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DACS com Vida Nueva Digital | 16 Dez 2021
Irmãs Vedruna pontuaram o machismo na Igreja: 7,96
Três em cada quatro religiosas acreditam que a cultura institucional machista “distorce a mensagem evangélica”.
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  © DR

As irmãs Vedruna pontuaram o machismo na Igreja: 7,96. Isto reflecte-se nos resultados da investigação realizada durante o Conselho Geral realizado em Abril.

“Estamos a arriscar muito a nossa própria credibilidade como Igreja no mundo de hoje”, afirma a Superiora Geral da Congregação, María Inés García, em comunicado. As freiras destacaram o papel das mulheres na Igreja como uma das suas prioridades até ao Capítulo Geral que será celebrado em 2023.

De facto, García encoraja toda a Família Vedruna a aprofundar a sua reflexão e no compromisso com a igualdade “cada uma nos espaços onde puder fazê-lo”.

77,8% das religiosas (das províncias Vedruna da África, América, Europa, Índia, Japão e delegação das Filipinas) consideram que a cultura institucional machista “distorce a mensagem evangélica e afasta muitas pessoas da Igreja”.

Em contraste, 9,6% alertam que a clara distinção de papéis de género “fornece segurança doutrinária contra as modas e ideologias de cada época”.

A grande maioria (73,3%) acredita que a vida religiosa feminina deve ser mais crítica da ideologia patriarcal, enquanto 7,2% acredita que as mulheres religiosas devem “suavizar essas reivindicações, que enfraquecem a comunhão”.

“A ideologia patriarcal permeia fortemente a sociedade e condiciona a própria percepção da realidade. O masculino constitui o cânone, por isso é possível falar em «génio feminino» ou em «teologia das mulheres», ao passo que não faz sentido falar em «génio masculino» ou «teologia dos homens», devido ao implícito equiparar os homens ao genericamente humano”, afirmam as Vedruna em comunicado.

 

Entre 45 e 69 anos, mais críticas

Por idades, reproduz-se um fenómeno semelhante em quase todas as províncias. A faixa etária de até 45 anos é a que oferece a visão mais suave. As duas secções com as atitudes mais críticas são os intervalos entre os 45 e os 59 anos, e entre os 60 e os 69 anos, para diminuir muito ligeiramente após os 70 anos.

43,3% das religiosas afirmam ter sofrido “atitudes graves de discriminação” machista. Embora alguns episódios se refiram a bispos ou tenham como referência instituições diocesanas, a maioria dos casos, sem distinção de localização geográfica, refere-se a párocos, que “só querem a contribuição das religiosas se for de subserviência”, excluem as religiosas da tomada de decisões ou tratam-nas “como menores de idade”.

“Quando nos expressamos em contexto de grupo, é necessária uma voz de homem para explicar o que queríamos dizer, supondo que uma freira não é capaz de se expressar adequadamente”, lamenta uma das religiosas. Outra relata que foi “expulsa da paróquia, em público”, por criticar numa reunião do sínodo diocesano “a falta de informação” do pároco.

 

“O feminismo é confundido com atitudes perigosas”

Também falta sentido crítico na Igreja contra a ideologia machista.

“Pedem-nos paciência para mudar as situações de desigualdade e encaminha-se a questão para a espiritualidade para evitar o debate de um contexto patriarcal e exclusivo”, protesta uma religiosa.

“O feminismo é confundido com atitudes perigosas”, acrescenta outra entrevistada.

Entre as causas do machismo na Igreja, a mais assinalada (3,85 em 5) é o “clericalismo”, seguido do “machismo no meio social” (3,58), “a inércia, o sempre se fez assim” (3,54) e, por último, “o machismo das próprias religiosas ou mulheres da Igreja” (3.02).

Para caminhar em direcção a uma maior igualdade, o principal desafio é uma educação que promova uma mentalidade mais inclusiva dentro da Igreja (4,29), seguida de “maior presença de mulheres em cargos de responsabilidade institucional” (4,24) e “deixar de vincular os ministérios de governo ao sacerdócio (o sacerdote não tem que ser o «chefe» da paróquia)” (3,97). A opção menos escolhida é “abrir o sacerdócio às mulheres” (3.3).

 

Um pontificado que avança na igualdade

Como afirma o relatório, 54,2% das Vedruna consideram o progresso em termos de igualdade durante o pontificado do Papa Francisco como satisfatório ou totalmente satisfatório; contra 13,2% que o considera insuficiente ou muito insuficiente.

O trabalho foi apresentado no dia 4 de Dezembro pela teóloga alemã Birgit Weiler, professora da Pontifícia Universidade Católica do Peru e uma das coordenadoras do Documento para o Discernimento Comunitário da Primeira Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe. A religiosa Vedruna Inma Eibe, teóloga e enfermeira, além de integrante do grupo musical Ain Karen, também participou, juntamente com o autor do estudo, Ricardo Benjumea.

A jornalista Patrizia Morgante moderou.

Segundo destacou a Geral, “existe um amplo consenso entre a causa da sinodalidade (maior participação) e a igualdade de género”.

Eibe sublinhou que, nos últimos anos, foram dados “passos importantes” contra a discriminação contra as mulheres. Importantes, mas “insuficientes”.

Hoje, na Igreja, “a desigualdade é uma realidade objectiva que não devemos ter medo de pronunciar e, como toda a desigualdade, causa muito abuso de poder e muito sofrimento em muitas pessoas”, acrescentou.

Por sua vez, Weiler considera que a igualdade das mulheres adquiriu “uma força como nunca” tinha acontecido até agora.

Embora o processo vá ser longo e custoso, “cada vez mais jovens, mulheres e também homens, com maior acesso a uma educação que os ajude a reflectir criticamente, não estão dispostos a aceitar relações de dominação mais hierárquicas e clericalizadas... «De que Deus nos falam se Deus prefere o homem e só quer ser representado por ele?», perguntam-se. Não querem acreditar neste Deus”, frisou.

 

Artigo de Rubén Cruz, publicado a 16 de Dezembro de 2021.

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Palavras-Chave:
Religiosas  •  Irmãs  •  Vedruna  •  Machismo  •  Clericalismo  •  Igualdade
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