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Arquidiocese

Uma Igreja Sinodal e Samaritana

Programa Pastoral 2020/2023

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Francisco Miguel Fernandes Carreira | 17 Jul 2020
Uma Igreja Sinodal e Samaritana
Programa Pastoral 2020/23
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Um novo ciclo para a renovação eclesial

 Nos últimos anos temos vindo a solicitar um compromisso de todos os cristãos e comunidades com um desejo do Papa Francisco: é hora de concretizar uma renovação eclesial que aceitamos ser inadiável!. Trata-se dum compromisso que deverá estar subjacente a todas as opções que venham a ser escolhidas. Nunca o podemos dar por descontado.

A sociedade vai evoluindo a um ritmo alucinante e, com as estruturas que possuímos, necessitamos de reequacionar o modo de interpretar a pastoral. Torna-se mais fácil deixar que as coisas corram como sempre. O hábito é uma ameaça constante e um convite ao comodismo de quem não se deixa possuir por projetos e processos novos. Importa reconhecer e tomar consciência da história que nos identifica. Os tempos modernos, porém, não permitem que nos anquilosemos em esquemas e estratégias que impedem um ritmo de crescimento em fidelidade com as novas exigências. Até agora percorremos os caminhos da fé e aceitamos ser semeadores da esperança. Tínhamos uma ideia força e procuramos que ela se fosse descodificando em conceitos e compromissos variados de harmonia com a caracterização sociológica e religiosas das comunidades onde a Igreja se edifica dum modo visível.

Somos convidados, agora, a conservar a mesma dinâmica, imprimindo novas exigências a partir da caridade, como manifestação do rosto de Deus que anunciamos e concretização vital no relacionamento com as pessoas e sociedade. Será ela a determinar os passos pastorais dum novo ciclo. O Plano Pastoral estruturará alguns processos para um período, de mais ou menos três anos. O Programa Pastoral deverá mergulhar no concreto duma caminhada anual com uma calendarização a partir do Ano Litúrgico e da celebração de dias que marcam a vida da Arquidiocese.

Ao acolher a caridade como impulso pastoral deveremos, à partida, aceitar que não nos desviamos da exigência da renovação que deverá estar sempre subordinada aos ditames da evangelização. A missão da Arquidiocese nunca poderá fugir daquilo que Cristo lhe confiou como encargo. O Evangelho terá de estar sempre como referência e conduzirá ao seu anúncio e à celebração mas que, inevitavelmente, se orientará para a vivência na Igreja e na sociedade. A caridade não é uma escolha opcional que fazemos mas torna-se visibilidade do único evangelho que se anuncia.

Para a redescoberta da caridade, como alma das comunidades, servir-nos-emos, entre muitas outras escolhas possíveis, da parábola do Bom Samaritano. Importa amar a Deus e ao próximo e seremos ajudados na compreensão do que o próximo significa para nós através dos variados gestos assumidos por esse anónimo do Evangelho. Cada um deles é capítulo que encerra muitas interpelações a interiorizar. Aqui a criatividade deverá ser estimulada e concretizada no quotidiano da vida dos cristãos e das comunidades.

Como consequência, poderemos e deveremos esperar que, fruto da renovação que pretendemos, a Arquidiocese venha a mostrar que é uma verdadeira Igreja Samaritana com tudo aquilo que isto implica. Se a caridade for acolhida como verdadeiro programa, as comunidades terão orgulho em mostrar que colocam os outros em primeiro lugar, que vivem do serviço e entrega, que arriscam tempo e dinheiro para que a vida de todos seja digna. O próximo é o caminho da Igreja. Tudo se orienta para este serviço. Se o mundo vir que a centralidade das atenções eclesiais reside neste compromisso efetivo com todos e particularmente com os mais carenciados e necessitados, descobrirá que anunciamos um Deus que se preocupa com o homem. O tempo de pandemia, que atualmente nos afeta, dá ainda mais urgência e relevo a esta opção pelos mais frágeis.

Como suposto desta caminhada de renovação eclesial a partir da caridade, continuaremos a dar importância aos Grupos Semeadores de Esperança. Só avançaremos comunitariamente se encontrarmos tempo para refletir e rezar uns com os outros. Importa, por isso, que os grupos se multipliquem, ganhem consistência. Serão garantia de que este trabalho perdurará.

Que Santa Maria de Braga faça com que todos os cristãos e comunidades aceitem caminhar a este ritmo. Que aconteçam muitos frutos do amor e que nunca nos cansemos de acreditar que a vitalidade da Igreja está nas mãos de todos os fiéis. Nos caminhos de sempre deixemos florir a caridade, com esta, vamos quotidianamente interpretar a reforma inadiável pretendida pelo Papa Francisco.

 + Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz

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