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5 Out 2014
Orgulho de ser cristão
Com a presença de 10.000 escuteiros, D. Jorge Ortiga deu oficialmente início ao novo ano pastoral. Na sua homilia destacou o "orgulho de ser cristão" e indicou o CNE como uma "incubadora" do plano pastoral.
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  © D. Jorge Ortiga | Parque da Devesa - VNF

Baden-Powell disse, na sua última mensagem, algo que gostaria aqui de recordar: «O estudo da natureza mostrar-vos-à as coisas belas e maravilhosas de que Deus encheu o mundo para vosso deleite». A primeira leitura e o Evangelho de hoje também nos falam sobre a natureza, sobre o plantar da vinha e a recolha dos seus frutos. Mas, como escutámos, o cenário não era nem o mais belo nem o mais maravilhoso.

Quando é que algo oferecido para nosso deleite se transforma num objecto de repulsa e aversão? Quando essa realidade não cumpre a sua finalidade. No texto bíblico, o dono da vinha esperava os frutos do seu investimento, mas outros, obcecados pela vinha – pela propriedade – quebraram este círculo.

Jesus fala-nos por meio de parábolas. Permiti que vos fale claramente. A vinha é o reino de Deus, a realidade da fé, que necessita de se concretizar em obras. Na verdade, dizia o apóstolo Tiago que «a fé: se ela não tiver obras está completamente morta» (Tg 2, 17) ou ainda o Papa Francisco «a fé sem a caridade não dá fruto» (PF 14).

o Escuta orgulha-se da sua fé e por ela orienta toda a sua vida

O primeiro e essencial princípio do CNE é, como sabeis, «o Escuta orgulha-se da sua fé e por ela orienta toda a sua vida». Será que cada um se orgulha da sua fé? Importa que, à semelhança de Abraão, deixem as muitas terras de enganos e erros para colocar a confiança em Deus. O mundo, e em particular os jovens, necessita de testemunhos corajosos da fé, vidas coerentes com ideais nobres. É nesta juventude que eu acredito e espero que o vosso lema para este ano – «uma geração sem medo» – não seja uma mera frase de retórica. Eu conto convosco e sei que sereis referência para os jovens da vossa idade e da vossa paróquia.

Estais a abrir o ano escutista e a Arquidiocese, em todas as paróquias, procede à abertura oficial do Ano Pastoral. Mais uma etapa a transformar-se em graça para que a fé seja vivida com entusiasmo, coragem e convicção.

Permiti-me, por isso, que parta da vossa metodologia, e do vosso orgulho em ser cristão, para alargar o meu pensamento a toda a Arquidiocese. É que o CNE, enquanto movimento católico, deve apresentar-se como uma verdadeira «incubadora» do programa pastoral da nossa diocese, de modo que outros vos imitem e se entusiasmem por este itinerário que devemos percorrer todos juntos. Ser cristão é alimentar-se das raízes do passado, guiar-se pelos pais na fé, e construir um futuro sólido e credível nos diversos ambientes da sociedade.

Viver a fé! Duas palavras que em caso algum podem estar separadas. A fé, quando assumida na sua plenitude, transforma-se em vida e transforma a nossa vida. Este é um princípio básico da nossa relação com Cristo mas, desde logo, de qualquer relação humana. Já imaginaram se uma criança não confiasse incondicionalmente na sua mãe ou no seu pai? Confiai também em Deus. Sem medo! Ele dá-nos a segurança do dia de amanhã (cf. Mt 6, 19-34) porque Nele se transforma a realidade do mundo que nos rodeia. Disse Baden Powell no seu testamento «procurai deixar o mundo um pouco melhor de que o encontrastes».Como é importante deixar-se comandar por este sonho de um mundo melhor, a acontecer através de um «trabalho a dois». Deus e cada um dos seres humanos numa colaboração harmoniosa.

Digo propositadamente «colaboração» porque a acção de Deus é sempre em favor das pessoas e com o auxílio das pessoas. O cardeal Henry Newman, relendo a acção de Deus na sua vida, disse de um modo muito bonito «eu sou um elo numa corrente, um vínculo de ligação entre pessoas». Transformar a sociedade é, por conseguinte, uma responsabilidade humana. E essa responsabilidade «está em saber escolher as possibilidades do futuro, transformando as possibilidades em realidades», para citar Viktor Frankl.

O cristianismo pode transformar o mundo através de pequenas coisas

Há um outro dever do escuta. Ele realiza diariamente uma boa acção. A fé conduz à acção. Não só uma, mas muitas... em favor da humanidade e particularmente dos mais carenciados. A Igreja, na sua sabedoria, diz-nos que a vida segundo a fé pode ser sintetizada nas 14 obras de misericórdia. Importa reaprender esta gramática e mostrar como o cristianismo pode transformar o mundo através de pequenas coisas, umas de índole material outras de cariz espiritual. As obras de misericórdia são a pista que deveis seguir numa aventura que vos entusiasmará. Não será que devemos ter uma geração – de todas as idades – que ande por caminhos de solidariedade em vez de egoísmo, de altruísmo em vez de individualismo, de cristianismo em vez de mera participação amorfa em actos de culto?

Se as obras transformam a realidade, todos os ambientes humanos necessitam desta presença operativa. No nosso programa pastoral seleccionamos quatro: a família, a cultura, a política e a economia. Cada um destes ambientes apela a uma transformação pela fé. Existem outros. Estes são exemplos do que devemos fazer em termos de iniciativas para mostrar que a fé não é incompatível com todas as realidades humanas. Só que importa dar-lhe sentido e significado. Sede criativos em promover iniciativas para vós e para as vossas comunidades. Só assim o programa pastoral deixará marcas.

Permiti que destes quatro ambientes diga uma palavra sobre a família. Sabeis que hoje se inicia um sínodo sobre a família. Peço-vos – a vós e a todos os cristãos – que procureis encontrar tempo para o seguir. Não pela mera curiosidade de problemas mais ou menos quentes para onde a comunicação nos quer empurrar. A família é muito mais do que isso. O Papa Francisco recorda-nos que ela é «escola de humanidade, de fraternidade de amor e de comunhão que prepara cidadãos maduros e responsáveis». Rezemos pelos bons resultados do sínodo.

Caros escuteiros e diocesanos, não vos contenteis com uma boa acção. Multiplicai-a, deixando-vos nortear pelas obras de misericórdia. Levai a fé pura e autêntica a todos os ambientes e iniciemos, todos unidos e sem medo, um verdadeiro ano social, capaz de suscitar muitas iniciativas pessoais e institucionais, para que o mundo evolua para melhor.

Quis falar para vós e para a Arquidiocese. Que a abertura do ano escutista, com uma nova Junta Regional, seja um «alerta» para que todas as comunidades paroquiais iniciem, com coragem, um novo ano pastoral.

Senhor Jesus,
Ensinai-me a ser generoso;
A servir-Vos como Vós o mereceis;
A dar-me sem medida;
A combater sem cuidar das feridas;
A trabalhar sem procurar descanso;
A gastar-me sem esperar outra recompensa
Senão saber que faço a Vossa vontade santa.
Ámen.

Parque da Devesa - Vila Nova de Famalicão, 05 de Outubro de 2014

+ Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz


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