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Departamento da Pastoral Universitária | 9 Abr 2020
Narrativas de quarentena de uma jovem universitária
Mariana Macedo, 4º ano - Curso de Medicina (UMinho)
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Vivemos atualmente uma situação completamente excecional que ficará marcada nas nossas memórias. As rotinas e muitos dos nossos planos foram interrompidos e é-nos pedido que façamos isolamento confinados ao nosso lar. Talvez só agora consigamos perceber a importância da proximidade, da relação e do abraço. Se é verdade que esta situação nos impede de abraçar todos aqueles que amamos, também é verdade que podemos minimizar essa ausência através das vantagens que a tecnologia acrescentou às nossas vidas. Creio que é muito importante sermos próximos, apesar da distância imposta, de forma a fortalecer relações e dar conforto àqueles que se sentem mais sozinhos e perdidos nesta tempestade. 

É normal que muitos de nós experienciem sentimentos de ansiedade e incerteza pois, para além de haver a necessidade de criar novas rotinas, somos constantemente bombardeados com histórias e números assustadores. No meu caso, foi importante encontrar estratégias que me permitissem sair deste remoinho, definindo horários para ver as notícias e procurar informações apenas em fontes fidedignas e oficiais. Desta forma, consegui diminuir todo o ruído inerente a esta situação e encontrar alguma normalidade no meio de toda a anormalidade.

Na verdade, distanciamento social e a quarentena impede-nos de vivenciar momentos dos quais retirávamos o nosso bem-estar físico e emocional, no entanto, não nos retira a possibilidade de cultivar os prazeres do espírito, nos quais incluo a leitura, a música e a reflexão. Estes prazeres eram colocados facilmente em segundo plano, mas agora podemos encontrar tempo para os explorar. No meu caso, tenho-me dedicado a ouvir e a descobrir novas peças musicais, deixando-me flutuar na leveza do encadeamento de diferentes harmonias. É também na música que percebo a importância do silêncio. O som e o silêncio complementam-se e o valor de cada um reside no facto de ambos existirem. Considero, neste momento bem como no quotidiano dito normal, importante fazer silêncio, não um silêncio por obrigatoriedade, mas um silêncio que me impele à reflexão e ao encontro interior. Numa das minhas reflexões dei por mim a recordar uma frase que serviu de mote de preparação quaresmal da Pastoral Universitária de Braga: “Vou levar-te ao deserto e falar-te ao coração” (Os 2,16). Creio que esta frase se adequa na perfeição aos tempos em que vivemos. Acredito que muitos de nós experienciaram o sentimento de serem levados até ao deserto, seja pelo sentimento de impotência, pelo medo, pelo sofrimento, pela ansiedade ou pela incerteza. E é no deserto que devemos estar mais disponíveis e dar espaço para que Ele nos fale ao coração. A propósito, e porque estamos a viver a Semana Santa, desafio a que todos revivam o momento histórico de ver e ouvir o Papa Francisco, sozinho, na Praça de São Pedro, seguro da sua fragilidade humana, com um discurso arrebatador, capaz de unir, dar esperança e conforto a milhões de pessoas. 

Pergunto-me frequentemente como me quero recordar deste momento que atravessamos? E acredito que todos temos a oportunidade de ser heróis, seja colocando-nos ao serviço do outro, na procura de um mundo mais justo e humano, ou, caso isso não seja possível, ficando em casa e cumprindo todas as indicações dadas pelas autoridades. Como o Papa Francisco disse “estamos todos no mesmo barco” e juntos iremos ultrapassar a tempestade e levar o barco a bom porto. 

Enquanto aguardamos por essa chegada, deixo duas sugestões de filmes que recomendo vivamente: o “Miracle in Cell No 7” (2013) e “Hacksaw Ridge” (2016). Duas histórias diferentes, mas igualmente emocionantes que nos levam a refletir sobre o poder do amor, da espiritualidade e da coragem. Preparem as pipocas e não se esqueçam dos lenços – pelo menos, eu precisei. 


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