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Semeadores de Esperança: VII Tema
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19 Mai 2018
Vitalidade e esperança
Reflexão na Vigília de Pentecostes
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  © Ana Pinheiro | Sé Catedral

O Presidente da República Francesa, Emmanuel Macron, lançou há dias um desafio interessantíssimo e de grande responsabilização para os católicos.

“Há uma última liberdade que a Igreja nos deve dar, é a liberdade espiritual. Porque não somos feitos para um mundo cruzado apenas por objectivos materialistas. Os nossos contemporâneos precisam, quer acreditem ou não, de ouvir falar de outra perspectiva sobre o Homem, além da perspectiva material. Precisam de saciar outra sede, que é uma sede de absoluto. Não se trata aqui de conversão, mas de uma voz que, com os outros, ouse ainda falar do Homem como um ser vivo dotado de espírito. Que ouse falar de algo diferente do temporal, mas sem abdicar da razão ou do real”.

Sugiro, a partir deste pensamento, três compromissos para que o apostolado organizado viva, com ardor evangélico, o seu carisma no mundo e se integre na Igreja Particular de Braga. Se cada um assumir a sua responsabilidade, a resposta da Igreja será mais sinodal e mais eficaz diante dos contextos e problemas que a sociedade enfrenta. É, sem dúvida, uma tarefa apaixonante! Mas para que a obra nasça são necessários operários. Com realismo vemos que os Movimentos vão perdendo alguma vitalidade. Basta, por exemplo, atender à idade e ao número dos comprometidos, assim como à ausência de propostas ousadas e inteligentes.

No carisma de cada Movimento reside tanto a alegria dos seus membros como a esperança para a renovação da Igreja. Ousemos sonhar alto e invistamos nestes desafios. Teremos seguramente uma enorme satisfação e os Movimentos crescerão em número e em fidelidade ao Evangelho.

O mundo moderno não pode viver só para objectivos materialistas. Esta é a tentação e a sedução. As propostas são aliciantes! A Igreja deve, por isso, mostrar que existe um outro modo de encarar a realidade. Convém ao ser humano uma felicidade integral e não apenas coisas sensíveis e mensuráveis pelo prazer da posse ou pela fruição de experiências desviantes.

Há outra perspectiva sobre o Homem para além da material. Esta é a proposta que os Movimentos devem fazer. Parece que só existe o que se vê e toca. Quem poderá oferecer algo novo e transcendente? Este é o nosso tesouro e a nossa diferença. Para o ser humano, a dimensão espiritual é a mais valia que muitas vezes procuram sem o saber. Importa não temer na hora de mostrar outro mundo e outros horizontes. O ser humano também é espiritual e sem o reconhecimento desta dimensão estaremos sempre insatisfeitos.
Acreditemos nesta responsabilidade presente no nosso ADN e que responde às necessidades dos homens e mulheres. A espiritualidade de cada Movimento deve ser proposta com toda a clarividência.

É preciso saciar outra sede que é a sede de absoluto. A grande maioria das pessoas contenta-se com o que pode experimentar no momento presente. Acreditam em valores relativos que prometem muito mas pouco oferecem. Tudo passa com grande rapidez deixando o amargo do vazio espiritual. Por detrás destas experiências fugazes está sempre qualquer coisa que falta e que só algo absoluto, de todos os tempos e de todas as épocas, pode saciar. Só Deus sacia! Não temos muitos argumentos racionais ou científicos para demonstrar esta doutrina. Temos, contudo, para apresentar a vida apaixonada por Deus, a vida de quem O procura compreender no estudo e na oração, vivê-Lo na caridade de um amor concreto e universal, assim como encontrá-Lo nas comunidades ou grupos.

Falar de algo diferente do temporal mas sem abdicar da razão ou do real. A Igreja não pode renunciar à tarefa de falar. A arena cultural da sociedade contemporânea lança constantemente mensagens sem critério. Urge introduzir nestes discursos e discussões a voz da Igreja. Os bispos e sacerdotes devem falar sobretudo a partir dos púlpitos. Os leigos tem um púlpito muito mais vasto: todos os ambientes onde o ser humano vai tecendo a vida. Aí deve chegar uma Boa Nova que é apresentada de modo vivencial mas não apriorístico.

Com estes conhecimentos, é importante articular a razão com a realidade vivida no quotidiano. O cristianismo não é uma ideologia ou um conjunto de teorias. É uma pessoa, é Cristo. E para O propor é necessária a razão para dialogar e discutir, bem como para conhecer os problemas e não fugir à agenda daquilo que espera uma resposta. Falar corajosamente, atentos a tudo quanto se vive, não ficando num mero sentimentalismo mas permitindo que a razão mostre a sua vitalidade. Esta é a metodologia para os dias de hoje. Não fujamos ao real da história. É através dela que revelamos aquilo em que acreditamos.

Gostaria, por fim, de chamar a atenção para a vida como um bem inviolável, a respeitar, a estimar e a cuidar desde o nascimento até à morte. Amamos todas as pessoas no arco de toda a sua vida. Se privilegiamos alguém, esses são os mais fracos e os mais débeis. Daí que não possamos deixar de mostrar o quanto a vida é valiosa para nós. A sacralidade da vida está, infelizmente, posta em causa. É urgente, por isso, entrar no debate que pode nascer a qualquer momento nas conversas com os amigos, nas reuniões dos Movimentos ou em debates mais amplos. Não podemos fugir a esta responsabilidade nem deixar que outros decidam por nós.

Que Santa Maria de Braga, Padroeira da Arquidiocese, nos entusiasme nesta tarefa de mostrar que existe uma perspectiva espiritual a oferecer ao mundo materialista. Revigoremos os nossos Movimentos com a vivência desta missão a realizar no concreto do dia-a-dia.

† Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz

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