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DACS com Agência Ecclesia | 10 Nov 2020
Presidente da Cáritas alerta para aumento de pessoas em situação de pobreza
Eugénio Fonseca alerta para recursos “escassos”.
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  © Noelle Georg

O presidente da Cáritas Portuguesa manifestou preocupação com o aumento do número pessoas que têm caído em situação de pobreza” durante a pandemia de Covid-19.

Em entrevista no programa Ecclesia, na RTP 2, Eugénio Fonseca afirmou que “os recursos são escassos, tanto os recursos humanos, como os recursos materiais, e há aspectos da ajuda para os quais que não estávamos totalmente preparados, nomeadamente aquilo que muitas vezes não tem a ver com a pobreza material”.

O presidente da instituição refere que a instituição registou um aumento de 48% nos pedidos de apoio e sublinha que, além dos números, existe um “factor de exclusão” resultante do confinamento, que “leva muitas vezes as pessoas a não estarem apenas confinadas, mas a estarem isoladas”.

“Cada comunidade fez o que pôde, mas no sector da acção sociocaritativa da Igreja em Portugal, o que predomina são as pessoas em idade de risco, o que não nos permitiu estarmos tão próximos quanto desejaríamos”, acrescentou.

Eugénio Fonseca destacou que, relativamente aos Bancos Alimentares Contra a Fome, existiu “uma onda de solidariedade extraordinária” que permitiu “ir valendo na satisfação das necessidades básicas” a cerca de 29 mil pessoas.

A Cáritas Portuguesa chegou ainda a 6 mil pessoas através da campanha ‘Heróis doar’, que “precisa urgentemente de ser reforçada”.

Segundo o responsável, a pobreza necessita de respostas que passam por “medidas políticas-públicas” mas, cuja aplicação, “tem que ter uma metodologia de grande proximidade” o que leva a que as comunidades cristãs ou mesmo a nível interparoquial “se dê maior atenção e se cuide mais do tipo de grupos” que estão constituídos na acção social.

O Governo português anunciou a criação da comissão de coordenação para a elaboração da Estratégia Nacional de Combate à Pobreza, com “individualidades de reconhecido mérito” que vão elaborar o plano com que se pretende “mitigar as desigualdades e garantir condições de vida dignas para todos os cidadãos” e ouvir entidades como a Rede Europeia Anti-Pobreza, a Cáritas Portuguesa, a Confederação das Instituições Sociais e a União das Misericórdias Portuguesas.

Eugénio Fonseca deixou o desejo de que a estratégia passe por medidas que levem a que as pessoas não fiquem em situação de empobrecimento rapidamente”, acrescentando que combater a pobreza é incidir sobre o que já existe, combater o empobrecimento é criar condições para que deixem de existir essas mesmas condições”.

O presidente da Cáritas Portuguesa alertou para factores como as rendas de casa, “muitas vezes inacessíveis aos salários existentes”, “a condição e acesso a salários dignos”, a igualdade de acesso ao Serviço Nacional de Saúde, uma justiça acessível a todos “mesmo com menos recursos económicos”, a redistribuição do rendimento disponível “através de um novo formato fiscal que não incida tanto nos rendimentos do trabalho mas possa incidir mais nos rendimentos do capital”, o acesso á igualdade de oportunidades a todos os níveis de ensino.

A Igreja Católica vai assinalar o quarto Dia Mundial dos Pobres no domingo, dia 15 de Novembro, com o tema ‘Estende a tua mão ao pobre’. Esta iniciativa foi instituída pelo Papa Francisco em 2017, no contexto do Jubileu da Misericórdia, no penúltimo domingo do Ano Litúrgico.

A partir do tema da mensagem do Papa, o presidente da Cáritas salienta que Francisco pede que se segurem as pessoas. “O grande desafio é olhar para o pobre não como o culpado, o réu da situação em que se encontra, mas como alguém que foi vítima e depois tem atitudes e formas de estar de um sistema gerador de muitas injustiças e basta ver as desigualdades que existem no mundo”, disse.

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