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8 Jan 2016
Festas das Cruzes
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Festa das Cruzes, Cerzedelo - Guimarães

Possível origem: É possível que a Festa das Cruzes de Cerzedelo – Guimarães, seja um “herança” do tempo em que pertencemos ao termo de Barcelos (1758). Depois de Famalicão, só em 1853, por Decreto de 30 de Dezembro, foi definitivamente incorporada ao concelho de Guimarães.
Sejam quais forem as raízes da Festa das Cruzes de Cerzedelo, diferente da de Barcelos, é património do qual nos orgulhamos.

Momentos da Festa: a festa divide-se em dois momentos fortes: de manhã realiza-se a Procissão do Senhor aos entrevados (aos doentes) e, de tarde, a adoração das Cruzes, que dão o nome à Festividade, que se realiza no domingo 3 de Maio ou seu seguinte.

Procissão do Senhor aos Entrevados: durante o tempo necessário, (entre duas a três horas), debaixo do pálio, o pároco vai levar a comunhão aos doentes (e familiares que os acompanham na doença) retidos em casa e impossibilitados de se deslocarem à igreja. Uma banda de música toca, a espaços, enquanto os fiéis, da terra e de fora, vão alternando cânticos eucarísticos com a oração do Rosário.

As alfombras ou tapetes: os tapetes vêem-se apenas nos lugares por onde irá passar a Procissão do Senhor aos Entrevados. A finalidade consiste em unir o templo, a igreja, com a habitação dos enfermos dispersos pelos vários lugares da paróquia.

Nas semanas que antecedem a festa, os moradores dos lugares por onde irá passar a procissão fazem todos os esforços, mesmo fora da paróquia, para conseguirem obter a quantidade e variedade necessária de flores naturais que lhes permita executar o número de metros que em parceria com os vizinhos aceitaram fazer. Nota-se entre eles uma sadia competição que estimula e engrandece a beleza dos tapetes (cfr slide). Velhos, jovens e crianças do mesmo lugar unem-se num trabalho comum e desinteressado, de forma impressionante.

Sempre que não é possível obter a quantidade necessária de flores naturais, é costume adquirir serrim, que depois é tingido num banho frio, em água comum, na qual se dissolveu previamente o pó da tinta a empregar.

Na realização dos tapetes usam-se, há relativamente pouco tempo, formas de madeira com elementos geométricos, simbólicos (a pomba, o cálice, o túmulo, a cruz latina) bem como legendas (mais raras), alusivas a motivos religiosos ou, simplesmente, ao bairrismo do lugar que faz a ornamentação.

Todo o trabalho é realizado durante a noite e madrugada de domingo, não havendo qualquer interrupção no seguimento dos tapetes. Há quem venha de fora da paróquia "cumprir a promessa" de oferecer flores para os tapetes das Festas das Cruzes de Cerzedelo.

As cruzes: as cruzes têm a forma de cruz latina e existem 16. São de madeira de carvalho ou de castanho, com a espessura de 3,5 cm e a altura máxima de 2 metros. Apresentam símbolos litúrgicos e profanos, esculpidos de modo a permitirem o preenchimento em flores naturais.

Pertencem por herança a outras tantas famílias. Algumas há, que já não moram em Cerzedelo, mas, neste dia, aparecem ornamentadas no local que sempre ocuparam. São herdadas pelo filho ou filha mais velhos da casa. Contudo, a pessoa, pode deixar a cruz a quem julgar mais digno de respeitar a sua conservação e participação na festa. São ouvidos os filhos e, só a extrema falta de meios económicos é motivo desta resolução. Se mesmo assim não se encontrar quem a assuma, a cruz é deposta junto da Capela do Senhor do Calvário. A primeira pessoa que der por ela e possua meios, tomará essa cruz que ficará integrada no património familiar de acordo com o direito tradicional.

Uns dias antes de proceder ao assear da cruz (ornamento), é metida em água fria para humedecer a madeira e dela se retirar os restos dos ornamentos anteriores e para que a humidade facilite a aderência da nova pasta de que será revestida. Esta pasta é feita com farinha de centeio desfeita em água que se mexe bem e faz ferver.

As flores naturais utilizadas são as seguintes: pregos de oiro, conhecidas no vocabulário erudito por perpétuas, utilizados prioritariamente no cálice e na custódia; sardinheiras de várias cores; patifes, espécie de cravinas simples; margaridas pequeninas; cravos vermelhos, brancos, cor-de-rosa, dos quais se aproveitam somente as pétalas; e perpétuas roxas, cujo nome também se ouve chamar de martírios. Quando se verifica a carência de flores naturais, depois de muito esforço dispendido da parte das famílias, usa-se o papel de seda de acordo com as flores e as cores que se pretendam suprir.
Concluída a ornamentação das cruzes, a periferia é guarnecida com uma renda de papel de lustro, a fim de encobrir os remates da aplicação das flores, os vestígios da pasta de farinha e obter um acabamento de bom efeito estético.

O trabalho é terminado quando se coloca na parte superior e extrema da cruz uma imagem do Menino Jesus, com dimensões de 18 a 25 cm, vestido de setim branco, cor-de-rosa ou azul claro, apresentando nas orlas do fato galões de ouro ou de fio metálico dourado.

A condução da cruz é também objecto de devoção.

Depois de ornamentada, é levada, na tarde da festa, para o lugar que sempre ocupou no itinerário da cerimónia, é introduzida numa base de granito em forma de paralelepípedo e, para que se mantenha na vertical e segura, utilizam-se cunhas de madeira ou ferro que já estão preparadas para esse efeito.

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