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9 Mar 2018
Inconformismo profético
Discurso na abertura da Nova Ágora "Olhares sobre a Cidadania"
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O ciclo de conferências “Nova Ágora” possui uma forte identidade desde a sua primeira edição: criar um espaço favorável ao diálogo, à livre exposição do pensamento e, se possível, convergir vontades que se traduzam em compromissos benéficos para a sociedade. Este intento é particularmente relevante para a Arquidiocese de Braga dado que as suas 551 paróquias cumprem, este ano, um programa dedicado a “Despertar a Esperança”. Acreditamos que a esperança é um valor intemporal. Alicerça-se num passado marcado por uma cultura transversal, por um presente que visa o compromisso social e por um futuro alimentado pelos mais nobres sonhos e ideais.

Abraçados pela esperança, sublinhamos a importância de um inconformismo profético. Houve um tempo em que os profetas eram conhecidos pela sua coragem de entrever o futuro. Mas, ao mesmo tempo, desejavam um futuro de maior realização humana e social. Não se furtavam à intervenção oral e simbólica e tinham gestos que nem sempre se identificavam com o pensamento corrente. Seriam utópicos?

Hoje em dia somos prolixos nas palavras e parcos nos gestos. Somos peritos em inventar chavões e débeis em assumir responsabilidades. Veja-se, por exemplo, a frequência com que se fala de cidadania activa e responsabilidade social. Ninguém ignora o bom propósito destes discursos mas quando os mesmos não se concretizam tornam-se meras palavras estéreis. O discurso exige, muitas vezes, inconformismo, atitudes contracorrentes e não permitir que agendas políticas ou ideológicas tomem as rédeas do nosso futuro.

Vemos ainda uma comunicação social interventiva que descobre e denuncia situações anómalas. Mas o povo contenta-se, infelizmente, em seguir com apatia as notícias e não se interroga sobre o que pode fazer para mudar a realidade. Impõe-se, por isso, uma mentalidade marcada pela exigência poética do “vemos, ouvimos e lemos. Não podemos ignorar”. Ignorar, passar ao lado, e permitir que pequenos grupos continuem a elaborar leis contra a nossa cultura não será o melhor para o país e, porque não o referir, para a Igreja. 

A cidadania significa o direito e o dever de cada indivíduo de participar activamente na vida e no governo do país. Cidadania é, por isso, um acto de responsabilidade na prossecução do bem comum. Um bem que não se esqueça do indivíduo nem sobretudo dos mais vulneráveis e desfavorecidos. Existem minorias silenciosas a quem devemos, por imperativo de consciência, emprestar a nossa voz.

Penso ser este o objectivo que nos congregou nesta noite. Agradeço ao Prof. Doutor António Sampaio da Nóvoa, ao Dr. Pacheco Pereira e à Dra. Isabel Estrada, assim como ao moderador, Júlio Magalhães. Espero que completem o meu pensamento ou manifestem pensamentos divergentes. Tudo contribuirá para a construção de um Portugal mais humano e mais consciente.

Olho com atenção para todos os portugueses mas confesso a minha proximidade junto dos mais esquecidos. Gostaria de ser uma voz activa e de contribuir para que vivessem dignamente em qualquer recanto deste nosso amado país. 

Espero que todos aqui presentes partilhem deste sentimento e que esta noite seja, para todos, uma experiência única.

† Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz

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