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D. Jorge Ferreira da Costa Ortiga | 7 Abr 2006
Transmitir a fé numa sociedade pluralista
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[Homilia na Eucaristia de Envio do 45º Encontro Nacional de Catequeses, na Sé Catedral Neste 45º Encontro Nacional de Responsáveis da Catequese, quisestes reflectir sobre “A Transmissão da Fé”. Trata-se no centro nevrálgico da missão da Igreja e da vocação do catequista. Aqui assumimos não uma tarefa prioritária mas a razão de ser de toda a dinâmica pastoral da Igreja. Existe para suscitar a adesão pessoal a Cristo como uma pessoa e queremos que os cristãos se diferenciem por esta correspondência ao amor primeiro de Deus para o comunicar como algo espontâneo e transparente. Gostaria de extrair do Evangelho duas perspectivas que devem acompanhar o itinerário evangelizar. Os judeus condenaram Jesus Cristo por uma deficiente interpretação da Sua identidade. Só que, nas suas palavras, deixam-nos uma interpelação ou, quem sabe, um pretexto para um sério exame de consciência. “Tu, sendo homem, te fazes Deus” (Jo. 10, 32). Com esta advertência mergulhamos no essencial da fé. Sabemos que esta não consiste numa ideologia nem a sua transmissão se concentra numa mera pedagogia ou técnica de comunicação. Ela é um dom que importa acolher criando as condições necessárias para que esse dom gratuito de Deus se desenvolva e atinja a sua plenitude. A sublinhar a fé como dom de Deus, estamos a reconhecer, como alicerce da vocação, que urge dar prioridade a Deus e permitir que Ele intervenha na história concreta das crianças, jovens e adultos através da nossa humildade e total confiança. Nunca somos os donos e daí nunca podemos ocupar o lugar de Deus. Talvez esta dimensão acolhedora do dom da fé deva entrar com mais profundidade no coração de todos quantos agem na pastoral catequética. Deus serve-se dos instrumentos humanos e da evolução das técnicas pedagógicas. Mas está para além de tudo. Daí que a transmissão de fé deveria ser experiência do Ressuscitado que quis ficar “onde dois ou mais se reunissem no Seu nome” (Mt. 18, 20). Trata-se, por isso, desta passagem difícil do mundo da agitação para um encontro entre irmãos num ambiente de fraternidade que não só fala de Deus e da Sua doutrina mas faz sentir e experimentar a Sua presença num diálogo amoroso com cada um. Esta consciência de que “não somos deuses” e que, essencialmente, urge criar espaço para Deus leva o catequista a consciencializar-se que a acção catequética está para além dos resultados e que Deus saberá marcar com o Seu amor indelével quem O procura. Importa, por isso, hoje mais do que nunca, caminhar na alegria e serenidade e acreditar que Deus continua a Sua aventura de estabelecer uma Aliança de Amor com todos. Nada de dramas ou traumas. Basta que sejamos, a sério e de verdade, homens e mulheres de fé que se deixaram possuir por um amor que marca a vida. Daqui emerge uma outra consideração que poderemos extrair da resposta dada por Cristo aos judeus que não queriam acreditar n’Ele: “Se não acreditais em mim acreditai nas minhas obras” (Jo 10, 35). Se a fé é dom, ela conduz e “vê-se” pelas obras. “Se alguém diz que tem fé, mas não tem obras…sem as obras a fé está completamente morta” (Tg 2, 15-17). Esta dimensão é complementar e integrante de todo o acto catequético. Na verdade, como outrora, o mundo chega ao divino através do visível, ao divino através do humano. Daí que a transmissão da fé deve comportar duas grandes preocupações. - Em primeiro lugar é a força do testemunho que emerge e deve descobrir Deus nas obras que os outros realizam. Se Cristo não é uma ideologia, a catequese nunca se resume a noções mas deverá estruturar pensamentos e mentalidades com capacidade de fidelidade no mundo e coragem para apresentar as razões da esperança. Torna-se imperioso que o catequista viva na dinâmica de conversão visível nas atitudes e comportamentos, dentro e fora da sessão de catequese. - Em segundo lugar, a catequese terá de ser orientada para este “fazer” e “agir” daqueles que acolhem a mensagem anunciada. Muitas vezes me interrogo, e desculpai o desabafo, sobre as marcas de cristianismo que encontramos nas nossas crianças e jovens. Será que os dez anos de catequese proporcionaram este encontro com Cristo que se vê nas atitudes quotidianas da escola ou em casa? Será que temos garantias para esperar comportamentos de homens e mulheres novas no amanhã profissional, familiar e social. Cristo chamava a atenção para as obras que realizava. O caminho da Igreja, no presente e no futuro, passa por aqui. A fé não se expressa somente na liturgia. O divórcio entre a vida e a fé deve ser ultrapassado e trata-se duma tarefa que ninguém ousa desconsiderar. Caríssimos responsáveis da catequese, na linha da encíclica “Deus caritas est” delineiem projectos catequéticos onde resplandeça Deus Amor a visibilizar na beleza, no encanto pela vida, na descoberta da amizade sadia e exigente, no enriquecimento com a alteridade, no respeito pela natureza. Que todos reconheçamos a grande pobreza da cultura moderna – Deus – e que nos empenhemos em O transmitir para uma sociedade nova. O mundo necessita de Cristo. Nós temos consciência disso. Não desistimos nem desanimamos perante as dificuldades ou estratégias para O afastar. Porque se a Igreja, através de vós, catequistas, realizar a sua missão evangelizadora, aqueles que participam nas vossas catequeses acreditam, acreditando esperam e esperando amam. Esta é a vida. Por isso, catequizai para que todos acreditem e tenham vida. + Jorge Ferreira da Costa Ortiga, Arcebispo Primaz
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