Arquidiocese de Braga -

13 julho 2026

D. Nélio Pita apela em S. Bento das Peras a uma fé de verdadeira devoção

Fotografia DR

DM - Rita Cunha

A 61.ª Romaria de S. Bento das Peras, em Vizela, encerrou o seu programa religioso com uma expressiva peregrinação ao Santuário de S. Bento das Peras e a celebração da Eucaristia solene, presidida pelo Bispo Auxiliar de Braga, D. Nélio Pereira Pita. Milhares de peregrinos e fiéis participaram neste momento, numa impressionante manifestação de fé, devoção e comunhão eclesial.

Pela primeira vez presente nesta peregrinação, D. Nélio Pita integrou também a caminhada desde a Praça da República até ao santuário, partilhando o percurso com os muitos homens, mulheres, jovens e idosos que, movidos pela fé, subiram ao monte de São Bento. Alguns fizeram-no descalços, em gesto de promessa e entrega.

Na homilia, o Bispo Auxiliar de Braga confessou estar «verdadeiramente impressionado com a devoção» encontrada em Vizela e destacou que a Igreja necessita de «pessoas com verdadeira devoção», capazes de caminhar com esperança no meio das alegrias e das dificuldades da vida. «Quando temos amor, quando estamos verdadeiramente apaixonados, quando somos mesmo devotos, bons devotos, não nos cansamos», afirmou, recordando o provérbio «Quem corre por gosto não cansa».

D. Nélio Pita alertou, contudo, para o perigo de uma fé reduzida ao âmbito privado. «Hoje há uma tendência muito grande para privatizar a experiência da fé», observou, criticando aquilo a que chamou «egoísmo espiritual», de quem vive a religião apenas para si mesmo. «Essa não é a fé da Igreja. Porque ninguém se salva sozinho. Nós precisamos uns dos outros», afirmou perante a multidão reunida no santuário.

O prelado insistiu na dimensão coletiva da peregrinação, sublinhando que os cristãos caminham «não como sujeitos individuais, mas como povo», animados pelo mistério pascal. Inspirando-se na vida dos santos, especialmente em São Bento, convidou os fiéis a reconhecerem-se como «uma só família, um só povo».

Ao refletir sobre a parábola do semeador, proclamada no Evangelho do dia, D. Nélio Pita convidou os fiéis a interrogarem-se sobre a forma como acolhem a Palavra de Deus. Recordando os quatro tipos de terreno referidos por Jesus — à beira do caminho, o solo pedregoso, os espinhos e a boa terra —, explicou que cada um deles representa uma atitude possível do coração humano.

O Bispo Auxiliar de Braga afirmou que há quem ouça a Palavra, mas não a escute verdadeiramente, deixando-a perder-se entre distrações e preocupações. Outros acolhem-na com entusiasmo, fazem propósitos e desejam mudar de vida, mas acabam por desistir por falta de constância e disciplina espiritual. Há ainda aqueles que compreendem a Palavra, mas permitem que as preocupações materiais, o dinheiro e os interesses pessoais ocupem o primeiro lugar, relegando Deus para um plano secundário.

Por fim, destacou a imagem da boa terra, símbolo daqueles que acolhem a Palavra de Deus, a meditam e a colocam em prática no quotidiano. Segundo D. Nélio Pita, é precisamente esta disposição que distingue a santidade: «Um santo é aquele que põe em prática», vincou. O Bispo Auxiliar recomendou ainda a leitura diária da Sagrada Escritura, afirmando que «a Palavra de Deus oferece-nos a gramática para uma vida santa, uma vida com sentido e cheia de paz».

Na parte final, evocou São Bento, padroeiro da Europa, como exemplo de discernimento e coragem. Recordando a decisão do santo de abandonar ambientes que o afastavam de Deus, dirigiu uma palavra especial aos jovens, convidando-os a reconhecer e rejeitar as situações que podem conduzir ao pecado e à perda da paz interior. «Que São Bento nos dê a coragem de ler esses sinais e depois ter a coragem de dizer que não», concluiu.