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Departamento da Pastoral Universitária | 27 Abr 2020
Narrativas de quarentena de uma jovem universitária
Beatriz Pereira, 2º ano do Doutoramento em Psicologia Aplicada (UMinho)
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Existimos numa sociedade que vive a correr, só não percebemos muito bem onde queremos chegar com tanta pressa. Somos a geração que vive em constante ansiedade, esmagados pela pressão de termos o nosso valor medido com a régua errada, ainda que nos seja apresentada como a correta. Temos de fazer mais, de ter mais, de mostrar mais, senão é como se não existíssemos ou, então, sentimos que somos banais. Sentimo-nos também como uns eternos insatisfeitos, conquistamos muito, mas esse muito sabe a pouco, conquistamos muito e continua sempre a faltar algo mais. É que de facto fomos criados para mais!

De repente chega uma pandemia que nos vira do avesso e nos é vendida como uma situação que nos obriga a parar. Que bom, uma oportunidade para abrandar da correria em que vivemos! Só que esse marketing pouco durou e rapidamente voltamos a ser medidos: temos de aproveitar o tempo de quarentena para fazer mil e uma coisas, temos de produzir mais, temos de ficar mais fit, temos de ter sempre os ânimos levantados e nos arranjarmos da mesma forma como se fossemos sair de casa para a universidade, temos de… porque supostamente o nosso sucesso depende disso, do quanto fazemos (ou mostramos que fazemos) e de como nos apresentamos!

Mas o que é isto do sucesso? É verdade, Ele pede-nos coisas extraordinárias! Mas que coisas extraordinárias são essas? Vivemos na ilusão se achamos que estas coisas extraordinárias são “coisas” que conquistamos a contar apenas connosco próprios: artigos publicados, uma aparência imaculada, viagens, o agrado de toda a gente… e desta ilusão nasce a cobrança, a comparação, o desânimo, o bloqueio, o sufoco… E acabamos por cair num ciclo em que, até podemos chegar a conquistar essas tais coisas extraordinárias, mas o preço a pagar é demasiado grande - ficarmos vazios por dentro! Fomos criados para a felicidade! Por isso certamente que o sucesso e a coisa mais extraordinária que podemos conquistar é sermos felizes. Mas às vezes fica difícil compreender o que é e de onde vem esta felicidade, principalmente quando estamos confinados em casa. Assim, para responder à pergunta “qual é a importância da Fé para um jovem em tempos modernos e em tempos de pandemia?”, remeto para o seguinte excerto:

Portanto, aproximemo-nos do trono da graça com plena confiança, a fim de alcançarmos misericórdia, encontrarmos graça e sermos ajudados no momento oportuno.

Hebreus 4:16

Talvez a felicidade mais plena seja encontrada quando encontramos o trono da graça! Por isso, sim, vejo esta quarentena como uma oportunidade! Mas não uma oportunidade para nos sentirmos presos a uma medida que nos obriga a pensar que não estamos a fazer o suficiente ou que não somos o suficiente. Ele quer-nos livres! E eu quero que esta quarentena seja uma oportunidade para buscarmos e encontrarmos esta graça. Precisamos, enquanto jovens em tempos modernos, e enquanto jovens em tempo de pandemia, de aprender com o amor de Deus a sermos gentis connosco mesmo, estando abertos à graça. Precisamos de não nos medirmos a nós mesmos (e aos outros) pelos padrões da sociedade, mas pelos padrões d’Ele, que são padrões de amor. E por isso, em vez de procurarmos fazer um montão de coisas, que procuremos repensar as nossas prioridades, a nossa relação com Ele, com os outros e connosco mesmos. Claro que isto não é propriamente fácil, muitas vezes é até cíclico: oscilamos entre uma medida (a da sociedade) e outra (a do amor) vezes sem conta! Somos frágeis, estamos sempre a cair no mesmo, e está tudo bem! Mas também ninguém disse que o amor era fácil: para algo ser transformado numa coisa bonita, muitas vezes tem de doer primeiro. E por doer não falo propriamente de fazer dano, mas da necessidade de irmos contra as nossas vulnerabilidades humanas e egocêntricas para dar origem a algo maior e mais bonito. Assim, esta quarentena tem-me ensinado que as coisas mais extraordinárias que Ele nos pede são as mais simples. Quando a inquietação aperta, que recorramos a Ele, juro que atende sempre (fun fact: tenho um post-it no meu computador que me relembra que Deus fará o que eu não consigo fazer, seja através de inspiração ou da ajuda de um colega de trabalho). A qualquer momento do dia, todos os dias, que dediquemos tempo aos outros, a sorrir para os outros, seja através de uma videochamada, a perguntar aos nossos pais se precisam de alguma coisa ou a dizer a alguém “vi isto e lembrei-me de ti”. Que saibamos obrigar-nos a parar para estar connosco próprios, para nos conhecermos de verdade, para contemplar a natureza e a vida. E tenho a certeza de que, tendo encontrado esta graça, confiando e amando, a abundância nas outras coisas virá!

Espero, por fim, que esta busca nos faça viver um pós-quarentena a caminhar sem pressas, com confiança, com graça, com paixão em vez de pressão!


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