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Arciprestado de Vila Nova de Famalicão | 1 Nov 2018
Santificar o mundo não é tão difícil
MENSAGEM DO ARCIPRESTE DE V. N. DE FAMALICÃO, O P.E ARMINDO PAULO FREITAS, PARA O DIA DE TODOS OS SANTOS.
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Sempre despertou a minha atenção, nas muitas biografia de santos e santas, o envolvimento social deles em vista de uma sociedade mais humana e, por isso mesmo, mais refletida à imagem e semelhança de Deus. Agir como Deus, inspirando-se no Evangelho, é o jeito prático de santificar a sociedade. E, nesse sentido, pode parecer estranho que a “mansidão e a humildade” evangélica seja um caminho pró-activo. Mas, é!

«Mansidão» não significa vida pacata, ficar em cima do muro, comportar-se na indiferença. Se assim fosse, na verdade, não seria evangélico, seria algo alienante, como tantas propostas religiosas que existem por aí, sem incomodar ninguém nem resultar em algo concreto. Viver o Evangelho provoca a sociedade e com quem se convive. É nesse contexto que a «mansidão» não perde a classe: mantém a pessoa serena, calma e aberta a ajudar até mesmo quem só sabe criticar. Reage a ataques sem perder a ternura e, se atacado responde firme, mas terna e educadamente, desarmando com a calma e a serenidade quem o agride: «A resposta branda aplaca o furor, a palavra dura excita a ira» (Pro 15,1).

São João Paulo II, na sua visita ao Peru em 1985, falando aos jovens, explicava assim a prática da mansidão, dizendo: “manso é aquele que vive em Deus. Não se trata de covardia, mas de autêntico valor espiritual de quem sabe colocar-se diante do mundo hostil não com ira, não com a violência, mas de modo benigno e amável; vencendo o mal com o bem, procurando o que une e não o que divide, o positivo e não o negativo, para possuir a terra e construir assim a civilização do amor. Eis uma proposta desafiadora para todos vós”.

O jeito de santificar o mundo pela mansidão é agir de modo humano, de modo educado no tratamento com as pessoas. Num mundo violento, quando o individualismo aumenta sempre mais, a ponto de as pessoas nem mesmo se cumprimentar, tratar os outros com mansidão faz bem a diferença, pois semeia a bondade. A mansidão não é agressiva nem mesmo com quem é mal educado ou indiferente. A mansidão favorece a boa educação, o respeito, a calma e a bondade.

A parábola do bom samaritano (Lc 10, 29) é um bom exemplo de como todos nós podemos praticar a mansidão. Aquele homem não foi procurar quem fez o mal para revidar vingança, mas fez o bem a quem estava necessitado da bondade. É, sem dúvida, uma proposta desafiadora para todos nós, cristãos do século XXI, vocacionados à santidade. Não reagir aos males do mundo com violência, mas com bondade e ternura.

Afinal: Santificar o mundo não é assim tão difícil, desde que cada um assuma as mesmas atitudes de Deus, os mesmos sentimentos de Cristo. Para isso acontecer na vida de cada um de nós, olhemos mais para Jesus. Ele que Vive e nos repete constantemente: «Aprendei de mim porque sou manso e humilde de coração»! (Mt 11, 29).

A santidade cristã, diz o Papa, passa pela experiência, cada vez mais necessária, do acolhimento do outro; encontrar tempo para ouvir e para conversar sobre o sentido da vida e do viver.

Padre Armindo Paulo, Arcipreste

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