo.

A experiência da Irmã tem sido realizada em três âmbitos de participação desde a abertura do Sínodo: Instituto, África e Europa. Numa reunião online com os líderes do seu Instituto, a religiosa partilhou a sua visão de “liderança servidora” como modelo de responsabilidade partilhada que a sinodalidade pode ajudar a viver.

 

Temos que nos ouvir uns aos outros, não podemos ser crentes sozinhos, apenas em comunidade. É uma grande oportunidade para as mulheres não serem apenas receptoras de fé, mas sim participantes.

 

A nível Africano, Béatrice participou numa conversa online com um pequeno grupo de académicos Africanos.

“Foi uma conversa muito rica, na qual surgiram várias sugestões e propostas interessantes. Enquanto mulher, gostaria de tornar as mulheres africanas visíveis através das diferentes figuras de irmãs, esposas, deusas, mulheres que consolam e amparam, educadoras e conselheiras. Também gostaria de identificar a violência directa, cultural e estrutural que vivem diariamente”, referiu.

A religiosa tem como objectivo em 2022 organizar um encontro em colaboração com a Academia Africana de Ciências Religiosas, Políticas e Sociais a nível continental sobre o tema “Sinodalidade Feminina numa Igreja família de Deus em contínuo discernimento”.

A nível europeu, a Irmã também já participou numa série de encontros. Sobre o contributo das mulheres para um Sínodo “descentralizado”, Béatrice afirmou que elas são a força motriz por trás da sinodalidade.

“Uma Igreja que procura viver um estilo sinodal não pode falhar em reflectir sobre a condição e papel das mulheres no seu meio e, consequentemente, na sociedade em geral. Não há dúvida de que há uma ligação entre sinodalidade e a promoção do papel das mulheres na jornada mais recente da Igreja. A plena participação das mulheres não é uma exigência nova, é uma intuição do Génesis”, explicou.

Sobre temas mais controversos, como a abertura do sacerdócio às mulheres, Béatrice disse que, antes de mais, é necessário remover os obstáculos canónicos que bloqueiam o acesso de leigos e, logo, de mulheres, a posições de responsabilidade que não requerem ordenação.

 

Elas são naturalmente um forte impulsionador da sinodalidade. A participação das mulheres, como «Povo de Deus», na dinâmica sinodal é a plena realização do que amadureceu na Igreja desde o Vaticano II.

 

“Essas incluem a presidência de conselhos pastorais paroquiais, a presidência de tribunais de matrimónio, chancelaria e funções administrativas, entre outras. É importante que que áreas de verdadeira responsabilidade pastoral sejam abertas desta forma, com a autoridade que exigem”, indicou.

Nathalie Becquart reiterou as palavras de Susan Pascoe e sublinhou que o mais importante no modo como o Sínodo está a ser vivido é a forma como se estabelecem ligações com as pessoas que estão nas bases, algo que, como indicou, também aparece referido no Vademecum.

A responsável explicou que, para as mulheres, também as coisas estão a mudar e que cada vez mais mulheres desempenham papéis de liderança ou cruciais para a Igreja.

“Quando fui nomeada para o Sínodo, em termos de mulheres era só eu e a Frederica. Hoje em dia somos 6. As coisas mudam. Se olharmos para as comissões, como a Teológica, somos 5 homens e 5 mulheres, e está a ser uma experiência incrível de trabalho em equipa, de sermos irmãos e irmãs em Cristo. Em todas as comissões há mulheres”, acrescentou.

No entanto, a Irmã explicou que este não é um caminho muito fácil e que, apesar de haver muita alegria, há também muita complexidade.

“Nós estamos mais habituadas a trabalho colaborativo e a uma conexão mais profunda com as outras pessoas. Há diferenças entre homens e mulheres e temos de aprender a trabalhar em conjunto. Esta é que é a diversidade do Povo de Deus. É muito importante continuar a criar sinergias, como é o caso deste evento. Estamos realmente num processo de aprendizagem e o processo sinodal também é isso: aprender fazendo! Rumo a uma Igreja relacional, onde todos são protagonistas”, adiantou.

Sobre oportunidades, Myriam Wijlens, a partir da sua própria experiência, contou como teve a possibilidade de prosseguir os estudos de Direito graças a outras mulheres, nomeadamente uma Congregação religiosa.

 

Às vezes achamos que estamos a ouvir, mas não estamos, temos de ouvir com compaixão e ver onde é que isso nos leva enquanto Igreja. O Espírito chama-nos enquanto reconhecemos as nossas falhas e os nossos pecados. Se falharmos em fazer isso, a jornada Sinodal estará incompleta.

 

“Podes gritar da tua sala para os jogadores de futebol que estão na televisão, mas isso pouco adianta, tens de ser um dos jogadores para mudar alguma coisa no jogo. Por isso decidi estudar Direito Canónico. Mas quem paga pelas mulheres a estudar Direito Canónico? Uma congregação pagou-me os estudos. Só há algumas faculdades de Direito Canónico do mundo, muitas vezes não no país de origem das estudantes. Fica muito dispendioso!”, alertou.

A especialista deixou alguns conselhos para quem deseja prosseguir os estudos e até se ofereceu para rever artigos científicos de mulheres interessadas, lembrando que “quem não publica, não existe”.

“E como será possível curar as feridas e encorajar as mulheres marginalizadas?”, perguntou um dos participantes a Patricia Murray.

“A questão do encontro e da escuta tem de começar pelo coração. Se não ouvirmos a dor, não veremos como somos chamados a mudar, à conversão. Ao longo do tempo, houve diferentes tipos de abusos, incluindo o de mulheres religiosas ou menores de idade. Acho que há aqui um apelo à escuta profunda. Às vezes achamos que estamos a ouvir, mas não estamos, temos de ouvir com compaixão e ver onde é que isso nos leva enquanto Igreja. O Espírito chama-nos enquanto reconhecemos as nossas falhas e os nossos pecados. Se falharmos em fazer isso, a jornada Sinodal estará incompleta”, concluiu.

 

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Palavras-Chave:
Sínodo  •  Mulheres  •  Papa Francisco  •  Sinodalidade
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