Família Solidária
Boletim Paroquial | XXX Domingo de Tempo Comum
Arquidiocese

Horários

Catequese Digital

[+info]

Desejo subscrever a newsletter da Paróquia Lomar (São Pedro)
11 Nov 2015
História da paróquia de S. Pedro de Lomar
PARTILHAR IMPRIMIR
 

A Freguesia de S. Pedro de Lomar

Procurámos pesquisar sobre as origens, a história desta Freguesia e paróquia de Lomar, sobre o seu antigo mosteiro e descobrimos alguns pormenores interessantes.

Nos nossos dias consideramos que Lomar é uma freguesia semi – urbana que em 2013, no âmbito da reforma administrativa nacional, foi constituída pela agregação das antigas freguesias de [Lomar] e |Arcos], Braga, com a sede em Lomar; beneficiou, sem dúvida, do desenvolvimento urbano que ocorreu nas últimas décadas, no aparecimento de certas estruturas sociais como a Creche, Jardim de Infância, Centro Social da Paróquia de S. Pedro de Lomar, criação da via pedonal para desporto, ” Arranjo urbanístico dos terrenos a nascente da Ponte Pedrinha” junto ao Rio Este, Centro Cultural e Social, I.P.S.S., com posto de enfermagem, e múltiplos serviços; Consultórios Médicos, Grandes e Pequenas superfícies comerciais e Empresas, postos de abastecimento, etc. Na nossa pesquisa encontrámos o que nos dizem as “Memórias Paroquiais” acerca da freguesia de Lomar; assim, temos referências muito antigas a Lomar e ao seu mosteiro, registadas por quem escreveu1sobre a “Organização da Diocese de Braga” no séc. XI, no tempo do Bispo D. Pedro, mas deixamo-las para mais tarde. Por agora vamos seguir as “Memórias Paroquiais”, do séc. XVIII, que nos falam da Freguesia de S. Pedro de Lomar. Este documento descreve Lomar como freguesia rural, sendo limite da cidade de Braga: «Esta freguesia da cappella de Sam Pedro de Lomar fica na província de Entre Douro e Minho. Pertence ao termo da cidade de Braga, excepto hum lugar chamado o Açougue que hé do couto do Vimieiro de cujo termo, a cidade, hé senhor donatario a Mitra Primaz de Braga. Tem vezinhos cincoenta e três; pessoas de sacramento cento e trinta. Parte della fica situada a beira do rio Aleste da parte do Poente e parte de huma e outra parte do regato que vem da Veiga do Penso, tudo terra descorrida (Rio Leda)…» Para sermos mais precisos temos de dizer que são mencionadas e descritas duas freguesias:

1 - A Freguezia - Abbadia da cappella de S. Pedro de Lomar tinha os seguintes lugares: lugar de Casal Novo, Moinho d’Além, Bouça, Moinhos Novos, Ponte Nova, Senhoris, Laboris, Costa,

Costoias, Bemposta, Soutto, Nozzal,Cappella, Outeiro e Ventoso.

– Freguezia da Reitoria de Sam Pedro de Lomar Convidamos o leitor a ver esta interessante descrição da Freguesia de S.Pedro de Lomar e também da sua capela, feita pelo autor das “Memórias Paroquiais”: «Esta freguesia de Sam Pedro de Lomar fica na província de Entre Douro e Minho. Pertence ao termo da cidade de Braga e hé sua suburbia, de cujo termo e cidade hé senhor donatário a Mitra Primaz de Braga. Tem 24 vezinhos com 86 pessoas. Parte della fica situada em campina à beira do rio Aleste; e parte discorre da coutada e monte da Mitra.

Primaz, que faz costas a entre Nascente e Sul donde se descobre a cidade de Braga, a que está imediata. (…) Tem sua parochia coazi no meio da freguesia, que tem seis lugares; Ponte Pedrinha, Monte da Forca,Muro, Estrada, Assento e Feijoal. Seu orago hé o Apóstolo Sam Pedro; tem coatro altares, que hum hé o maior do Santíssimo Sacramento e padroeiro, em que há huma confradia; outro de Nossa Senhora do Rozário, outro de Sam Sebastiam e Santo António e o outro do Santo Christo. O parocho hé reitor,a quem apprezenta o ordinário, terá de renda de certos e incertos, secenta mil réis…».

O Abade e o Reitor

Supõe-se que o espaço geográfico que estas duas freguesias ocupavam fosse sensivelmente o mesmo espaço que ocupa hoje a Freguesia de S. Pedro de Lomar, uma parte para os lados de Ponte Pedrinha e outra para os lados da Ponte Nova. Poderemos deduzir que a divisão da freguesia em duas partes, que existia no séc. XVIII, se devia à Paróquia - à assistência religiosa; determinados lugares estavam afetos a um Pároco e outros lugares estavam afetos a outro Pároco como se verificava no tempo em que existia o mosteiro: «Erão duas Freguesias distintas, a do Abbade que tinha a Igreja, aonde chamam a Cappella, que alli está; teve princípio o unirem-se em hum Reytor da Commenda, que entrou na Inquisição, & o Abbade por Visinho trouxe os freguezes ouvir Missa a ella…».

Lomar - o Rio Este e os produtos da terra

Seguidamente o mesmo autor continua a descrever a freguesia e a paróquia, referindo-se agora ao Rio Este e aos produtos da terra, de modo muito elucidativo: “os fructos da terra são milham, milho albo e centeio e pouco trigo, com algum vinho verde (…) » ...«Tem hum rio, que corre à beira desta freguesia, que se chama o rio Alesteporque bem e nasse no bal d’Este. Corre brandamente e em alguns anos seca» (…) «E em breve se junta com hum regato (…) que entra nesta freguesia, vindo também brandamente da parte do Sul da Veiga de Penso. Tem alguns peixes e sua pesca hé livre (…) Tem nesta freguesia 4 açudes de moinhos. Tem huma ponte de cantaria muito antiga que se chama a Ponte Nova. Tem coatro casas de moinhos com diversas moagens…»2.

A Igreja antiga e o mosteiro beneditino

A igreja Matriz de Lomar - igreja antiga - é referida como sendo de «arquitetura românica, do Séc. XII e com arcos do primeiro claustro do Mosteiro Beneditino, além de pormenores arquitetónicos dos Séc. IX e XII». Pode-se dizer – acreditamos - que esta igreja - a Igreja Matriz foi durante séculos o centro, a paróquia porque ambos os párocos, o Reitor e o Abade aqui se reuniam com os seus paroquianos, pois não existia outra igreja.Esta passagem, relativa à paróquia da REITORIA DE S. PEDRO DE LOMAR mostra-nos isto claramente: «Nam tem privilégios, nem antiguidades, mais do que uzarem desta mesma igreja o abbade da cappella de Lomar e seus freguezes; e nella e della comprindo e satisfazendo aos presseitos da Santa Madre Igreja, desde tempo immemoriabel; nem ao prezente tem outra igreja nos seus destritos e lemites com que desta freguesia se devidem por marcos …».

Em relação à freguesia da Cappella de Sam Pedro de Lomar o mesmo documento nos mostra que era a Igreja Matriz, a sua igreja: «Nam tem dentro do seu destrito e limites a parochia, mas se serve e usa desde tempo imemoriavel da igreja da reitoria de Sam Pedro de Lomar» Ao olharmos aqueles arcos em granito incrustados na antiga Igreja Matriz somos levados, quase que instintiva e emocionalmente a associá-los ao mosteiro, como um vestígio, um testemunho do passado. Temos, aliás, um registo de um autor do Séc. XVIII que, depois de descrever os altares da igreja nos diz: «…Nam tem beneficiados, nem conventos. Mas antes se conta por tradição commua que esta igreja fora convento de frades Bentos e hoje hé comenda que a esfruta e possue a Exm.ª Srª D. Ignês Brazia de Gusmam da cidade de Lisboa…» Os antigos chamavam a esta igreja “ a capela de S. Pedro de Lomar”,  4.

Temos razões para supor que tempos houve nesta freguesia, em que para além da igreja do mosteiro, com o Abade, existia outra igreja, que veio a desaparecer embora se desconheça em que data. «Esta igreja deve ter sido incorporada na anterior (….) Esta igreja e a anterior deviam inicialmente constituir uma única freguesia, sendo a primeira a igreja do mosteiro e a segunda a paroquial que veio a desaparecer, como aconteceu em Adaúfe, Vimieiro, e outras terras, quando a igreja conventual passou a sede da paróquia.4» Mais tarde aparece um registo que nos diz que, por iniciativa da Confraria do Santíssimo Sacramento, que aqui existia, a sacristia da Capela foi aumentada. «outro sim fazer o acrécimo de 7 braços de parede à sacristia desta confraria visto que se acha incapaz e pequena e não termos casa para podermos nela fazer as mezas com o governo e a administração precisa por quanto é pequena a que tem esta Confraria está indecente e é estreita não tem lugar a meza para se sentarem cada hum nos seus lugares e não tem o necessário para ter de guarda os aparamentos alfaias e livros e secretária…» 5.

No Séc. XIX, quase 100 anos mais tarde, temos outra ata de uma reunião referindo-se a obras:

«…que era de absoluta necessidade compor o teto desta igreja paroquial por se achar em estado de ruina e na mesma Igreja pintar e dourar os 4 altares e limpar o teto da capela-mor, tudo para aumento do culto divino e veneração da Igreja por se achar em estado de precisão e bem assim fazer-se na sacristia desta confraria hum repartimento de estuque para guarda das alfais e mais utensílios (…) visto que esta confraria tem a administração da Igreja não sendo os paroquianos obrigados a pagar para as despesas dos telhados…» 6.

Foram depois afixados editais públicos “para arrematação da obra que se tem a fazer na Igreja paroquial da freguesia de Lomar e da sacristia da nossa Confraria ” 7.

As pessoas de Lomar estão muito convictas, certamente por tradição oral, de que aqui existiu um convento beneditino e, quando são interrogadas sobre a Igreja antiga, dizem logo que ” é mais velha que a Sé de Braga” e que aqui existiu um mosteiro. Ainda, hoje poderemos localizar, junto da Capela a Rua    dos Monges Beneditinos e a Rua do Mosteiro. Uma referência histórica diz-nos que «S. Pedro de Lomar foy mosteiro muy antigo da Ordem de S. Bento, & se acha noticia delle pelos anos 667. Foy sua fundadora, ou (o) reedificou Ameana de Selheris, mulher de Dom Arias Carpinteiro, a qual era também Padroeira de Tavoza, & tinha Monges com Abbade no anno de 1358. Depois passou a Comenda de Christo, ficando com dous Parochos, ambos de apresentação do Ordinário. Erão duas Freguesias distintas, a do Abbade que tinha a Igreja, aonde chamam a Cappella, que alli está; teve princípio o unirem-se em hum Reytor da Commenda, que que entrou na Inquisição, & o Abbade por Visinho trouxe os freguezes ouvir Missa a ella. O Reytor terá sessenta mil reis de renda com trinta vizinhos,& o Abbade tem cent & dez mil reis com sessenta vizinhos, &     Commendador com a annexa de S. Miguel de Guizande terá trezentos mil reis de renda5…».

Há um registo que nos diz que «o título de divisão e demarcação da capela do mosteiro de Lomar é feito no ano 1590, pelo Abade André Vieira» Sabendo que desapareceu há muito o Mosteiro de S. Pedro de Lomar, é natural que nos interroguemos: como e porquê desapareceu ele? Quais as circunstâncias que levaram 9  ao seu desaparecimento?

Muitos séculos nos separam dessa época, ainda Portugal não estava constituída como nação, houve a invasão dos muçulmanos na Península Ibérica … Uma investigação levada a cabo por um grande historiador6 dos nossos dias, sobre os mosteiros beneditinos e também de outras ordens religiosas, aparece mencionado o Mosteiro de Lomar e dá-nos algumas pistas sobre o seu desaparecimento.

Este historiador, que faz um estudo muito amplo sobre a Arquidiocese de Braga no Séc. XV, quando se refere aos mosteiros beneditinos existentes nesta Arquidiocese, no tempo em que era Arcebispo de Braga D. Fernando da Guerra, chama ao Mosteiro de Lomar “pequeno cenóbio de S. Pedro de Lomar”, e conclui que este mosteiro foi reduzido a igreja paroquial antes de 22 de Setembro de 1431.

Diz-nos que um número bastante considerável de mosteiros beneditinos foi reduzido a igrejas seculares. As causas gerais apontadas para o seu desaparecimento são a falta de monges “efetivos humanos” - “acontecendo, em certos casos, que muitos anos antes da decisão canónica já aí não havia vestígios de comunidade monástica” Fala também da escassez de recursos materiais indispensáveis para a sua sustentação. O impacto da crise económica e demográfica dessa época sobre as instituições monásticas…”míngoa de lavradores que ahi não havia pellas grandes pestillencias e guerras que em este Regno foram…”; Além das causas já referidas fala também dos grandes encargos que, cada ano pagava de rendas ao Cabido, o que não permitia a subsistência de uma ordem que não fosse mendicante. É suposto que a população circunvizinha, normalmente10 servida pela igreja do mosteiro tenha sofrido as consequências do seu encerramento, como aconteceu noutras terras, “pela interrupção ou irregular celebração da eucaristia e ofícios divinos, não havendo, por vezes quem lhe ministrasse os sacramentos.” A mesma sorte que o Mosteiro de Lomar tiveram os Mosteiros de S. Pedro de Rates, Vimieiro, Adaúfe e outros, também reduzidos a igrejas paroquiais.

Assim, temos hoje a antiga Igreja matriz – o que nos resta deste passado, que lembra as nossas raízes cristãs.

 

Referências bibliográficas:  

1 COSTA, Avelino de Jesus da – O Bispo D. Pedro e a Organização da Diocese de Braga, INVENTÁRIO da PARÓQUIA DE S. PEDRO DE LOMAR, 14.

2 Rio Este INVENTÁRIO da PARÓQUIA DE S. PEDRO DE LOMAR, 16.

3 CAPELA, José Viriato - Memórias Paroquiais PATRIMÓNIO CULTURAL E RELIGIOSO, 17.

4 ( Livro dos usos e costumes) INVENTÁRIO da PARÓQUIA DE S. PEDRO DE LOMAR, 18.

5. ( Livro das atas, 24 de Janeiro de 1764, p.72).

6 ( Livro de atas de 15 de Junho de 1858 ).

7 CAPELA, José Viriato - Memórias Paroquiais PATRIMÓNIO CULTURAL E RELIGIOSO, 19.

8 (Livro das atas, 15 de Junho de 1858).

9 COSTA, Pe. António Carvalho- Corografia Portuguesa, tomo I, INVENTÁRIO da PARÓQUIA DE S. PEDRO DE LOMAR, 20.

10 MARQUES, José – in A Arquidiocese de Braga no Séc. XV. PATRIMÓNIO CULTURAL E RELIGIOSO, 21.

Maria José Proença - INVENTÁRIO da PARÓQUIA de S. PEDRO DE LOMAR

PARTILHAR IMPRIMIR
Paróquia de Lomar
Casa Paroquial
Morada

Rua da Residência, 2
4705-248 Braga

TEL

253099114

TLM

924439214

Cartório Paroquial

Cartório Paroquial

Quarta e Sexta: 17H00 às 18H20.

Eucaristias

EUCARISTIA 
Segunda a Sábado - 19H15. 
Sr. dos Milagres - Sábado - 18H30. De 15 em 15 dias - Não Agosto.
Domingo - 7H45; 10H00. 

CONFISSÕES - 
Nos horário de atendimento. 

ORAÇÃO DO ROSÁRIO
Segunda a Sábado às 18H45;.
Domingo às 18H00.

ADORAÇÃO DO SS.MO SACRAMENTO
Quinta das 18H15 às 19H15.
 

Confissões

Confissões - Nos horários de atendimentos - E nos momentos celebrativos fortes

Visitas aos Doentes

Visitas aos Doentes - 1ª Terças de cada mês

Doentes

Terça, dia 5, visita aos doentes a partir das 9H00.

Párocos